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SAÚDE Destinação
de verbas para Santa Casa de Misericórdia é motivo
de desentendimento entre a direção da instituição
e a Associação Maria Vitória
Uma verba que teria sido destinada pelo
deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho
(PT), ainda causa desentendimentos entre a direção
da Santa Casa de Misericórdia e a equipe da Associação
Maria Vitória. Esta semana, um dos membros da associação,
o dirigente político Célio Gimenez, afirma que a
verba foi destinada para a UTI Infantil por intermédio
da Santa Casa em novembro de 2005. Já o diretor do hospital
afirma que o subsídio foi enviado, mas não para
a Associação o dinheiro veio destinado para
custear a manutenção da Santa Casa.
O desentendimento remonta ao ano de 2002, quando uma verba foi
solicitada pelo deputado Vicentinho, no início de seu mandato
no Congresso. Enquanto os membros da Associação,
à qual pertence o dirigente petista Célio Gimenez,
pretendiam que o dinheiro fosse destinado para a UTI Infantil,
a direção da Santa Casa tentava convencer as autoridades
para que o subsídio viesse para ajudar a manutenção
da instituição.
A emenda parlamentar, que destinou R$ 80 mil em subsídios
para a UTI Infantil, foi a primeira de autoria de Vicentinho para
a cidade. O convênio com o Ministério da Saúde
deveria ser assinado em 2004 com a associação e
o dinheiro seria disponibilizado via Santa Casa.
Entretanto, Gimenez explica que alguns problemas com documentação
fizeram com que o dinheiro ficasse retido. Na hora de assinar
o convênio, era necessário uma série de documentos,
dentre os quais a certidão negativa de recolhimento do
INSS, mas a Santa Casa estava inadimplente, disse o dirigente
político. Com isso, o convênio perdeu a validade
e o dinheiro não foi repassado para a instituição.
Outras emendas parlamentares de Vicentinho agraciaram a APAE de
Santa Cruz, com uma verba de mais de R$ 100 mil, e o educandário
O Lar da Criança com subsídios no valor
de R$ 150 mil.
Quando considerava que o dinheiro da UTI neonatal estava perdido,
um fax atribuído ao Ministério da Saúde informou
que uma verba no valor de R$ 80 mil foi repassada para a Santa
Casa de Misericórdia. De acordo com o documento, o recurso
seria destinado à compra de equipamentos para a UTI
neonatal. Ainda segundo o fax, o dinheiro havia sido disponibilizado
no dia 1º de novembro de 2005. O convênio é
identificado pelo número 1367/2004.
Nós nem pensávamos mais na verba, disse
Gimenez na semana passada, ao reclamar de não ter ficado
sabendo antes da chegada do dinheiro. A presidente da Associação
Maria Vitória, Kátia Henares, que é responsável
pelo gasto dessa verba, não está sabendo da chegada
do dinheiro, disse o dirigente político.
Já o provedor da Santa Casa de Misericórdia, Mércio
de Souza, confirmou que a verba veio mesmo para a Santa Casa,
para ser aplicada na manutenção do hospital. Souza
admite que a verba da UTI infantil foi perdida porque a Santa
Casa entidade pela qual seria destinada o subsídio
para a UTI neonatal estava inadimplente em relação
ao recolhimento relativo ao Imposto de Renda, INSS e Fundo de
Garantia dos funcionários na época da assinatura
do convênio. Por isso, a verba caducou, explica
o presidente da Santa Casa.
Segundo Souza, o próprio Ministério da Saúde
determinou que a destinação da verba recebida em
novembro seria para manutenção da instituição.
Ele apresentou um parecer técnico emitido pelo Gescon (Gestão
Financeira e de Convênios), do Ministério da Saúde,
em junho de 2004, que comprova sua versão. Segundo o parecer,
o projeto teria que ser adequado à natureza da despesa
da emenda parlamentar, que se refere a custeio, não cabendo
aquisição de equipamentos. Segundo Souza,
a Santa Casa recebeu a verba, mas não pode modificar a
destinação do subsídio. Nós
não mudamos a finalidade do subsídio, apenas cumprimos
a rigor a lei.
O provedor da Santa Casa disse que não tem certeza se a
verba destinada tenha sido disponibilizada por emenda de Vicentinho.
Eu tenho vários projetos no Ministério da
Saúde e, quando nos chamam para assinar um convênio,
vamos correndo com o chapéu na mão para
pegar o dinheiro, disse o diretor da Santa Casa. Como o
convênio não diz quem conseguiu o dinheiro, Souza
afirmou desconhecer se foi resultado de emenda parlamentar de
Vicentinho. Se for dele, eu agradeço, disse
o presidente da instituição. No ano passado essa
verba já havia causado confusão.