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RELIGIÃO Documento
do papa Bento XVI abre as portas da igreja para discussão
sobre a vida sexual no matrimônio além da procriação
A primeira encíclica do papa
Bento XVI, Deus Caritas Est (Deus é amor), divulgada em
25 de janeiro, trouxe novidades sobre posições da
igreja perante a sexualidade dos cristãos. O documento
que também tenta tirar da igreja o papel de executora
da justiça social, pregado por movimentos como a Teologia
da Libertação , abre precedente para que o
catolicismo trabalhe a relação sexual como parte
inerente do ser humano, que transcende os fins de procriação,
desde que praticada dentro do matrimônio e com a finalidade
de promover a doação mútua entre o casal.
A primeira encíclica de um papa é considerada uma
norteadora das ações da igreja sob seu
comando. Deus Caritas Est é dividida em duas partes: na
primeira, discorre sobre diferentes tipos de amor o Eros,
o amor carnal, a Philia, um amor fraterno, e o Ágape, que
é o amor de entrega e desinteressado, ligado à caridade.
Na segunda parte, o papa discorre sobre a caridade que a igreja
deve exercer no sentido de ajuda e socorro aos necessitados.
Para o frade dominicano Frei Lourenço Maria Papin, a encíclica
fala de como o Eros pode ser digno para o cristão, não
sendo encarado como algo negativo. O papa analisa com sabedoria
o termo Eros, como sentimento nobre entre homem e mulher no matrimônio,
disse o frade dominicano.
Segundo explica Papin, um dos pontos que transformou o sexo num
tabu dentro da igreja é, como considera o sumo pontífice,
uma degradação de Eros que chegou
a originar uma prostituição sagrada.
Havia templos com rituais pagãos que envolviam relações
sexuais, disse o frade. Por conta disso a questão
do Eros ficou mais abafada na igreja. O papa
vai contra o tabu que considera tudo errado no sexo, explica
Papin, deixando claro que Bento XVI é contra a perversão
que houve com Eros.
Segundo Papin, é herético pensar no relacionamento
sexual entre marido e mulher como pecado. Entretanto, de
acordo com a Encílica, ele deve surgir como conseqüência
de gestos de amor e de amizade. No final, o ato é
sublimado pelo sacramento do matrimônio, considera
o frade.