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AGRICULTURA Baixa
cotação do produto e redução da rentabilidade
em comparação a outras culturas incentivam produtores
a buscar outras alternativas
Refletindo
a realidade brasileira, o plantio da soja está diminuindo
na regional do Escritório de Desenvolvimento Rural de Ourinhos,
que atende 17 cidades. Em Santa Cruz do Rio Pardo, a migração
das culturas é para a cana-de-açúcar ao invés
do milho, conforme tendência nacional de culturas. Segundo
o assistente técnico da CATI Coordenadoria de Assistência
Técnica Integral de Santa Cruz do Rio Pardo , José
Augusto Cassiano, a melhor rentabilidade da cana-de açúcar
é a principal causa da mudança pelos proprietários
rurais.
No cenário nacional, a soja vem perdendo espaço
para o plantio de milho que gera um lucro menor, mas também
demanda menos investimentos nos cuidados com a lavoura. A elevação
da produtividade, segundo levantamento realizado em novembro pela
Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), do Ministério
da Agricultura e do Abastecimento, deve variar entre 41,1 a 41,7
milhões de toneladas, superior, em média, 18,3%
em relação a 2005. A área destinada ao plantio
aumentou 4,4% em relação ao ano passado.
A redução na intenção do plantio da
soja após oito anos consecutivos de crescimento da área
plantada, segundo o relatório da Conab, deve-se à
baixa cotação do produto nos cenários nacional
e internacional, além da redução de rentabilidade
se comparada com outras culturas. Também são apontados
como causas a baixa produtividade nas safras anteriores e a projeção
de margens negativas de lucro em estados mais distantes de plataformas
exportadoras e centros de industrialização.
No estado de São Paulo, de acordo com estimativas do Instituto
de Economia Agrícola feitas em novembro de 2005, a área
destinada ao plantio de soja no estado teve um decréscimo
de 22,4% em relação à colheita passada. Entretanto,
o instituto espera um aumento de produtividade de 29,3%, tornando-a
praticamente igual ao do ano anterior.
Em Santa Cruz, município com 112,8 mil hectares de extensão
dos quais mais de 100 mil destinados a atividades agropecuárias,
segundo José Augusto Cassiano o plantio de soja
começou na primeira quinzena de novembro e se estendeu
até o início de dezembro. Neste momento, a
soja está em fase de formação de canivete
(estágio de evolução), explica o engenheiro
agrônomo do Cati. Cassiano conta que o órgão
detectou falhas no plantio da região, com menor quantidade
de plantas por área, o que pode refletir na produtividade.
Além disso, a área destinada ao plantio não
aumentou com relação ao ano passado, que foi de
12 mil hectares.
Entretanto, estima-se que a produtividade da safra 2005/2006 seja
maior, chegando a alcançar 40 sacas de 60 quilos do produto
por hectare. Essa é a média de produção
municipal, revela Cassiano. No ano passado, devido à
estiagem do mês de fevereiro, a produção de
soja no país foi comprometida. Em Santa Cruz do Rio Pardo,
a produtividade da soja foi de apenas 25 sacas/ha. Este ano, como
a média pluvial está dentro do previsto, espera-se
a produtividade maior.
De acordo com Cassiano, o milho não se tornou uma alternativa
à soja na região e ambas as culturas apresentam
áreas de plantio praticamente iguais. Há uma
concorrência muito grande com a cana-de-açúcar
e com a laranja, cuja cultura tem crescido consideravelmente na
região, disse o assistente técnico do Cati.
A cana tem apresentado lucratividade maior para os proprietários
de terra, que têm arrendado suas terras para a produção
dessa cultura.
Os valores de arrendamento de terra [para plantio de cana]
giram entre R$ 500 e R$ 600 líquidos, quantias impossíveis
de se alcançar com a soja, explica Cassiano. Com
o valor da saca de soja em torno de R$ 25 e uma produção
de 40 sacas/ha, o produtor rural tiraria R$ 1 mil por hectare
valor praticamente comprometido com a produção
e impostos. Já a cana rende cerca de 15 toneladas por hectare
e o preço da tonelada está em torno de R$ 30.
De cada tonelada de cana é possível extrair entre
85 e 90 litros do combustível, tornando viável para
os usineiros o arrendamento de terras para o plantio da matéria-prima
do combustível.
Nas 17 cidades atendidas pelo Escritório de Desenvolvimento
Rural (EDR) de Ourinhos, estima-se que a área destinada
ao cultivo da soja seja de 35 mil ha. Espera-se que a produção
da região atinja mais de 1,5 milhão de sacas. Os
números foram fornecidos pelo assistente de planejamento
do órgão regional, José Rubens Rochelle.
A área estimada de plantio apresenta queda em relação
ao ano passado, quando a soja ocupou 42,8 mil ha. Já a
produção dste ano deve superar a de 2005, que foi
de 1,1 milhões de sacas. Segundo Rochelle, as condições
climáticas favoráveis apresentadas até o
momento vão melhorar a produção deste ano.
Rochelle acredita que, na região, os produtores tenham
preferido cultivar o milho cuja área plantada cresceu
de 26 mil ha em 2005 para 38,5 mil ha neste ano. O problema
do milho é o preço, mas o custo da produção
é bem mais baixo que o da soja, disse o assistente
de planejamento do EDR para explicar a mudança. Ele também
admitiu que possa haver uma mudança para o cultivo de cana-de-açúcar,
por conta do incentivo do governo à produção
de álcool e com a recente alta de preços do combustível.