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SANEAMENTO BÁSICO
Pesquisa do IBGE aponta que 47,8% dosmunicípios
têm deficiência
Alessandra Bastos
Agência Brasil
Quase metade do Brasil não
tem coleta de esgoto. De acordo com pesquisa do IBGE, de 2002,
apresentada no Plano Nacional de Recursos Hídricos, 47,8%
dos municípios não coletam nem tratam os esgotos.
Entre os 52,2% dos municípios têm o serviço
de coleta, 20,2% coletam e tratam o esgoto coletado e 32% só
coletam.
O lançamento de esgotos domésticos nos corpos
hídricos é o principal problema de qualidade das
águas, afirma a Agência Nacional de Águas
(ANA) no Plano Nacional de Recursos Hídricos. A construção
de estações de tratamento de esgoto é um
dos desafios do Brasil para melhorar a questão hídrica
no país.
O Plano ressalta que os maiores poluidores não são
aqueles que não têm acesso ao tratamento de esgoto,
mas sim na falta de precisão dos tratamentos realizados
no país. A maior fonte de poluição
das águas por esgotos não está relacionada
à parcela da população sem rede coletora
e sim àquela com rede, incluindo parte da que tem tratamento,
haja vista as baixas eficiências, associadas à precária
operação muitas vezes encontrada. Uma
vez que a cobertura do serviço de esgotamento sanitário
é reduzida e o tratamento do esgoto coletado não
é abrangente, o destino final do esgoto sanitário
contribui ainda mais para um quadro precário, destaca
o texto do Plano.
Entre os distritos que possuem coleta de esgoto sanitário,
pouco mais de 1/3 tratam o esgoto sanitário (33,8%). O
restante (66,2%) não dão nenhum tipo de tratamento
ao esgoto produzido. Nesses distritos, o esgoto é
despejado in natura nos corpos de água ou no solo, comprometendo
a qualidade da água utilizada para o abastecimento, irrigação
e recreação, destaca o Plano.
Do total de distritos que não tratam o esgoto sanitário
coletado, a maioria (84,6%) despeja o esgoto nos rios. Nas regiões
Norte e Sudeste, o número sobe para 93,8% e 92,3% respectivamente.
O Plano ressalta que, nas últimas décadas, o Brasil
teve ganhos significativos em relação ao aumento
da distribuição de água, mas não
houve avanços expressivos na coleta e tratamento de esgotos.
Se hoje 52,2% dos municípios têm o serviço
de coleta, onze anos antes, em 1989, esse número era de
47,3%.