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SANEAMENTO BÁSICO
Agência Brasil
A construção de
estações de tratamento de esgoto é um dos
desafios do Brasil para melhorar a questão hídrica
no país. A análise é da assessora da Associação
Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) Anna
Virgínia Machado, um dos membros da sociedade civil no
Conselho Nacional de Recursos Hídricos que aprovou, nesta
semana, o Plano Nacional de Recursos Hídricos.
Ela diz que o Brasil tem profissionais, grupos de pesquisa
e tecnologia bastante desenvolvidos. A capacidade tecnológica
é consolidada e está avançando muito. O país
é um destaque nesse setor. O problema, segundo ela,
é que temos muito poucas estações em
relação ao que precisamos tratar. Não se
tem ainda investimentos suficientes, explica.
Para ela, as estações existentes não devem
ser julgadas por números. Não é uma
questão de quantas estações, mas sim de quantos
municípios e da quantidade de população que
não é atendida com tratamento de esgoto. Você
precisaria dobrar a capacidade de tratamento de esgoto no Brasil.
O número de estações depende da tecnologia
adotada.
A assessora destaca que não é absolutamente correto
dizer que quanto maior a população de um lugar,
maior o problema em tratamento de esgoto. É correto
porque se tem uma concentração grande de esgoto.
Mas o problema fica ainda maior nas comunidades periféricas
porque são lugares que, muitas vezes, nem rede de esgoto
tem.
Nas grandes cidades, o volume é muito maior mas,
por outro lado, o investimento também é maior. Nas
cidades pequenas e médias (80% das cidades brasileiras)
o investimento é muito pouco. Segundo Anna Virgínia,
o déficit proporcional ao número de habitantes é
maior em cidades pequenas porque os investimentos são menores.
Ela explica que a capacidade de pagamento dos investimentos nas
cidades pequenas é pouca e dificulta o acesso do
município a investimentos. É muito difícil
para uma cidade pequena implantar uma estação de
tratamento.
Água comprometida O abastecimento de água
no Brasil já está comprometido, avalia
a técnica Anna Virgínia Machado, da Associação
Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes).
Ela alerta que, apesar de 12% de toda a água doce do mundo
estar no Brasil, a poluição não permite
tratamento suficiente para que possa ser aproveitada para consumo.
As descargas industriais estão mais controladas, mas as
descargas de esgoto são as ameaças atuais, avisa.
Por isso a forte insistência na construção
de estações de tratamento de esgoto, explica.
Ela diz que a qualidade dos nossos recursos hídricos
está comprometendo o abastecimento humano. Para resolver
o problema, as cidades procuram água em outros lugares.
É preciso ir a lugares mais afastados para encontrar
água em condições de serem tratadas. Nas
regiões altamente povoadas, principalmente a região
sudeste, isso é um fato.
Em São Paulo, por exemplo, como os recursos hídricos
próximos à população estão
com uma qualidade muito ruim para serem capacitados para
tratar, se buscam (lugares) cada vez mais afastados, mananciais
com uma qualidade melhor, conta. Na cidade, a água
captada tem uma qualidade tão ruim que o tratamento
acaba sendo complicado para consumo humano. De acordo Anna
Virgínia, a longo prazo, com o excesso de descargas,
o perigo é real: rios vão acumulando lama no fundo,
a área pesqueira fica profundamente comprometida e o equilíbrio
ecológico da região também.