Fotos contam participação
do Brasil na 2ª guerra

HISTÓRIA — Começa terça-feira na biblioteca Tristão de Athayde exposição com mais de 120 fotografias que mostram os brasileiros nos campos de batalha


Itamar Rabelo com exemplar original do jornal italiano que anuncia o fim da Segunda Guerra MundialNo início deste mês completou 61 anos do fim da 2ª Guerra Mundial, a maior catástrofe provocada pelo homem no século 20. Para lembrar a data, na terça-feira, 16, tem início na Biblioteca Tristão de Athayde de Ourinhos uma exposição que reúne cerca de 120 fotos, vários mapas, utensílios usados pelos soldados e exibição de documentário.
A maior parte do acervo pertence a familiares do escritor Itamar Rabelo. O pai, José Rabelo de Souza, participou como radiotelegrafista na Itália, para onde foram enviados os soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB), criada em 1944 para enfrentar os italianos e nazistas.
Uma das raridades da exposição é o exemplar original da “La Gazzetta Del Serchio” em edição extraordinária com a notícia da rendição dos alemães. Em letras garrafais, a manchete histórica “Alemanha derrotada!”, de 8 de maio de 1945, ilustrada com fotos de Churchill, Roosevelt e Stalin. Um lote de 90 fotos em preto e branco são pertencentes à família Rabelo e o restante proveniente de pesquisas em sites e outras publicações do período. A maior parte do álbum de família é de autoria desconhecida. As fotos, segundo Rabelo, foram adquiridas pelo pai no front e após o confronto. Há também cartas de soldados enviadas a familiares. Um deles, antes de morrer em uma batalha, faz questionamentos existenciais.
O acervo retrata principalmente a luta dos brasileiros nas batalhas de Monte Castello e Montese. O Brasil entrou na guerra em 1944, após ter vários navios torpedeados pelos japoneses e alemães no oceano Atlântico. Essa passagem da história é retratada na exposição com capas dos jornais brasileiros, principalmente “O Globo” do Rio de Janeiro. Quando eclodiu a guerra na Europa, em 1939, o presidente Getúlio Vargas teve reação ambígua, de simpatia com os regimes fascista italiano e nazista alemão. O país vivia a ditadura do Estado Novo.
A adesão brasileira aos Aliados (Inglaterra, Estados Unidos entre outros) contra o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) ocorre no final da guerra, num tratado que possibilitou investimentos em siderurgia e petróleo no Brasil. Sem um exército regular, ainda com forte influência da escola francesa que privilegiava a cavalaria, os brasileiros tiveram que preparar uma força tática especial treinada por americanos para entrar no conflito e atualizar os conceitos bélicos. A 2ª guerra foi mais sangrenta devido ao uso mais constante de aviões em bombardeios, blindados e o fim da cavalaria que se destacou nos exércitos do final do século 19 e início do 20. O Brasil enviou 25.334 soldados dos 60 mil previstos. A FEB foi deslocada para a região do mediterrâneo para guarnecer a retaguarda nos campos de batalha da Itália, enquanto os americanos cercavam a Alemanha. A Batalha do Monte Castello marcou a presença brasileira na guerra. O local, montanhoso na região Norte da Itália, tinha uma função estratégica nazista de impedir o avanço das tropas aliadas. As outras vitórias são: Castelnuovo-Soprasasso, a de maior valor estratégico, Montese — a mais sangrenta, com 426 baixas em quatro dias —, e Fornovo di Taro (que aprisionou a 148ª Divisão alemã, parte de uma Divisão Panzer, e remanescentes da Divisão Bersaglieri Itália, num total de 14.779 prisioneiros). Essa parte da história é retratada na exposição com várias fotos e ilustrações de mapas com anotações das incursões dos brasileiros.
Rabelo explica nos painéis que Monte Castello se arrastou por 3 meses (de 24 de novembro de 1944 a 21 de fevereiro de 1945), sendo efetuados nesse período nada menos de seis ataques, com grande número de baixas. Quatro deles fracassaram por falhas de estratégia. A maior parte dessas mortes poderia ter sido evitada se fosse aproveitada a lição das três primeiras investidas, efetuadas nos dias 24, 25 e 26 (esta interrompida no meio) de novembro de 1944. Ou mesmo os ensinamentos do primeiro desses ataques.

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