S. Cruz e Ourinhos tiveram
jogadores na seleção

ESPORTE — Newmar Sackis foi bicampeão na seleção brasileira de novos; o santa-cruzense Ivan Brondi jogou na seleção olimpíca de 1960 em Roma


O ex-zagueiro Newmar Sarkis, de OurinhosA foto de um antigo recorte da revista Manchete, emoldurado num pequeno quadro, está desbotada. É o que sobrou de lembrança de quando o ourinhense Newmar José Sackis vestiu a camisa da seleção brasileira ao lado do centroavante Careca. O retrato é da equipe que disputou o Torneio de Novos de Toulon, na França, quando a seleção brasileira sub-21 conquistou o título. Antes de Newmar, Djalma Bahia, nascido em Ourinhos, já tinha vestido a camisa da seleção brasileira nas categorias de base. De Santa Cruz do Rio Pardo, Ivan Brondi atuou na seleção olimpíca de 1960 (leia na página 8) e Lelé, ex-Esportiva Santacruzense, atuou no escrete canarinho em 1940, embora não haja maiores informações sobre este antigo craque.
Entre o final da década de 70 e começo de 80, Ourinhos teve um grupo de jogadores que passou por grandes clubes, apesar da cidade não ter tradição no futebol profissional, ao contrário de Santa Cruz. Djalma Bahia morreu em um acidente quando estava na Portuguesa de Desportos e era uma jovem promessa para o futebol.
Newmar conquistou vários títulos pelos clubes que passou — Grêmio, Vasco da Gama, Bahia, Coritiba, Pinheiros (atual Paraná Clube) entre outros — e dois títulos mundiais na categoria sub-21. Revelado pelo técnico Bolão, no Matsubara, Newmar esteve na seleção do Brasil de novos que conquistou o bi em 1980 e 1981 em Toulon. Esse time serviu de base para a seleção de 1982. Dirigida pelo técnico Nelsinho (ex-Fluminense) e Vavá, na supervisão da seleção sub-21 estava Telê Santana.
O artilheiro Careca vestiu a camisa da seleção em 1980 e esteve na Copa de 1982, aquele supertime com Falcão, Sócrates e Zico eliminado pelos italianos nas quartas-de-final. Por ter participado em Toulon, Newmar integrou a lista dos 40 jogadores selecionados para a Copa do Mundo de 1982, mas não foi convocado entre os 22. Só teria chance se Oscar ou Juninho se contundissem, mas isso não ocorreu.Na seleção de 80 com o craque Careca, Nilmar aparece de pé: é o segundo, da direita para a esquerda
Atualmente na coordenação das escolinhas de futebol do Centro Esportivo de Ourinhos, Newmar Sackis ainda guarda as revistas Placar e os recortes do tempo em que vestiu a camisa da seleção. Em 1980, ele não foi titular — só atuou na semifinal e final devido à contusão de Luiz Claudio, mas no ano seguinte vestiu a camisa titular. O Brasil bateu a França na final por 2 a 1. Na sua galeria de títulos, Newmar foi campeão pelo Grêmio da Taça Libertadores da América e do Mundial Inter-clubes no Japão em 1983.
Depois de uma carreira no futebol de 1978 a 1995, Newmar conta que na terça-feira, antes do início da partida Brasil x Croácia pela Copa do Mundo, ainda reviveu o clima de futebol e ficou ansioso, com as mãos suadas. “Tenho o futebol nas veias. Essa ansiedade da estréia eu sei como é, mas depois que o jogador entra em campo acaba se ligando na partida”, contou o ex-zagueiro. “Mas não existe isso de tremer. Se tiver bem preparado não tem problema”.
Dono de uma coleção de 55 camisas dos mais variados times de futebol e seleções, duas delas têm valor inestimável: a amarelinha e a azul (o uniforme nº 2) da CBF com que disputou o Torneio de Toulon — com mangas compridas devido ao clima frio na época do torneio.
Newmar se destacou numa posição que no Brasil não é muito valorizada: a defesa. O futebol arte brasileiro dá valor ao atacante, aos meias e laterais. No entanto, apesar dessa tendência ofensiva — devido a grandes craques como Ronaldo, Ronaldinho, Kaká e Adriano —, Newmar sai em defesa da categoria: “Os melhores zagueiros são brasileiros”. Ele cita Lúcio e Juan, que atuam na Alemanha como exemplos de os melhores na posição. Formado pela escola gaúcha de futebol, de muita força e eficiência, Newmar jogou pelo Grêmio no tempo que Luiz Felipe Scolari era zagueirão do Brasil de Pelotas. Os dois chegaram a se encontrar nas quatro linhas, quando Felipão ainda não nem sonhava ser técnico de futebol. No Grêmio, ainda com 18 anos, jogou ao lado do goleiro Leão e do lateral direito Eurico (ex-Palmeiras).
Sobre a seleção brasileira, Newmar diz que só na segunda fase é possível avaliar se o Brasil tem chance de ganhar o título. Na opinião dele, ainda é prematuro fazer prognósticos porque o time não está 100% fisicamente e nem tecnicamente.
Esportiva — Jogadores que defenderam a Associação Esportiva Santacruzense (AES) também já vestiram a camisa da seleção brasileira. Foi o caso de Manoel Peçanha, o Lelé, que jogou pela seleção antes de ser contratado pela AES.
Segundo o ex-jogador da AES Décio Mendonça, o meia-esquerda Lelé defendeu a camisa brasileira no final da década de 40. “Não chegou a jogar em Copa, só em amistosos”, afirma Décio. Lelé defendeu a AES de 1954 a 1956. Outro jogador da Santacruzense que vestiu a camiseta verde-amarela, segundo Décio, foi o volante Álvaro José Pedro, o Suíngue. Além da AES, Suíngue jogou no Palmeiras, no Vasco da Gama, no Fluminense e no Corinthians. Suíngue jogou na Esportiva por três anos — inclusive quando o time foi campeão da 2ª divisão paulista, em 1962. Depois de deixar o time de Santa Cruz do Rio Pardo, quando atuava em clubes maiores foi convocado para a seleção — mas também não chegou a participar de Copa do Mundo.

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