| Caderno D |
ARTE O estudante Diego
Guimarães Leite, 19, de Ourinhos, desenha desde criança,
mas enfrenta a tendinite para concluir painéis em óleo
sobre tela ou acrílico
Mesmo
ciente de que viver de arte atualmente é muito difícil,
o estudante Diego Guimarães Leite, 19, de Ourinhos, não
desanima em seguir a carreira. Desenhista e pintor autodidata,
Diego não esmoreceu nem mesmo com uma dificuldade ainda
maior: uma tendinite que lhe causa muita dor quando cria um desenho
ou um painel.
Desde criança, Diego sempre se interessou pela arte. Comecei
a desenhar pequeno. Quando era criança, não tinha
amigos e minha mãe trabalhava o tempo todo. Então,
ela comprou uma lousa com giz e aí comecei, conta.
Na escola, os desenhos de Diego se destacavam por ter detalhes
que os outros não tinham. Sempre tinha umas exposições
com os trabalhos e eu já estava fazendo desenho de luz
e sombra, diferente da casinha normal. A partir daí as
pessoas começaram a me dizer que eu tinha talento e devia
investir nisso, explica.
Mesmo incentivado a desenvolver seu talento, Diego acabou abandonando
a arte durante um período. Não queria isso
para mim. Tenho tendinite e sempre que vou desenhar dói
muito. Fui voltar à arte realmente depois de um monte de
problemas sentimentais na minha vida, quando minha mãe
faleceu, conta Diego. O estudante trabalha com desenhos
e também óleo sobre tela e acrílico em painéis,
mas não vende as obras dá de presente para
amigos.
Para conseguir expor seus trabalhos, o próprio Diego busca
visibilidade, batendo de porta em porta. Foi assim que realizou
uma mostra individual de desenhos acadêmicos no Teatro Municipal
Miguel Cury, e pretende realizar outra no final deste
ano, com tema renascentista. Por enquanto é só
um hobby, mas é uma coisa que quero levar a sério,
afirma Diego, que gosta de surrealismo e impressionismo.
Para Diego, existem dois tipos de artista: um que pensa no dinheiro
e outro, que realmente pensa em sua obra. Tenho para mim
que hoje em dia viver de arte é difícil. O que destaca
você para os olhos do público é fazer um trabalho
que vem de dentro, nada que pareça com outro. Uma coisa
sua, um sentimento seu, é onde sai tudo diferente,
diz.
Dor
O estudante, que sofre de tendinite, enfrenta a dor para
terminar suas obras. Atrapalha, mas depois que eu começo
tenho que terminar. Tem dias em que não almoço,
não janto e passo a noite toda pintando, diz.
O trabalho de Diego é feito, segundo ele, com entrega total.
A maioria das telas, pinto chorando. Tem todo um processo,
como estar ouvindo uma música, pois parece que é
algo que entra dentro de você, explica o estudante,
que apesar da tendinite, não pensa em abandonar mais a
arte. É parte de mim. E já me acostumei com
a dor, justifica.