• Caderno D
Monsieur le president

Itamar Rabello
Da Equipe de Colaboradores

Caros amigos leitores, enfim as candidaturas estão confirmadas e, com isso, começam oficialmente as campanhas eleitorais de 2006. Sim, oficialmente, porque na prática, tem gente em campanha há muito tempo, mesmo com as proibições legais.
Como já estava previsto há três anos e meio, Lula confirmou sua candidatura ao segundo mandato, acompanhado pelo seu fiel escudeiro cheio do dinheiro, José Alencar. Surpresa? Nenhuma.
Pelos lados da oposição, outra candidatura óbvia: Geraldo Alckmin. Surpresa? Também não. Entretanto há uma candidatura, que se não é surpresa, certamente causará alguma sensação, que é a senadora Heloísa Helena, que fala até pelos cotovelos e não tem medo de cara feia. Se sua performance em campanha for a mesma que vem desempenhando até aqui, ela dará trabalho.
Esses três, creio, deverão ser os atores principais de mais um embate eleitoral brasileiro, pois todos os outros sequer aparecem nas famigeradas “pesquisas”.
Essa pulverização de candidaturas acaba colocando Lula numa posição bem interessante e pessoalmente mais forte que a própria coligação que o abriga. Porém, não muito confortável, pois certamente vai provar do fel das acusações, de que fez um mau governo, que presidiu uma avalanche de corrupção na vida pública nacional, via mensalão, e ainda por cima usa a máquina federal para fins eleitorais.
Tudo muito óbvio, como óbvios serão os discursos de todos: Lula passará a maior parte do tempo mandando porrete no antecessor FHC para minar as forças do candidato Alckmin, e os adversários no próprio Lula. E todos falarão em combater a corrupção, multiplicar o salário-mínimo, baixar a taxa básica de juros, aumentar exportações, reforma agrária e por aí vamos.
Como se vê, nada muda.
Pelas plagas ourinhenses, teremos mais uma vez uma enxurrada de candidatos à Assembléia Legislativa, com o agravante de um concorrente que não é da cidade, mas que vem com muita força, arrancar preciosos votos que poderiam ficar aqui. Isso também não surpreende, acostumados que estamos, a vermos nossa cidade perder, perder e perder a cada eleição.
Analisar discursos? Qual nada! Serão os mesmos de sempre. Os discursos de campanha repetem-se ciclicamente, como litanias.
Então porque perder horas de sono indo a comícios?
Basta lembrarmos o que foi dito há quatro anos atrás. É isso.