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ESCÂNDALO DO ITBI
Prevendo derrota de emenda na Câmara, Donizeti ajuizou ação
no tribunal para tentar derrubar dispositivo de afastamento; liminar
foi negada
Dois dias depois do DEBATE informar que a bancada de oposição
na Câmara estava propensa a mudar de posição
e rejeitar a emenda governista que retira da Lei Orgânica
a possibilidade de afastamento do prefeito em caso de denúncia
criminal, Adilson Donizeti (PSDB) ajuizou Ação Direta
de Inconstitucionalidade no Tribunal de Justiça na tentativa
de derrubar o dispositivo no Judiciário. Entretanto, o
presidente do TJ, Celso Limongi, negou liminar e a ação
seguirá seu trâmite normal. A Lei Orgânica
continuará inalterada, a não ser que os vereadores
resolvam aprovar a emenda em setembro (leia abaixo).
A Adin foi protocolada no dia 20 pelo procurador da prefeitura,
Antonio Manfrin Júnior, dias depois da Câmara aprovar
a proposta do prefeito Adilson Donizeti para alterar a Lei Orgânica,
retirando do artigo 79 a possibilidade de afastamento do chefe
do executivo. No entanto, a votação foi em primeiro
turno e a oposição decidiu rever o caso, anunciando
a retirada do apoio à emenda no segundo turno. A votação,
que seria realizada na segunda-feira, foi adiada para setembro.
A polêmica gira em torno da constitucionalidade do dispositivo,
previsto em várias leis orgânicas. A maioria dos
juristas considera legal a hipótese, mas o prefeito diz
que tem pareceres de institutos especializados que atestam a inconstitucionalidade
da medida. Há alguns meses o prefeito de uma cidade baiana
foi afastado após o Tribunal de Justiça daquele
estado receber denúncia criminal contra ele. O baiano tentou
anular o afastamento na segunda mais alta corte do país,
o STJ, mas não conseguiu.
O jurista Mayr Godoy, cujo livro sobre LOM deve ser usado para
a reforma completa da Lei Orgânica de Santa Cruz, também
considera legal o afastamento de prefeito em caso de denúncia
criminal aceita pelos tribunais. Ele deu esta opinião durante
a realização de Jornada Jurídica
em Santa Cruz, em maio. O assessor jurídico da Câmara,
José Eduardo Catalano, já está com uma cópia
do livro de Mayr, onde há uma proposta de lei orgânica
que pode ser aplicada em qualquer cidade. No texto, aliás,
consta a possibilidade de afastamento.
Legal ou não, o fato é que o prefeito Adilson Donizeti
não obteve liminar logo após o ajuizamento da ação
no Tribunal de Justiça de São Paulo. Inconformado,
pediu reconsideração ao próprio presidente
do TJ, Celso Limongi. Inexiste perigo de lesão irreparável
ou de difícil reparação. Neste sentido, nada
há para ser reconsiderado, despachou o desembargador
na semana passada. Donizeti, porém, insiste na obtenção
da liminar para suspender imediatamente o dispositivo da LOM.
Na última quarta-feira, ele protocolou agravo regimental
no TJ, através do assessor jurídico Paulo Parmegiani.
Este tipo de recurso não está previsto nos códigos
brasileiros e consta apenas nos regimentos dos tribunais. O agravo
deve ser julgado nos próximos dias.
Cerco Esta foi a quarta Adin Ação
Direta de Inconstitucionalidade ajuizada pelo prefeito
no Tribunal de Justiça desde que o DEBATE trouxe a público
o escândalo do ITBI. Na denúncia publicada
em maio do ano passado, o empresário Francisco Falavigna
beneficiário de uma lei do prefeito que o isentou
em mais de R$ 400 mil de ITBI afirma ter entregue R$ 30
mil ao prefeito. Responsabilizado por uma CPI na Câmara,
Donizeti se livrou da cassação no legislativo ao
trancar, na Justiça, o andamento de uma Comissão
Processante. Ele também cooptou o relator da CPI, Pastor
Samuel Reis que assinou o relatório responsabilizando
o prefeito e o nomeou secretário da Cultura, conquistando
a maioria na Câmara e enterrando de vez a possibilidade
de cassação no legislativo. No entanto, continuou
a ser investigado pela polícia.
Durante a CPI, porém, o prefeito ajuizou duas Adins no
Tribunal de Justiça e conseguiu derrubar dispositivos que
previam seu afastamento em caso de criação de Comissão
Processante. Depois, durante a CP, ajuizou outra Adin para derrubar
todo o capítulo da Lei Orgânica que regulamenta a
cassação do chefe do executivo. Nesta última
ação, assinada pelo jurista José Nilo de
Castro, o prefeito não obteve liminar e ainda aguarda julgamento.
A preocupação do prefeito de Santa Cruz em evitar
afastamento tem origem no inquérito policial que apura
a corrupção no caso ITBI. Donizeti teve seu sigilo
telefônico quebrado por determinação do Tribunal
de Justiça e, imediatamente após a operadora Vivo
prestar todas as informações, o Ministério
Público paulista mandou indiciar criminalmente o prefeito
na polícia. A quebra foi solicitada para o MP analisar
se Donizeti realmente estava no município de Espírito
Santo do Turvo no dia em que Francisco Falavigna garante ter entregue
o dinheiro ao prefeito na ocasião, ambos trocaram
telefonemas. Através do advogado Octávio Batochio,
o prefeito ajuizou habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça,
em Brasília, pedindo o trancamento do inquérito
policial. O pedido ainda não foi julgado pelo STJ.