| Região |
OURINHOS Sindicato
dos Professores entrou com ação civil pública
na Justiça
O prefeito Toshio Misato (PSDB) é
acusado de usar verba do Fundef ilegalmente na construção
do campus da Unesp. A prefeitura construiu quatro prédios
para o campus da universidade e usou como fachada
a obra do Centro de Referência do Ensino Fundamental (Cref)
para beneficiar o campus da Unesp.
A manobra, segundo o coordenador da subsede da Apeoesp
(Sindicato dos Professores Estaduais do Ensino Oficial do Estado
de São Paulo), Luiz Horta, foi a prefeitura usar dinheiro
que deveria ser destinado ao ensino fundamental. Toshio deixou
de aplicar recursos na melhoria de escolas municipais para atender
o ensino superior.
A ação civil pública contra a prefeitura
tramita na vara civil de Ourinhos desde o começo do mês.
O sindicato pede que cerca de R$ 400 mil sejam devolvidos ao ensino
fundamental. Mas o montante pode chegar a R$ 1,3 milhão.
A Apeoesp só incluiu os R$ 400 mil porque não teve
acesso a mais documentos.
Se a Justiça considerar o uso da verba ilegal, Toshio pode
ter as contas de 2004 rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado
(TCE). Sem os recursos, o tucano não atinge o percentual
de 25% na Educação no ano de 2005.
O uso da verba não teve autorização do conselho
gestor do Fundef e nem passou pela Câmara de Vereadores.
A presidente no Conselho Municipal de Educação,
Roseli dos Santos Ribeiro, disse que a obrigação
de construir o prédio da Unesp é do governo do estado
e não do município.
Segundo ela, a rede de ensino fundamental precisa de investimentos
para ampliação de salas de aula, mas a atual administração
usou dinheiro do Fundef para a Unesp. Não somos contra
o curso da Unesp em Ourinhos, o que discordamos é utilizar
dinheiro do ensino fundamental, declarou a sindicalista.
O uso do dinheiro do Fundef não foi idealizado por Toshio.
Na realidade, já constava dos planos de expansão
da Unesp, quando o deputado Claury Santos Alves da Silva (PTB)
negociou a expansão do ensino superior no município.
Sem verba do governo do Estado, as universidades públicas
de São Paulo passaram a ter direito a receber, quando necessário,
complementações orçamentárias, não
previstas pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
O petebista descobriu essa brecha na legislação
que aprovou a criação de sete novas unidades da
universidade: Ourinhos, Rosana, Dracena, Tupã, Itapeva,
Registro e Sorocaba/ Iperó. Mas a proposta era diferente
das anteriores, por estabelecer a parceria com os municípios
contemplados. Na realidade, ficou para o município
dar a estrutura física e a manutenção das
novas unidades.
A universidade ficaria responsável apenas pela contratação
dos funcionários administrativos e professores e, ainda,
pelos equipamentos necessários para o funcionamento (laboratórios,
computadores, mobiliário etc).
Para usar o dinheiro do Fundef, Toshio construiu o Cref
um centro de treinamento para os professores da rede municipal
que funciona no próprio campus.
Segundo a Apeoesp, a emenda constitucional 14, que criou o Fundef,
é clara ao obrigar que a verba deve atender, obrigatoriamente,
a folha de pagamento, na proporção de 60% de seus
recursos e os 40% restantes com a manutenção, expansão
e equipamentos das unidades escolares de ensino fundamental (1ª
a 8ª séries). Com a sobra, pode aplicar recursos na
capacitação dos professores do ensino fundamental.
A emenda veda a utilização dos recursos para outros
fins como merenda, transporte escolar e ensino infantil ou superior.
A reportagem procurou a secretária municipal de Educação,
Maura Balbinot, na quinta-feira por telefone. Ela se comprometeu
atender o DEBATE e apresentar documentos na sexta-feira de manhã.
No dia seguinte, uma funcionária atendeu o repórter
e alegou que, por problema de saúde, a secretária
não pôde trabalhar na manhã daquele dia. O
jornal procurou o assessor de imprensa Carlos Pessôa Guimarães
na tarde de sexta-feira. Ele disse que ia contatar a secretária,
mas depois alegou que ela não poderia atender devido ao
lançamento do Festival de Dança. Pessôa prometeu
acionar o departamento jurídico, mas depois não
retornou mais a ligação até o fechamento
desta edição.