• Caderno D
Casal voltou para Santa Cruz para fugir da violência

PASSATEMPO — Mesmo com apelos do patrão para que não deixasse gerência da farmácia, Manoel Blasque se aposentou e retornou para o interior



Blasque e a coleção de pôsteres: jeito do interior é diferencial na capitalApós mais de 30 anos vivendo na capital paulista, o santa-cruzense Manoel Blasque e sua mulher, Matilde Aparecida Blasque, retornaram para Santa Cruz assustados com a violência da cidade grande. Para o aposentado, o perfil das pessoas do interior pode ser um diferencial importante na vida profissional em cidades como São Paulo.
Segundo Blasque, a atenção dispensada com seus clientes na capital fez com que ele permanecesse 30 anos no mesmo local. “A farmácia trocou de dono três vezes e os novos proprietários sempre pediam que eu ficasse”, conta. Para ele, a receptividade característica dos moradores do interior foi um fator determinante. “Quem é da capital, geralmente é uma pessoa mais fria. Gente do interior é mais atenciosa. Quando atendia alguém, conversava com o paciente e explicava para que serve e como tomar os remédios”, disse Blasque.
Foi dessa atenção dispensada que surgiram as primeiras peças da vasta coleção — seus clientes o presenteavam com bebidas, mas, como não é dado à ingestão de álcool, passou a colecionar as garrafas. Segundo ele, o proprietário da farmácia não queria que ele deixasse a gerência do estabelecimento, mas a violência falou mais alto. “Pelo cargo que ocupava, sempre ficava sobre a mira das armas. Com assaltos a cada sessenta dias, achei melhor eu me aposentar e voltar para o interior”, explica Blasque, que ainda mantém amizades em São Paulo. “Até os filhos do dono da farmácia vêm passar uns dias em casa, de vez em quando”, conta o ex-gerente.