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ESCÂNDALO DO ITBI
Donizeti foi indiciado um dia após o STJ negar liminar
em habeas corpus ao prefeito; se condenado, pode pegar até
8 anos de prisão
O
prefeito Adilson Donizeti (PSDB) foi formalmente indiciado anteontem
por corrupção passiva como um dos principais envolvidos
no caso ITBI. O indiciamento criminal foi feito pelo delegado
assistente da Delegacia Seccional de Ourinhos, Amarildo Aparecido
Leal, que concluiu o inquérito que apurou corrupção
na concessão de isenção milionária
ao empresário Francisco Falavigna, em 2004. O empresário
também foi indiciado por corrupção ativa,
além de mais cinco pessoas sendo quatro assessores
do prefeito que foram indiciados criminalmente por falsidade
ideológica. Eles teriam mentido durante as diligências
na tentativa de defender o prefeito.
O prefeito de Santa Cruz é acusado de receber propina de
R$ 30 mil em dinheiro após isentar o empresário
do pagamento de imposto de transmissão de bens (ITBI) superior
a R$ 400 mil. Posteriormente o prefeito retirou o benefício
e o empresário, furioso, exigiu o dinheiro de volta. Uma
caixa com R$ 29 mil teria sido entregue a um motoboy de confiança
de Falavigna em novembro do ano passado, no luxuoso hotel Jaraguá
em São Paulo. O escândalo foi divulgado com exclusividade
pelo DEBATE em maio do ano passado e, desde então, o prefeito
era investigado por corrupção. Após a quebra
de seu sigilo telefônico, foi formalmente indiciado.
A Polícia Civil de Ourinhos abriu o inquérito em
janeiro de 2005 a pedido do Ministério Público de
Santa Cruz do Rio Pardo, imediatamente após a publicação
das denúncias no DEBATE, na edição de 1º
de maio do ano passado. O promotor Silvio da Silva Brandini
que no início de 2005 havia arquivado ação
civil pública que investigava a isenção do
ITBI , já solicitou ao delegado Amarildo Leal as
peças finais do processo. Ele deve reabrir a ação
por improbidade administrativa.
O inquérito agora será encaminhado ao Tribunal de
Justiça do Estado, provavelmente nesta segunda-feira, pois
como detentor de cargo executivo o prefeito tem foro privilegiado.
Em seguida, o Ministério Público paulista deve ofertar
denúncia contra Donizeti que, se aceita pelo TJ, afasta
o prefeito de suas funções por força de dispositivo
da Lei Orgânica que o chefe do executivo não conseguiu
derrubar na Justiça.
Segundo o delegado Amarildo Aparecido Leal, as investigações
reuniram indícios muito fortes do envolvimento do prefeito
e do empresário de Itápolis na aprovação
de uma lei municipal para isentá-lo do imposto de transmissão
de bens, o ITBI, recolhido toda vez que é feita transação
imobiliária. A isenção causou um rombo nos
cofres públicos superior a R$ 400 mil.
Dias depois da lei de isenção, o prefeito pediu
dinheiro ao empresário que, sentindo-se acuado
conforme ele próprio declarou na CPI da Câmara
, resolveu entregar R$ 30 mil a Adilson Donizeti. A transação
ocorreu em agosto de 2004, em plena campanha eleitoral para a
reeleição de Donizeti. O dinheiro acabou sendo devolvido
parcialmente pelo prefeito, no final de 2005, após desentendimento
com o empresário.
Interrogatório O prefeito e as cinco testemunhas
foram intimados para serem ouvidas na manhã de sexta-feira
em Ourinhos, mas nenhuma delas compareceu, talvez já prevendo
o indiciamento, que acabou ocorrendo de forma indireta pelo delegado
Amarildo Leal. Se comparecesse, Donizeti seria interrogado já
na condição de indiciado criminalmente.
Juridicamente o indiciamento acontece quando o Estado no
caso a autoridade policial encontrou provas suficientes
da autoria de um crime. Se condenado, o prefeito estará
sujeito a pena de 1 a 8 anos de prisão. Já as pessoas
indiciadas por falsidade ideológica podem pegar até
3 anos de cadeia.
As testemunhas, quase todas funcionárias da prefeitura,
foram ouvidas no decorrer do inquérito e teriam dito à
polícia que o prefeito não participou das negociações
com o empresário Francisco Falavigna porque estaria em
reunião. Nas investigaçoes, porém, a polícia
descobriu que as testemunhas mentiram. O sigilo telefônico
do acusado foi quebrado, mas está sob segredo de Justiça.
O DEBATE apurou que pelo menos um dos indiciados não é
servidor público, mas mantém negócios com
a prefeitura. Ele já anunciou a advogados que vai se retratar
perante a Justiça, pois a legislação prevê
que, neste caso, ele pode ser absolvido.
O assessor jurídico da prefeitura João Gabriel Lemos
de Souza que também atua como advogado particular
do prefeito esteve na tarde de sexta-feira na delegacia
Seccional, pedindo cópia de peças do processo.
O inquérito do ITBI tem mais de 2.000 páginas, entre
depoimentos, documentos e inúmeras provas. O delegado Amarildo
Leal explicou que em seu relatório com mais de 40
páginas não cita a quebra de sigilo telefônico
como determinante para indiciar o prefeito e as testemunhas. O
delegado não forneceu os nomes dos assessores, alegando
segredo de justiça.
O inquérito policial ocorre em foro privilegiado devido
ao fato do prefeito exercer cargo executivo. O prefeito é
acusado por corrupção passiva e vai responder a
processo que pode resultar em pena de prisão. O empresário
foi indiciado por corrupção ativa.
O promotor de Justiça, Silva da Silva Brandini, já
requisitou cópia do inquérito policial para reabrir
ação civil pública por improbidade administrativa
que vai tramitar no fórum de Santa Cruz do Rio Pardo
e que também pode afastar o prefeito de suas funções.
Ministro
do STJ nega liminar a Donizeti e processo é mantido