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ESCÂNDALO DO ITBI
Adilson Donizeti vai responder a mais uma ação com
origem no caso ITBI, que também pode afastá-lo do
cargo de prefeito de Santa Cruz
Além
de responder na Justiça por corrupção no
caso ITBI, no qual foi formalmente indiciado na Delegacia Seccional
de Polícia de Ourinhos, o prefeito Adilson Donizeti (PSDB)
também será réu em ação civil
pública a ser ajuizada pelo Ministério Público
de Santa Cruz do Rio Pardo. Na semana passada, o promotor Silvio
da Silva Brandini confirmou que a ação também
tem origem no caso ITBI e destina-se ao ressarcimento do prejuízo
que a isenção do imposto causou aos cofres do município.
Enquanto isso, o prefeito ainda tenta reverter no Superior Tribunal
de Justiça (STJ), em Brasília, decisão desfavorável
a um habeas corpus que pede o trancamento de todo o processo.
Além disso, Adilson Donizeti vem emitindo notas oficiais
tentando minimizar o episódio de seu indiciamento criminal
na polícia (leia ao lado).
Brandini não forneceu maiores detalhes sobre a ação,
mas explicou que ela deve ser protocolada no fórum de Santa
Cruz nas próximas semanas. Este tipo de ação
permite que o prefeito seja julgado na própria comarca.
Em processos criminais como corrupção
o chefe do executivo tem foro privilegiado e só pode ser
julgado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. No
entanto, na ação por improbidade, o promotor também
pode pedir à Justiça o afastamento do prefeito,
cassação dos direitos políticos por 8 anos
e até a aplicação de multa cujo valor varia
de acordo com o dano causado aos cofres públicos.
Na verdade, a ação civil pública sobre o
ITBI foi reaberta após ter sido arquivada pelo mesmo promotor
público em fevereiro do ano passado. No final de 2004 a
denúncia de suposto favorecimento do prefeito Adilson Donizeti
ao empresário Francisco Falavigna foi apresentada ao MP
pelo então vice-prefeito Miro Picinin (PFL), que já
estava rompido com o chefe do executivo. Miro solicitou que o
Ministério Público investigasse possível
improbidade administrativa na concessão de isenção
milionária ao empresário, por parte do prefeito,
na compra de uma fazenda. O polêmico caso começou
em julho de 2004, no início da campanha eleitoral, quando
o prefeito encaminhou lei à Câmara que resultou na
isenção de ITBI superior a R$ 400 mil para Falavigna.
No mês seguinte, o empresário teria doado
R$ 30 mil ao prefeito de Santa Cruz, nas imediações
da usina Agrest, na rodovia SP-225, município de Espírito
Santo do Turvo.
Em maio, o caso de corrupção veio a público
através de reportagem do DEBATE. Segundo o promotor, as
denúncias deram nova dimensão ao caso. Brandini,
então, determinou a abertura de inquérito policial
e também pediu autorização à Procuradoria
Geral de Justiça órgão máximo
do Ministério Público paulista para reabrir
a ação civil. Ao mesmo tempo, solicitou do delegado
Amarildo Leal que presidiu o inquérito do ITBI
as peças principais das investigações, quando
de sua conclusão. Agora, de posse dos documentos, deve
ajuizar a ação dentro de no máximo duas semanas.
O caso é muito grave, afirmou o promotor, e
como o inquérito confirma as denúncias de Falavigna
vou ingressar com a ação que, na verdade, também
tem a ver com corrupção. O representante do
Ministério Público não acredita na versão
de que os R$ 30 mil foram doação para a campanha
eleitoral. Fica difícil acreditar que foi para campanha.
O fato é que um deu, o outro recebeu e não se sabe
para quê, disse. Há indícios mais
que suficientes que ocorreu improbidade, afirmou o promotor.
Na época da publicação das denúncias,
representantes do PSDB local e o próprio presidente do
diretório municipal, Dorival Parmegiani, negaram que o
partido recebesse doações de Francisco Falavigna.
Neste sentido, Silvio da Silva Brandini afirmou que as provas
criminais contra o prefeito obtidas pela polícia também
serão utilizadas para fundamentar a ação
civil pública. Eventualmente as provas obtidas no
crime podem servir para instruir ação de improbidade,
explicou o promotor.