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Vereador do PSDB quer
afastar prefeito do partido

ESCÂNDALO DO ITBI — Leandro Mendonça acha que Donizeti deve ser afastado até provar sua inocência



Se  prefeito não solicitar afastamento, Leandro quer expulsá-lo do PSDBApós o indiciamento criminal do prefeito Adilson Donizeti (PSDB) ter se tornado público, o vereador Leandro Mendonça (PSDB), um dos principais defensores do chefe do executivo na Câmara de Vereadores, passou a defender o afastamento do prefeito do partido tucano. Para o parlamentar, esse afastamento seria provisório e, caso o prefeito comprove sua inocência na justiça, ele acredita que o partido o acolherá “de braços abertos”.
Leandro manifestou sua opinião por intermédio do site de relacionamentos Orkut — que é freqüentado também pelo assessor jurídico da prefeitura, João Gabriel Lemos Ferreira, e, com menor freqüência, pelo próprio Donizeti. No site, Leandro “colou” um texto sobre a expulsão de três deputados do partido envolvidos no escândalo dos sangessugas e questionou se o diretório local seria igualmente rigoroso. “Eu acredito [que a exclusão dos deputados do PSDB] foi feita visando a preservação do partido e eu vejo assim também”, justificou o parlamentar.
Em um texto anterior, Leandro se disse “decepcionado” com o caso ITBI e manifestou o desejo de ter acesso às contas telefônicas do prefeito — mantidas em sigilo por ordem da Justiça — para averiguar se a ligação efetuada em 11 de agosto ao empresário Francisco Falvigna de fato não ocorreu. “Faço questão de verificar algo que me disseram que não aconteceu, que tudo era mentira... Se o delegado já tem, não custa me deixar ver”`, disse o parlamentar.
Preservação — Leandro Mendonça sugeriu o afastamento do prefeito para preservar a imagem do partido, que, segundo ele, “não pode ser penalizado por um fato tão grave assim”, referindo-se ao indiciamento criminal de Adilson Donizeti. Para ele, o próprio prefeito deveria solicitar o afastamento do partido até que sua inocência esteja comprovada. Caso o prefeito não se afaste por desejo próprio, o parlamentar defende que Donizeti seja expulso. Ele deixa claro que não vê o afastamento como um “ato comprobatório” de culpa. “Eu acredito que uma pessoa que tem plena convicção que nada deve, se afasta e se defende para depois retornar”, explica.
Leandro disse que antes nunca duvidou do prefeito porque Donizeti lhe garantira que não esteve em Espírito Santo do Turvo na ocasião da suposta entrega do dinheiro, como garantiu o empresário Francisco Falavigna. O parlamentar afirmou que vai pedir as contas telefônicas para o prefeito. “Eu quero olhar a conta para comprovar que ele não estava lá. Isso tem um valor fundamental agora”, justifica o parlamentar tucano, dizendo que nunca pediu as contas antes porque acreditou na palavra de Donizeti. “Se o prefeito não me mostrar, a tendência é que eu acredite que existe mesmo um problema”, admite Leandro. “Eu acredito que agora é o momento, moralmente falando, dele chegar e mostrar publicamente as contas. Se ele foi indiciado por corrupção e existe um vínculo com essa conta telefônica, que é o que dá a entender, deve torná-la pública”, opina.
Mesmo que a conta telefônica não comprometa Donizeti, o vereador defende o desligamento do prefeito do PSDB. “Seria a atitude mais sensata”, avalia Leandro. Devido ao motivo do indiciamento — que ele considera grave —, o parlamentar compara que, fosse ele o indiciado, não gostaria de vincular partidos políticos ou associações a que estivesse relacionado com o caso. “Eu me afastaria e faria questão de provar que sou inocente. Isso é conduta de homem, chama-se hombridade”, considera Leandro.
Ele diz não temer sofrer retaliações e nega que esteja havendo rompimento com o prefeito por sua posição. “Eu não temo porque tenho certeza que ele já sabia como eu agiria”, explica o parlamentar, que afirma não duvidar das pessoas. “Não o estou acusando de nada e nem julgando-o de nada. Apenas acredito que, numa situação como essa, um indiciamento por corrupção, deveria haver o afastamento. O indiciamento é muito sério para ter ares de naturalidade”, defende.