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POLÍTICA Leandro
Mendonça (PSDB) denunciou à polícia que Rui
Reis (PV) pretendia agredi-lo; testemunha, porém, diz em
depoimento que foi mal interpretada

A acusação feita na polícia por Leandro Mendonça
(PSDB), denunciando Rui Reis (PV) de ter supostamente contratado
uma pessoa para agredi-lo nas eleições de 2004,
quando ambos pertenciam ao mesmo grupo político, sofreu
uma reviravolta na segunda-feira, 14. O suposto contratado, Júlio
Maria de Araújo, negou a versão de Mendonça.
Rui Reis pretende, agora, levar o caso à Comissão
de Ética da Câmara dos Vereadores, além de
exigir reparação na Justiça.
Araújo figura como testemunha num inquérito policial
confuso, provocado pelo prefeito Adilson Donizeti (PSDB) e por
Leandro Mendonça contra Rui Reis no final de março.
Em seu depoimento, Donizeti afirmou temer até por sua integridade
física em razão de sua rivalidade com Rui que, segundo
ele, é alimentada pelo DEBATE. O prefeito disse
ter ficado sabendo que, durante as eleições de 2004,
segundo testemunhas, Rui teria expressado a vontade de contratar
pessoas para dar um jeito em Leandro. Ainda de acordo
com o depoimento, o prefeito ficou sabendo que Araújo procurou
Leandro para avisar que fora contratado por Rui para realizar
o serviço.
Em declarações à polícia, Leandro
afirma que Araújo o procurou no dia 27 de março
deste ano, quando teria confessado que, durante a eleição
municipal, Rui Reis o teria contratado para que arrumasse
umas pessoas e desse uma surra em Leandro. De acordo com
as declarações, o tucano procurou Araújo
mais de uma vez antes de registrar queixa contra Rui Reis.
Em seus primeiros depoimento à polícia, entretanto,
Araújo conta outra história: Rui teria declarado
a ele, após um comício, que precisava dar
uma surra no Leandro, mas Araújo tentou acalmar os
ânimos porque era nervosismo político.
A testemunha afirmou, ainda, que contou a história a Leandro
por sentir-se traído por Rui. Na época,
todos trabalhavam pela reeleição do prefeito Adilson
Donizeti (PSDB).
Ainda figuram como testemunhas no inquérito o assessor
jurídico da prefeitura, João Gabriel Lemos Ferreira
que prestou assessoria jurídica ao partido na última
eleição municipal e Ricardo Moral Lopes,
candidato derrotado a vereador pelo PSDB e atual assessor do prefeito.
No inquérito instaurado este ano, ambos afirmam recordar
da discussão ocorrida em 2004 e da promessa
feita no dia seguinte, de que Rui arrumaria alguém para
agredir Leandro. O inquérito foi enviado para a delegacia
seccional de Ourinhos, para conhecimento e providências
cabíveis.
Reviravolta Na segunda-feira, entretanto, Araújo
se dirigiu à Delegacia de Polícia para ratificar
seus depoimentos anteriores. Desta vez, a testemunha afirmou que
Rui disse a ele que precisava pegar o Leandro, e não
que arrumasse alguém para fazê-lo. Ele considera
que deve ter ocorrido um mal entendido por parte do
vereador tucano. Foi apenas um mal entendido na interpretação
das palavras do Leandro Mendonça, afirma Araújo,
que garante não ter mentido ou omitido a verdade anteriormente.
No mesmo dia, Rui Reis declarou à polícia ter procurado
Araújo para saber por que o mesmo havia mentido na polícia.
Em depoimento, Rui afirma que perguntou se Leandro ou o prefeito
Adilson Donizeti teriam lhe prometido algo para que mentisse.
Araújo informou que Leandro não prometera nada,
mas o prefeito sim. Rui afirma, ainda, que a conversa
com Araújo foi gravada para que seja disponibilizada no
momento oportuno.
Além do conselho de ética da Câmara, Rui pretende
levar o caso às vias judiciais. Para ele, os documentos
provam que houve falso testemunho, denunciação caluniosa
e formação de quadrilha.
Para o parlamentar, o arrependimento de Araújo ocorreu
porque o prefeito prometeu algo a ele, mas não cumpriu.
Por isso ele se propôs a ir até a delegacia
e falar a verdade, opina o vereador.
Quadrilha O vereador Rui Reis afirma que o episódio
o preocupa porque mostra que uma quadrilha tem ramificações
na Câmara, o que se comprova pelos documentos policiais.
Ele considera, ainda, que falta Deus no coração
de Leandro. Ele deveria ler os testamentos, onde diz que
não se deve levantar falso testemunho, disparou Rui
Reis.