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SAÚDE PÚBLICA
Em Santa Cruz, segunda etapa da vacinação
começa na quinta e se estende até sábado;
em Ourinhos são 18 postos fixos e dois volantes
A segunda etapa da vacinação
contra a poliomielite (paralisia infantil) será realizada
no sábado na maior parte dos postos de saúde de
toda a região. Em Santa Cruz do Rio Pardo, devido à
zona rural a campanha começa na quinta-feira, 24, com os
postos volantes e se estende até o sábado. Em Ourinhos,
pelo menos 18 postos de vacinação fixos e dois volantes
estarão aplicando a vacina no sábado, 26, das 8h
às 17h.
A estratégia é vacinar indiscrimindamente todas
as crianças de zero a 4 anos, 11 meses e 29 dias de todas
as localidades. Além da vacinação contra
a paralisia infantil, estarão disponíveis nos postos
as vacinas BCG, tetra tríplice (difteria, coqueluche, tétano
e hemófilos), tríplice viral (sarampo, caxumba,
rubéola) e hepatite B.
A chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica
da Secretaria de Saúde de Ourinhos, Lila Sionéia
Béccheri, disse que a vacina oral será administrada
independente do estado vacinal prévio em relação
a qualquer vacina, inclusive a oral contra o rotavírus
humano.
Segundo Lila, as crianças que estiverem com tosse, gripe,
rinite ou diarréia serão vacinadas, bem como as
crianças que estiverem internadas em hospital. A vacina
contra a paralisia infantil é a medida mais eficaz para
proteção coletiva, porque possibilita a circulação
do vírus atenuado no ambiente para evitar a doença.
Pela estatística, a população de menores
de 5 anos em Ourinhos está em 7.694. A meta é vacinar
95% (7.309 crianças), mas na primeira etapa alcançou
a cobertura de 99.41%. Santa Cruz do Rio Pardo não forneceu
os números.
Doença O pediatra Glauber César Cardin
afirma que a poliomielite atinge principalmente crianças
menores de cinco anos, mas também pode se manifestar em
adultos. A criança deve tomar a dose contra paralisia
infantil com dois, quatro, seis e quinze meses de idade e depois
aos cinco anos, além das doses oferecidas nas campanhas,
recomenda.
Cardin conta que a vacina via oral é indolor e são
necessárias várias doses para que o organismo se
reforce contra o vírus causador da doença. A
poliomielite é causada por um enterovírus. Ele pode
entrar através da via oral, por gotículas de respiração
ou via fecal. Em seguida, cai na corrente sangüinea e depois
atinge o cérebro, atacando o neurônio motor, responsável
pela locomoção das partes do corpo, explica
o especialista.
A doença é viral aguda que pode ocorrer sob a forma
de infecção inaparente em 99% dos casos. O quadro
clínico é caracterizado por febre, mal-estar, cefaléia,
distúrbio gastrointestinal e rigidez de nuca, acompanhado
ou não de paralisia. De acordo com o médico, a maioria
das vezes a doença ataca somente os membros inferiores,
mas em alguns casos pode atingir partes mais altas e comprometer
até mesmo o sistema respiratório do indivíduo.
São raros, mas há casos em que a pessoa necessita
da ajuda de aparelhos para respirar, uma vez que a característica
da doença é enfraquecer os órgãos
por meio de uma paralisia flácida. Neste caso, pode levar
à morte, alerta Cardin.
Embora de fácil prevenção a poliomielite
é irreversível. Conforme explicou o pediatra, o
tratamento da doença é feito somente visando a qualidade
de vida do paciente, alternando sessões de fisioterapia
entre outros métodos.
O vírus causador da poliomielite pode não se manifestar
em algumas pessoas que o possuem. Segundo estatísticas
de Glauber Cardin, apenas 2% das pessoas portadoras do vírus
desenvolvem a doença. O problema é que, mesmo
não manifestando a paralisia, a pessoa é capaz de
transmití-la, ressaltou.
Prevenção A campanha nacional contra a
poliomielite teve início em 1980, há 27 anos. O
último caso do vírus isolado no Estado de São
Paulo foi em 1998 na cidade de Teodoro Sampaio. No restante do
Brasil, houve casos no Rio Grande do Norte e Paraíba em
1989. A meta da Organização Mundial de Saúde
(OMS), de erradicação total da doença, não
foi possível em 2005 devido ao registro da doença
em 2003, 2004 e 2005 na Indonésia, Afeganistão,
Índia, Nigéria e Paquistão. No Brasil, há
17 anos não é registrado nenhuma criança
com a doença e o país está livre do poliovírus
desde 1989. As campanhas são realizadas para garantir a
não reintrodução da doença no país.
Segundo documento da Divisão de Imunização
do Centro de Vigilância Epidemiológica, a ocorrência
da paralisia associada à vacina é rara cerca
de 1 caso/2,4 milhões de doses distribuídas nos
Estados Unidos. A taxa é maior nos casos que ocorrem após
a primeira dose (cerca de 1 caso/760 mil doses, incluindo receptores
e comunicantes). No Brasil, a incidência da poliomielite
associada à vacina é de 1 caso/44,4 a 6,7 milhões
de doses administradas entre todos os vacinados.