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Estudantes "caçam" saci na "Semana do Folclore"

EDUCAÇÃO — Escolas de Santa Cruz do Rio Pardo aproveitam data comemorativa para mostrar às crianças a riqueza do folclore brasileiro



Rhigon trabalha o folclore com crianças da "Sinharinha Camarinha"
Algumas escolas de Santa Cruz estão aproveitando o mês de agosto, quando no dia 22 se comemora o “Dia do Folclore”, para trabalhar lendas e costumes populares que fazem parte desta tradição. Para fomentar o lado lúdico dos alunos, o professor de artes Plínio Righon vem desenvolvendo há vários meses um trabalho que deve ser concluído na semana do folclore.
Ele atua nas salas de 1ª a 4ª série do ensino fundamental na Escola Estadual Sinharinha Camarinha. Para as crianças menores, o professor apresenta personagens folclóricos fazendo com que elas acreditem na existência deles e sejam transportadas para o mundo da imaginação. “Para que o processo de aprendizado seja completo, é preciso que esteja envolvida a emoção. No decorrer dos anos a criança terá a oportunidade de saber que o saci, por exemplo, é uma figura inventada”, avalia Plínio Righon.
Para as 3ª e 4ª séries, o educador tem como prioridade resgatar brincadeiras infantis já esquecidas, como a pipa e o peão. “Nesta fase as crianças já sabem que o folclore é repleto de fantasia. Assim, procuro resgatar brincadeiras que também fazem parte desta tradição”, contou Plínio.
O professor conta que a técnica por ele utilizada é muito simples. Primeiro, elabora histórias, cujos textos são trabalhados em sala de aula e transformados em desenhos. O último passo é tirar a história do papel. “Com as crianças de seis e sete anos trabalhei a história do saci pererê. Eles desenharam e a finalização será a caça ao saci-pererê, que iremos realizar na semana do folclore”, relata Righon.
A empolgação dos alunos com a empreitada é notável. Todos afirmam acreditar no saci e não ter medo dele. Em meio à algazarra provocada pela entrada do professor de artes na sala de aula, os alunos mostravam os desenhos e ensinavam como deve ser feita a captura do saci. “Eles vão ser levados até a fazenda União durante o período de aula. Lá, farão a caça ao saci”, explica o professor.
A fim de resgatar antigos hábitos de diversão, para as crianças de 3ª e 4ª série o conteúdo da leitura mescla brincadeiras folclóricas e datas especiais. Plínio contou que no Dia dos Pais os alunos montaram um pacote de presente contendo pipa, bolinhas de gude e peão. “No sábado os alunos levaram seus pais até o estádio Leônidas Camarinha para brincar com o presente. O papel da escola é resgatar esta cultura, uma vez que, na cultura familiar de hoje, tudo é considerado descartável”, avalia Plínio Righon.
Quanto à parte teórica, o professor relega a um segundo plano. “Eles sabem que existe o dia do folclore, mas não relacionam o saci à ele, já que não têm uma definição exata do que é folclore. Isto virá com o tempo”, explica.
Adriana Machado, diretora da escola "Arnaldo Moraes Ribeiro"
Leitura — Na escola estadual “Arnaldo Moraes Ribeiro” o dia do folclore está sendo utilizado como um ‘gancho’ de incentivo à literatura. A diretora da escola, Adriana Franciscon Machado, acredita que o maior desafio das escolas atualmente é incentivar a leitura. Assim, ela afirma que a data é uma ótima oportunidade para incentivá-la e trabalhar com a imaginação dos alunos. “Estamos desenvolvendo um projeto que será apresentando em breve. Durante o mês de agosto as crianças estão pesquisando a cultura popular que está presente no folclore, desde personagens até as receitas de chá ou aqueles remédios da vovó que também se encaixam neste contexto”, explicou.
Adriana conta que a veracidade ou não das histórias folclóricas contadas aos alunos não são confirmadas. “Deixamos a incógnita. Alguns acreditam, outros não”, relata Adriana. Além da apresentação dos trabalhos artísticos e de pesquisa dos alunos, a intenção da diretora é convidar algumas avós para contar histórias folclóricas para as crianças. “A participação da família no ambiente escolar também é muito importante”, ressalta Adriana.
A coordenadora do colégio Objetivo Santa Cruz, Edueli Berardi de Souza, contou que a escola utiliza o folclore em seu material apostilado, envolvendo-o em diversas disciplinas. “O povo brasileiro acredita, por exemplo, que ‘gato preto dá azar’, sabe que ‘São Longuinho acha objetos perdidos’, canta (ou cantava) ‘Ciranda Cirandinha’, brinca (ou brincava) de ‘passar anel’, mas quem inventou tudo isso ou quem as criou? Conhecer o nosso folclore, estudá-lo, brincar com ele, desenvolver atividades não é nenhum sacrifício, mas podem empolgar alunos, principalmente do Ensino Fundamental”, disse a educadora.

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