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SAÚDE Aquisição
de vacinas importadas é mais barato que bancar todos os
casos da doença, a longo prazo
Com o inverno, os leitos de internação
da Santa Casa de Misericórdia de Santa Cruz do Rio Pardo
são ocupados freqüentemente pos pacientes infectados
com rotavírus. As internações por causa da
virose chegam a representar 80% de todos os casos diários.
Segundo o pediatra Jorge Rosa de Oliveira, o Ministério
da Saúde adquiriu lotes de vacina importada, porque a imunização
é mais barata do que manter as internações
pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Somente na sexta-feira, dos 10 casos de internação
ocorridos até a tarde, 8 eram derivados do rotavírus.
Na quinta, 17, das 15 internações, 7 foram provocadas
pelo vírus. Aumenta muito a ocorrência nessa
época, conta o provedor da Santa Casa, Mércio
de Souza. Segundo ele, o quadro da doença é motivo
de emergência, devido à desidratação
que causa. Isso provoca gastos muito altos, porque a maioria
é atendida pelo SUS, explica Souza.
De acordo com Jorge Rosa de Oliveira, um dos pediatras da Santa
Casa, o rotavírus é uma enterovirose que causa surtos
no inverno. Ele existe o ano inteiro, mas ataca em casos
isolados em outras épocas, explica o pediatra. Em
épocas mais frias, quando as pessoas tendem a permanecer
em locais fechados, é mais fácil pegar
a doença, transmissível pelo contato com fezes,
saliva ou mesmo em casos de espirros.
As crianças em escolas ou creches são as mais suscetíveis
à virose, por terem contato com várias outras em
escolas e creches. Na Santa Casa, 80% dos casos de pediatria
são relativos ao rotavírus e, em 50% das ocorrências,
a internação é necessária, conta
o médico. Entretanto, a virose também pode atacar
adultos. Os principais sintomas são vômitos em jatos
e diarréia líquida, ambos em grande quantidade
o que ocasiona quadro agudo de desidratação do paciente.
Também pode causar febre e resfriados. Os sintomas passam,
geralmente, em uma semana, que é o tempo do ciclo do rotavírus
no corpo humano. Mas se a desidratação não
for tratada, pode até matar, alerta o pediatra. O
tratamento da doença também é simples, de
acordo com Oliveira. Basta hidratação com
soro e remédios sintomáticos, excetuando medicação
para diarréia, explica.
Para evitar a disseminação do rotavírus,
ao primeiro sintoma que a criança apresentar, ela deve
deixar de freqüentar a escola e os pais devem ser avisados.
É necessário evitar o contato com saliva ou fezes
dos pacientes. Lavar as mãos também ajuda a prevenir
a infecção. A assepsia é importante
porque evita passar o vírus para outros, explica
o pediatra.
Vacina Outro método para evitar a doença
é a imunização por meio da vacinação.
Segundo o pediatra, a vacina contra a doença já
existe há alguns anos, mas não era bem vista por
causa dos efeitos colaterais que ela acarretava em alguns
casos, chegava a exigir cirurgias.
Uma nova vacina, também importada, está sendo utilizada
porque não causa os quadros de efeitos indesejados, desde
que aplicada em crianças entre 2 e 4 meses. Segundo Oliveira,
o Ministério da Saúde comprou um lote para imunizar
as crianças brasileiras, por ser mais barato do que cobrir
as custas hospitalares. Na Santa Casa, por exemplo, são
80 leitos, dos quais 20 para pediatria. Se todas ficarem ocupados
com o rotavírus, torna-se oneroso demais para o SUS,
explica. Porém, como a vacina é nova, os resultados
serão sentidos somente a médio prazo.