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Dupla treina cão para concorrer no Equador

COMPETIÇÃO — Pastora alemã foi uma das vencedoras do Campeonato Nacional da raça e vai para Quito representar o Brasil; dupla ourinhense treina a cadela


Matos faz figuração no treino de proteção de Dafne; segundo ele, qualquer cão pode ser adestradoUma dupla de Ourinhos está treinando uma cadela da raça pastor alemão para defender o nome do Brasil no Campeonato Inter-americano de Adestramento. Manoel Matos e Décio Bonato estão treinando Dafne Ciridai para concorrer em Quito, capital do Equador, no final de outubro. Os adestradores já receberam diversos prêmios no Brasil e devem concorrer em um campeonato inter-raças de âmbito nacional em Itu, no próximo sábado.
Matos trabalha com adestramento de cães há cerca de dois anos e já ganhou diversos prêmios em concursos do gênero. Ele ajuda Bonato a treinar Dafne para o campeonato inter-americano na modalidade ataque. “É um trabalho que não dá para fazer sozinho”, explica o adestrador. O campeonato é promovido pela Confederação Americana de Pastor Alemão, que abrange 14 países. Além dos campeonatos que já participaram, Matos e Bonato são, também, responsáveis pela realização da etapa ourinhense do Campeonato Paulista de Adestramento, realizada em 2003, 2005 e planejada para ocorrer novamente este ano.
Quatro outros cães, que foram campeões do Campeonato Nacional de Treinamento de Pastor Alemão, representarão o Brasil junto com Dafne no Equador. Os cinco representantes foram vencedores entre 30 participantes de todo o país. Matos não acompanhará Bonato no concurso — somente a viagem do dono e da cadela custará cerca de R$ 5 mil. Até o momento, eles são patrocinados apenas pela marca Native de rações.
Segundo o treinador ourinhense — que também trabalha em Santa Cruz do Rio Pardo —, o campeonato é dividido em três fases: obediência, faro e proteção. Na primeira modalidade, os cães devem completar um percurso e executar várias tarefas — como pular barreiras e carregar halteres — sem o comando do dono. O faro do cão é testado numa pista entre 300 e 500 passos, na qual ele deve seguir, pelo olfato, uma trilha deixada por pegadas.
Na modalidade proteção, cujo treino é o mais complicado por exigir duas pessoas, o cachorro deve mostrar que sabe cuidar do dono. Na prova, é feita uma simulação em que uma outra pessoa se passa por um agressor. O cachorro deve mordê-la em caso de movimento ou vigiá-la quando parada. “Ele só pode morder se o figurante estiver em ação. Caso contrário, só pode vigiar”, explica Matos, que age como figurante nos treinos de Dafne.
O trabalho de preparação do animal exige bastante do treinador. “Para treinar o faro, precisamos começar às 5h”, exemplifica Matos. De acordo com ele, nesse horário, com a poeira ainda baixa, torna-se mais fácil para o cachorro identificar cheiros, além do calor ser menor e não haver formigas — no treino, o adestrador marca a trilha com seus passos e deixa pedaços de ração espalhados, que devem ser encontrados e indicados pelo cachorro.
Embora considere que a tarefa não é muito fácil, Matos afirma que é possível adestrar qualquer cachorro. “Se tiver dedicação e força de vontade, é possível ensinar qualquer cão”, explica. Segundo ele, pastor alemão é a melhor raça para trabalhar para competições, mas qualquer raça pode ser adestrada para casa.
O tempo de aprendizado do cão também varia para cada animal, independente da raça. “É como o ser humano: alguns têm mais facilidade em aprender que outros. Tem cães que levam mais tempo para serem adestrados”, afirma Matos. Segundo ele, o profissional do ramo precisa compreender a “psicologia dos cachorros” e adequar o treinamento com a capacidade do animal.

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