| Região |
OURINHOS Antonio Sergio
Bertucci (Administração) diz que a folha de pagamento
consome 48,75% das despesas depois da reestruturação
administrativa
A reestruturação administrativa
aprovada pela Câmara de Ourinhos é alvo de descontentamento
do funcionalismo municipal. Na última segunda-feira, um
grupo de servidores foi à sessão da Câmara
com faixas de protesto. A administração tem sido
acusada de beneficiar assessores ligados ao prefeito Toshio Misato
(PSDB) no novo enquadramento do funcionalismo. O secretário
de Administração de Ourinhos, Antonio Sergio Bertucci,
negou na última semana que ocupantes de cargos em comissão
tenham sido beneficiados.
O novo reenquadramento dos servidores representa um impacto orçamentária
a mais calculado em cerca de R$ 300 mil por mês. A folha
de pagamento dos 2.598 servidores em julho saltou para 48,75%
não pode ultrapassar 51,3% pela Lei de Responsabilidade
Fiscal , conforme dados fornecidos pela Secretaria de Administração.
De acordo com ele, a reestruturação foi elaborado
por técnicos do Instituto Brasileiro de Administração
Municipal (Ibam) e não houve interferência da prefeitura.
Acompanhado do diretor de Recursos Humanos, Diógenes Correia
Leite, Bertucci declarou ao DEBATE que foi necessária a
contratação da empresa porque não havia nenhum
servidor com capacidade para elaborar o projeto. Não
havia alguém com capacidade na administração,
porque demanda conhecimento da legislação e da base
legal para mudar direitos adquiridos do funcionário.
Bertucci confirma que a reestruturação não
representa economia de despesa ao município como se fosse
numa empresa privada. No setor privado visa redução
de salário ou de pessoal. A prefeitura não teve
essa intenção. Ela quis modernizar a estrutura administrativa.
O secretário explica que mudou o sistema de promoção
do servidor horizontalmente de baixo para cima
por tempo de serviço pelo de promoção
verticalizada, por merecimento. Foi mantida a promoção
por antigüidade, mas o merecimento é levado em conta.
A cada três anos, o servidor será avaliado e vai
ter vantagens financeiras, garante ele.
Bertucci diz que o servidor que conseguir a promoção
por merecimento terá também alguns benefícios
por tempo de serviço.
Sobre o motivo de servidor ter reajuste de R$ 20 e outros até
R$ 200, Bertucci disse que o enquadramento foi feito por técnicos
do Ibam com base numa tabela com as respectivas remunerações.
Não teve influência e interferência política.
O critério foi técnico. Essa tabela foi elaborada
com a participação de um grupo de servidores, de
secretários e servidores mais antigos. Eles examinaram
se era benéfico. É evidente que foi uma participação
de supervisão, declarou o secretário.
Questionado sobre as reclamações da falta de participação
dos servidores, Bertucci diz que a Câmara teve oportunidade
de examinar o projeto e condições de fazer sugestões
para alterá-lo. Também creio que eles não
têm estrutura para analisar o projeto desse teor,
admitiu o secretário sobre a complexidade do projeto de
reestruturação administrativa. Sobre o descontentamento
do funcionalismo, o secretário diz que o artigo 59 estabelece
os critérios para os servidores que, se julgarem prejudicados,
pedirem a revisão.
De acordo com Correia Leite, o Departamento de Recurso Humanos
(RH) já havia recebido 200 pedidos de revisão até
a quarta-feira. Esses requerimentos serão avaliados por
uma comissão presidida pelo diretor de RH e mais dois indicados.
Bertucci disse que os casos serão reavaliados e o prefeito
pediu a presença no município, nesta semana, de
técnico do Ibam para ajudar na revisão e analisar
se houve ou não prejuízo. Eles é que
fizeram o plano, por isso prefiro não mutilar o projeto.
Quero evitar fazer alterações na lei devido a determinados
pedidos.
O secretário disse que a reestruturação foi
feita para corrigir as distorções na tabela anterior
que estipulava a referência salarial dos servidores. Como
a lei federal estabelece que não se pode reduzir salário,
havia vários servidores acumulando vantagens por tempo
de serviço. Diante disso, segundo Bertucci, o reenquadramento
foi feito diferentemente, não pela função
que o servidor estava exercendo mas no nível de salário.
O secretário admite, por exemplo, que o servidor pode até
ser enquadrado no nível superior com o mesmo salário
que tinha anteriormente. Segundo ele, a reestruturação
visou estabelecer nível de escolaridade, porque o estatuto
do funcionalismo não fazia essa exigência. Isso facilitava
o ingresso de determinadas pessoas no serviço público
sem instrução. Talvez essa seja a reclamação,
porque ficou definido curso médio e superior. Isso será
limitação para quem não tiver qualificação.
Então, alguns que vinham exercendo essa função
não tinham nível superior, mas como não se
pode reduzir o salário, eles foram reenquadrados como pertencentes
a nível superior.
O secretário admite disparidade em média de 10%,
mas há categoria que teve 50% de diferença salarial
no reenquadramento. Ele cita os fiscais de posturas, mas teria
sido aconselhado pelo Ibam.
Na prefeitura eles ganhavam pouco em relação a
outros municípios, mas os técnicos apresentaram
um levantamento dentro do universo de prefeituras iguais a de
Ourinhos. O fiscal que recebe pouco pode ser corrompido.
O aumento foi de 80% algo de R$ 500 para 900. São
casos pontuais, e têm impacto em apenas três fiscais,
disse o secretário.
Ele acredita que a reestruturação só terá
os reflexos positivos no funcionalismo a longo prazo. Esse
projeto é para o futuro, para a prefeitura ter estrutura
compatível com as atividades dela. As pessoas, depois de
avaliadas, poderão ser promovidas rapidamente. A cada 3
anos o servidor terá como passar de categoria.
Bertucci nega também que a reestruturação
só beneficie quem tem nível de instrução.
Segundo ele, funções como motoristas têm escala
de 1 a 3 e de operador de máquina de pá-carregadeira
podem ser avaliados dentro de três anos e serem promovidos
para um nível melhor.
Indagado sobre o impacto financeiro da reforma, Bertucci disse
que será preciso analisar os próximos seis meses
para estudar se é possível conceder um reajuste
de 5% de reajuste.
De acordo com o secretário de Administração,
não foi concedido primeiro um reajuste salarial para depois
fazer a reestruturação, porque isto poderia estourar
o limite prudencial da folha de pagamento calculado em
51%. Se o prefeito concedesse o aumento, não seria
possível fazer a reestruturação. O reajuste
é para o momento e não beneficia o funcionalismo
no futuro. A reestruturação tem um plano de cargo
e carreira no qual vai incidir uma série de vantagens todos
os anos. Optamos pelo enquadramento para estudar o impacto financeiro,
declarou.
O secretário não descarta a possibilidade de ainda
discutir um reajuste salarial, mas admite que é preciso
aumentar a receita tributária ou baixar a folha de pagamento.
De acordo com ele, houve queda de ICMS devido à frustração
de safra agrícola deste ano que influiu na queda de vendas
do comércio.