| Região |
A
reforma administrativa foi motivo de protesto pacífico
na última sessão da Câmara, na segunda-feira,
14, mas o servidor Wanderlei Mendes Rodrigues foi transferido
de setor depois de segurar faixas no plenário do legislativo.
Na terça-feira ele foi chamado ao Departamento de Recursos
Humanos e informado que seu comissionamento no Juizado de Menores
no fórum havia terminado. Teve que se apresentar ao antigo
cargo de pintor na Secretaria de Obras. Ele vai ficar à
disposição do Departamento de Trânsito para
fazer a sinalização.
Vão alegar que não, mas está na cara
que foi represália. Estamos em um país democrático
e esse tipo de atitude não deveria existir, mas ocorreu
na gestão de Toshio, declarou Rodrigues.
As faixas feitas em cartolina diziam que a reestruturação
foi uma injustiça ao servidor e que a data-base
deveria ser respeitada. O servidor afirma que não é
contra o projeto da reestruturação, mas discorda
da falta de discussão e do reenquadramento dos funcionários.
Quero saber se vão tirar os servidores em desvio
de função e mandá-los para o setor de origem,
disse Rodrigues. Ele estava emprestado ao Poder Judiciário
desde 2001. O servidor disse que se apresentou ao diretor de Trânsito,
Francisco Hial na manhã de quarta-feira. Fui bem
recebido na nova repartição, só discordo
da forma como foi feita a transferência devido a um protesto
que é direito de qualquer cidadão fazer, declarou.
Por temer retaliação, Silvia de Lourdes Nascimento
Pontes, mulher de um servidor da prefeitura, decidiu dar entrevista
no lugar do marido para protestar contra a reestruturação.
Segundo ela, o marido tem 15 anos de prefeitura e teve um reajuste
de R$ 20, enquanto para um irmão com três anos de
casa o aumento chega a R$ 170. Para ela, a transferência
de Rodrigues é assédio moral. Que
democracia é essa em que não se pode protestar?
O prefeito brinca com o funcionalismo, porque a reestruturação
foi prometida para melhorar as condições de trabalho,
incentivar o servidor a estudar e dar aumento gradativo na grade
salarial. Nada disso ocorreu.
Para Silvia Pontes, a prefeitura impôs a reestruturação
somente para o funcionalismo acatar. Ela reclama também
da justificativa do Departamento Pessoal de que a reestruturação
foi feita pelo Ibam e não teve participação
de funcionários da prefeitura. A prefeitura foi prejudicada
como consumidora. Ela gastou dinheiro na contratação
desse entidade que só deu prejuízo ao servidor.
Segundo ela, o prefeito não leu Maquiavel, escritor clássico:
O ódio de um povo é a destruição
de um líder.
A prefeitura negou à reportagem que o servidor Wanderlei
Rodrigues fora transferido porque estava participando do protesto
na Câmara. A assessoria alega que houve coincidência,
mas já era previsto chamar os servidores para retomarem
as suas funções após a reestruturação.