• Região
Candidatos gastam pouco no início da campanha

OURINHOS — Levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que ‘pratas da casa’ investem pouco nesse início da disputa eleitoral



Gasto com aluguel de comitê é uma das despesas de Robson Martuchi Os gastos dos candidatos a deputados da região têm sido baixo na atual campanha eleitoral, apesar de superstimarem as despesas em valores que variam de R$ 300 mil a R$ 3 milhões. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou no seu site uma relação de candidatos com a primeira prestação de contas.
Os números mostram que por enquanto não há muitos recursos financeiros disponíveis, mas os candidatos adotaram a estratégia de concentrar os gastos nos 40 dias que antecedem o pleito.
Pelo levantamento, só a candidata a deputada estadual do Prona de Ourinhos, Larissa Figueira, gastou R$ 6.110. É a maior quantia em comparação a seus concorrentes em Ourinhos até julho. No restante de seus concorrentes a despesa não ultrapassava de R$ 400 a R$ 1 mil. O candidato do PT, Antonio Amaral, tinha R$ 1 mil depositado em dinheiro e alegou não ter gasto nada até o início do mês. Robson Martuchi gastou R$ 1.422,90 em locação e cessão de imóveis. O candidato peemedebista José Claudinei Messias (PMDB) alegou que não havia receita e nem despesa. Ele inaugurou seu comitê eleitoral na semana passada, quando será contabilizada a despesa na segunda prestação de contas.
O candidato a deputado federal Silvonei Rodrigues (PSDC) só gastou R$ 400 em publicidade e José Augusto Rosa (PV) informou à justiça eleitoral que havia R$ 6.150 em dinheiro e receita de recursos de origem não identificada de R$ 7.150. A despesa no início da campanha tinha sido de R$ 240. O gasto de Helio Migliari (PSDB) não constava na lista.
Dos candidatos procurados pelo jornal, José Claudinei Messias (PMDB) justificou que sua campanha se iniciou efetivamente em 11 de agosto, mas será pautada pelo “uso racional de recursos”. Sobre as restrições da atual legislação eleitoral, Messias afirma que não atrapalham a campanha. “A meu ver as mudanças deveriam ser ainda mais ousadas, passando inclusive pelo financiamento público das campanhas”, declarou. Para ele, as mudanças implementadas já melhoraram a disputa, inclusive no visual mais “limpo” das cidades”.
Robson Martuchi (PV) diz que vai usar a criatividade, gastar “muita sola de sapato e conversa” para contornar a falta de recursos financeiros. Sobre a dificuldade de disputar contra os políticos tradicionais, ele diz que isso só ocorre para aqueles candidatos que não têm projetos ou possuem recursos financeiros, mas não poderão utilizá-los como em outras campanhas, devido às restrições impostas pela lei em vigor.
Ele apóia as novas regras por acreditar que a campanha ganha em qualidade, sem poluição visual e abuso do poder econômico. “Acredito que em futuras eleições essas restrições possam ser ainda mais rígidas e abrangentes”, disse. Martuchi acredita que não vai gastar mais de R$ 20 mil.
Para o candidato a deputado federal, Silvonei Rodrigues, o Esquilo (PSDC), a verdadeira campanha eleitoral é sem os gastos milionários. “É a forma mais tradicional e de maior respeito ao eleitor, pois vale o convencimento, o contato pessoal e a exposição dos argumentos de cada candidato, sem os artifícios de um marqueteiro e de campanha publicitária milionária”, declarou o candidato, que também é vereador em Ourinhos.
Na opinião de Esquilo, as restrições não atrapalham e deixam a disputa eleitoral mais justa. “O que preocupa é o pagamento de cabos eleitorais, que é difícil a Justiça Eleitoral controlar os candidatos sem escrúpulos. Eles podem abusar desse artifício, comprando apoio e votos”, declarou. Ele disse que já gastou até o momento R$ 2.280.
O coordenador da campanha de Larissa Figueira, João Felicio Figueira, declarou que usa a criatividade para superar a falta de recursos na campanha. Ele estima gastar de R$ 50 mil a R$ 100 mil até a eleição. “Pelo visual da minha campanha é para custar mais de R$ 300 mil, mas não vai chegar a essa quantia”, comentou.
Ele diz que tem conseguido baratear a campanha comprando alguns materiais de publicidade em grande escala. Figueira diz que preferiu espalhar sua publicidade pela cidade em lugar de concentrar outdoor grande na porta do comitê.
O candidato a estadual de Santa Cruz do Rio Pardo, Luciano Severo (PSC), diz que aposta na “consciência” do eleitorado para conquistar votos. Na opinião dele, as restrições de lei eleitoral beneficiam os candidatos que não têm tanto recursos para gastar. “Se fosse pela lei anterior, seria desproporcional disputar o pleito”. Até o momento ele gastou cerca de R$ 20 mil. A reportagem não conseguiu ouvir Antonio Amaral (PT) e Helio Migliari (PSDB).