• Região

Vereadores e ex-secretária rebatem prefeito

IPAUSSU — Contestação é sobre acusação de perseguição pessoal à secretária de Educação



O vereador Roberto Guidio Tiririca Perez (PP) rebateu o prefeito CrucaO presidente da Câmara de Ipaussu, Luiz Carlos Souto (PTB), contestou o prefeito de Ipaussu, Paulo Sergio Corrêa Leite (“Cruca”), da acusação de perseguição pessoal por alterar a lei municipal para exigir o curso de Pedagogia para a titular da Secretaria de Educação. ‘‘A escola Analise Marquese foi mal avaliada, por isso decidimos exigir qualificação do cargo de secretária”.
Quem ocupa a função de secretária municipal de Educação é a psicóloga Roseli Pestana, mulher do prefeito tucano. Cruca alegou que ela não pode ser responsabilizada pelo fraco desempenho da escola municipal na Prova Brasil, porque estava no cargo há pouco tempo, mas atribui a dois ex-secretários de Educação — Homero Mastrodomenico e Fatima Galvanin — a responsabilidade pelo desempenho.
Souto disse que não concorda com o fato do prefeito jogar a responsabilidade nos secretários que passaram no cargo, principalmente Homero Mastrodomenico. “Ele é um exemplo para a educação de Ipaussu. É um ícone nessa área na cidade. O prefeito tentou limpar a pele da namorada. É nepotismo indicá-la em cargo de confiança. A função dela deveria ser de primeira-dama”.
Souto também rebate a acusação do prefeito de que um grupo de 90 professores assinaram um documento pedindo a permanência da secretária no cargo. “Assinaram o documento porque, se não concordarem, podem ser perseguidos pelo prefeito. Funcionário algum vai se recusar a assinar um documento que atenda a interesses do prefeito”.
O presidente da Câmara admite que errou em 2001, quando ele e mais um grupo de vereadores votaram a favor de retirar a obrigatoriedade do curso de Pedagogia para o titular de secretário de Educação. “Demos uma carta branca ao prefeito e jamais esperávamos que o cargo fosse loteado com a namorada do prefeito. Não é pessoal; apenas estamos corrigindo o que estava errado”.
O vereador Roberto Guidio Tiririca Perez (PP) rebateu também o tucano. O prefeito Cruca o acusou de ter ameaçado derrubar a secretária do cargo, após desentendimentos com Roseli Pestana, de quem é parente.
O parlamentar do PP diz que o prefeito quer envolvê-lo numa acusação da qual não tem culpa. Ele nega que queira derrubar a secretário do cargo por retaliação. “O prefeito quer transformar em problema político, mas é de competência. Com certeza ela não tem competência para dirigir a Educação em Ipaussu”.
Tiririca lembrou que quando havia um projeto de lei na Câmara para reduzir o salário dos secretários municipais, o prefeito telefonou na sua casa, pedindo para não aprovar essa lei, porque prejudicaria a secretária de Educação. “Eu atendi e votei contra a redução. Isso prova que eu não estou perseguindo a secretária, mas não tem fundamento a declaração do prefeito que a secretária ganha só R$ 300 a mais para ocupar o cargo”. Roberto Tiririca afirma que defendeu a secretária em 2004, quando os vereadores José Joaquim dos Santos Neto (“Guaíra”) e Luiz Carlos Souto denunciaram pagamento de hora-extra indevida a Roseli Pestana.
O vereador disse que ninguém quer estudar na escola pública de Ipaussu devido à má qualidade do ensino. “O filho do vice-prefeito Antonio Carlos Vieira e do vereador Marquinhos Caldeirão estudam em escola particular. Isso demonstra que não confiam no ensino municipal. Defendem a secretária, mas não matriculam o filho na escola municipal. Quero qualidade de ensino para a escola municipal, porque dinheiro não está faltando nessa área da administração. No orçamento do ano passado, sobraram R$ 570 mil em caixa. Poderia ter investido em reciclagem de professor e dar um reforço para os alunos”.
Tiririca diz que o prefeito está fazendo “terrorismo” com os alunos ao ameaçá-los de perder o ano letivo devido à dificuldade do prefeito aprovar leis na Câmara depois da municipalização da escola Júlio Mastrodomenico. “Ele municipalizou a escola no meio do ano, sem dialogar com os vereadores. Agora virou essa confusão e ele passou a acusar a Câmara”.
A ex-secretária municipal de Educação de Ipaussu Maria de Fátima Cardoso Ferreira Galvanin contesta o prefeito de Ipaussu por tirar a responsabilidade da atual secretária no fraco desempenho na Prova Brasil da escola Analia Marquese, atribuindo aos secretários que antecederam na Educação.
Segundo ela, no final de 2002, numa avaliação feita pela Diretoria Regional de Ensino em 11 municípios, constatou-se que Ipaussu estava dentro da média. Pelos dados a média parcial foi 72,51 — a da escola Analia Marquese 67,23 e Amador Bueno 70,87. “São números que mostram que o ensino municipal não estava ruim, apesar de ser um levantamento somente regional”.
Para Fátima, jogar responsabilidade nos secretários anteriores é uma tentativa de isentar a atual secretária Roseli Pestana de qualquer culpa. “Qualquer pessoa de bom-senso assumiria a responsabilidade que o ensino vai mal e tomaria as medidas necessárias para reverter o quadro”, disse ex-secretária.
Para ela, o problema é do atual sistema educacional num todo. “A culpa não é só da secretária, mas todos são vítimas: aluno, comunidade e administração. O que contesto é a omissão e a falta de providências. Não adianta ficar arrumando culpados”, afirmou.