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ESCÂNDALO DO ITBI
Os oito volumes do inquérito policial que provocou o indiciamento
do prefeito já chegaram à Procuradoria Geral de
Justiça de São Paulo
Já
está na Procuradoria Geral de Justiça, órgão
máximo do Ministério Público paulista, o
inquérito policial que apurou corrupção no
caso ITBI. Os autos foram remetidos a São Paulo na semana
passada. O inquérito presidido pelo delegado Amarildo Leal,
da Delegacia Seccional de Ourinhos, culminou no indiciamento do
prefeito Adilson Donizeti (PSDB) por corrupção passiva,
do empresário Francisco Falavigna por corrupção
ativa e de mais 5 pessoas por falsidade ideológica, sendo
quatro servidores do atual governo. Estas últimas teriam
mentido à polícia na tentativa de inocentar o prefeito.
Adilson Donizeti é acusado de ter recebido propina de R$
30 mil do empresário Francisco Falavigna, beneficiado em
2004 com a isenção milionária de ITBI na
compra de uma fazenda. Se condenado, ele estará sujeito
à pena de 1 a 8 anos de cadeia. Já os servidores
públicos estão sujeitos à pena de até
3 anos de reclusão, mas podem se retratar perante a autoridade
policial, antes da sentença judicial, conforme prevê
a legislação em vigor.
O inquérito passou pelo fórum de Santa Cruz do Rio
Pardo antes de seguir para o TJ, quando o promotor da Cidadania,
Silvio da Silva Brandini, requisitou cópias para instruir
uma ação civil pública que será proposta
contra o prefeito Adilson Donizeti (PSDB), por improbidade administrativa.
Este tipo de ação independe do processo criminal
e vai reivindicar o ressarcimento aos cofres municipais do prejuízo
que a isenção de ITBI ao empresário Francisco
Falavigna causou aos cofres municipais. No entanto, o promotor
pode pedir o afastamento do prefeito. Na última sexta-feira,
Brandini informou que levou cópia do inquérito para
casa, quando vai estudar a ação pública a
ser ajuizada.
Nas próximas semanas a Procuradoria de Justiça de
São Paulo vai analisar o inquérito e pode pedir
diligências suplementares ao delegado Amarildo Leal, se
o Ministério Público considerar necessárias.
Caso contrário, é praticamente certo que a Procuradoria
deve denunciar o prefeito Adilson Donizeti ao Tribunal de Justiça,
pelo crime de corrupção. Está praticamente
descartada a hipótese de arquivamento do processo.
Se isto ocorrer, o prefeito de Santa Cruz corre o risco de ser
afastado do cargo quando a denúncia for aceita pelos desembargadores
do TJ. É que um dispositivo da Lei Orgânica Municipal
prevê este afastamento provisório, de seis
meses e não foi derrubado pela Justiça em
ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo
prefeito. A Adin foi apresentada em maio, quando o procurador
Roque Lombardo, da divisão de Crimes de Prefeitos da Procuradoria
Geral de São Paulo, anunciou que o prefeito de Santa Cruz
seria indiciado. No entanto, o desembargador Celso Limongi, presidente
do TJ, não acolheu o pedido de liminar para suspender o
dispostitivo. O procurador jurídico da prefeitura, Antônio
Manfrin Júnior, pediu reconsideração, novamente
negado. Nada há para ser reconsiderado, despachou
o presidente do tribunal, explicando que não havia perigo
de lesão irreparável ou de difícil reparação.
O prefeito ainda tentou um agravo regimental, mas o TJ negou provimento
em julgamento realizado no início do mês.
Através da equipe de advogados do criminalista José
Roberto Batochio, o prefeito de Santa Cruz também tenta
anular o inquérito do ITBI no Superior Tribunal de Justiça,
onde impetrou um habeas corpus. Há duas semanas o pedido
de liminar foi negado pelo ministro Arnaldo Esteves Lima, para
quem não há ilegalidade aparente no inquérito
policial. Donizeti apresentou dois pedidos de reconsideração
do despacho, que ainda não foram analisados pelo ministro.
Emenda Na Câmara Municipal também tramita
uma emenda à Lei Orgânica, apresentada pelo prefeito,
que tenta retirar da LOM o dispositivo que prevê o afastamento
do prefeito em caso de denúncia ao Tribunal de Justiça.
A emenda foi aprovada em primeiro turno, mas a bancada de oposição
mudou de opinião após consultar juristas e constatar,
em tese, que não existe inconstitucionalidade no dispositivo.
Assim, é provável que a emenda seja rejeitada em
setembro, já que a votação final foi adiada
no primeiro semestre.
Hoje, em tese, o prefeito possui 5 vereadores fiéis
Roberto Marsola (PTB), José Celso Locali (PSDB), Manoel
Carlos Manezinho Pereira (PTB), Antônio Ferreira de Jesus
(PFL) e Leandro Mendonça (PSDB) , mas a emenda à
Lei Orgânica só é aprovada com o voto de seis
parlamentares. Além disso, o governo já não
contaria com o apoio incondicional de Leandro Mendonça
(PSDB), que desde o indiciamento criminal de Adilson Donizeti
vem defendendo o afastamento do prefeito do partido.
Surpresa Na sessão de segunda-feira,
21, a Câmara aprovou requerimento de Rui Reis (PV) pedindo
à Delegacia Seccional de Ourinhos informações
sobre o andamento do inquérito do ITBI. Na verdade, o requerimento
fora apresentado antes do indiciamento criminal do prefeito, mas
não pôde ser votado em sessões anteriores.
Em contrapartida, o líder do governo José Celso
Locali (PSDB) apresentou outros dois requerimentos também
aprovados por todos os vereadores solicitando ao Ministério
Público informações sobre o andamento de
outros dois inquéritos. Um deles envolve o presidente da
Câmara, Edvaldo Godoy (PPS), e o ex-presidente da CPI do
ITBI, Jorge Araújo (PFL), investigados por terem autorizado
gastos com viagens durante a Comissão Processante. Os gastos
foram feitos para notificar testemunhas arroladas pelo prefeito
Adilson Donizeti, com endereços em Belo Horizonte, São
Paulo e Brasília. Outro inquérito em andamento apura
possível distribuição de alimentos vencidos
por parte do vereador Rui Reis (PV).
Locali, aliás, ocupou a tribuna para explicar seus requerimentos
e chegou a cometer um ato falho, quando disse que
o inquérito do ITBI tramitou mais rápido do
que nós podíamos imaginar. Nesse sentido,
ele disse esperar que os outros inquéritos, que envolvem
oposicionistas, também tenham uma tramitação
rápida.
O vereador Jorge Araújo (PFL) disse que aprovaria os requerimentos
de Locali com a maior tranqüilidade, lembrando
que a CPI do ITBI fez um trabalho sério. Jorge,
entretanto, alertou que faltava no requerimento a informação
sobre os gastos do prefeito com sua defesa na CPI. Também
houve despesas com 7 advogados contratados pelo prefeito e que
custaram dinheiro público, disse Araújo, lembrando
que representou ao Ministério Público pedindo investigações
sobre as despesas. Durante a Comissão Processante, o prefeito
pagou R$ 60 mil dos cofres públicos ao jurista José
Nilo de Castro, de Minas Gerais.