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LEGISLATIVO Governo
queria criar 8 cargos, mas nenhum foi aprovado
A
Câmara de Santa Cruz do Rio Pardo rejeitou, por unanimidade,
na sessão de segunda-feira, 21, a criação
de quatro cargos de oficiais administrativos e adiou a discussão
sobre a criação de mais três cargos de agentes
tributários e de um ouvidor de serviços públicos.
A tendência, no entanto, é que esses outros cargos
também sejam rejeitados pelos vereadores.
O cargo de ouvidor já tinha endereço certo. O servidor
José Luiz Ferreira, que trabalha no setor de protocolo,
seria o indicado pelo prefeito caso o projeto fosse aprovado.
Ele acompanhou a sessão, ao lado do ex-vereador Luiz Besson
(PSDB) e do assessor jurídico da prefeitura Dorival Parmegiani.
Pressentindo a rejeição do projeto, o vereador Roberto
Mariano Marsola (PTB) fez lobby a favor da proposta. Na cozinha
da Câmara, num dos intervalos da sessão, chamou Jorge
Araújo (PFL) num canto e fez um apelo: Ele (o indicado)
tem duas crianças e precisa melhorar o salário,
confidenciou. Então peça vista porque, se
for votado, o projeto será rejeitado, explicou Jorge.
O DEBATE apurou que José Luiz Ferreira seria o indicado
para o cargo de diretor de patrimônio, promessa que teria
sido feita a ele pelo prefeito Adilson Donizeti. No entanto, em
junho a vaga foi ocupada pela namorada do vereador José
Celso Locali, Rosângela Di Angelo, o que teria descontentado
José Luiz. O prefeito, então, resolveu criar o cargo
de ouvidor para acomodar o servidor. O projeto, por exemplo, prevê
como requisito para assumir o cargo conhecimentos específicos
na área e diz que o ouvidor atuaria para ouvir
e registrar as críticas, reclamações, denúncias
e sugestões dos cidadãos. José Luiz
atua hoje no setor de protocolo, onde recebe e registra exatamente
críticas, sugestões, denúncias e requerimentos
diversos.
O governo ainda tentou salvar a criação
do cargo de ouvidor. O vereador José Celso Locali (PSDB)
pediu a suspensão da sessão por alguns minutos para
discussão da proposta. Com a oposição irredutível,
o vereador Roberto Marsola acabou pedindo vista do projeto, adiando
sua votação para a próxima sessão.
Rui Reis (PV) foi o único que votou contra o adiamento.
Já o projeto que previa a criação de 4 cargos
de oficiais administrativos foi rejeitado por unamidade. Até
a bancada governista foi contra a proposta do prefeito Adilson
Donizeti.
A Câmara ainda adiou, por 3 sessões a pedido
do vereador Leandro Mendonça (PSDB) outro projeto
que previa a criação de 3 cargos de agente tributário
de fiscalização. A proposta só voltará
a ser discutida em outubro.
Queda na receita No dia seguinte, em entrevista à
rádio Morena FM, o vereador José Celso Locali (PSDB)
admitiu que a situação financeira da prefeitura
não é das melhores e, por isso, foi contra a criação
dos cargos de oficiais administrativos. Ele admitiu que a prefeitura
está sofrendo uma forte queda de arrecadação,
com a redução dos repasses do governo estadual.
A receita caiu muito e há previsão de uma
queda maior ainda neste ano. Assim, se houver criação
de cargos talvez depois tenha de haver demissões,
explicou o tucano. No entanto, Locali disse que alguns cargos
em discussão são necessários. Mas diante
das circunstâncias nós não podemos autorizar
estes novos cargos, disse o vereador governista.