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URBANISMO Leitura
integrada dos pontos levantados pela população aponta
o rio como fator de identidade do município e a preocupação
com o assoreamento
A
importância do rio Pardo para a identidade de Santa Cruz
do Rio Pardo e sua utilização como meio de incentivo
ao desenvolvimento sustentável do município foram
os pontos mais debatidos na segunda audiência pública
de elaboração do Plano Diretor (PD). A reunião
foi realizada na sede da Adefis na noite de terça, 22,
com a presença de 83 munícipes.
O Plano Diretor é um conjunto de resoluções
que determinam o crescimento da cidade e estabelecem a função
social de cada área, a fim de eliminar os conflitos de
uso do solo urbano. O documento também estabelece medidas
para evitar que o desenvolvimento prejudique o meio ambiente.
As audiências são importantes porque a elaboração
do PD exige a participação popular na identificação
das necessidades e das características da cidade. Para
que passe a valer, o documento precisa ser aprovado pelos vereadores
e sancionado pelo executivo. O prazo termina em outubro deste
ano. A audiência marca o início da terceira etapa
de elaboração do PD, na qual serão buscadas
soluções para os problemas da cidade. No total,
o programa prevê cinco etapas.
Segundo o arquiteto e urbanista Eduardo Araújo Silva, da
Teia - Casa de Criação entidade
que presta assessoria para a prefeitura na elaboração
do PD , alguns problemas foram identificados com relação
ao rio Pardo: há ocorrência de assoreamento em algumas
áreas, além de eutrofização ocasionada
pelo despejo de esgoto in natura e pela proximidade da área
urbana à margem direita do rio. E isso é um
problema, porque são ocupações permitidas
em tempos passados, quando a preocupação com o desenvolvimento
sustentável não era grande, avalia o arquiteto.
Para ele, o rio deve ser aproveitado sustentavelmente (sem degradação)
e por toda a cidade, mas isso demanda um processo de educação
ambiental. Segundo a equipe do PD, o rio é parte importante
da identidade local, mas nem sempre a população
dá conta disso. Quem vem de fora, fica impressionado
com um rio como esse passando pela cidade, mas os munícipes
já estão acostumados e só lembram dele principalmente
por ocasião da corrida de bóia, afirma o arquiteto
de São Carlos.
O Plano Diretor é exigido para municípios acima
de 20 mil habitantes desde a elaboração da Constituição
Federal, em 1988. Entretanto, poucas cidades tinham as diretrizes
aprovadas. Em 2001, o Estatuto das Cidades exigiu que toda cidade
acima de 20 mil habitantes elabore seu PD em cinco anos
o prazo se encerra em outubro.
Araújo acredita que a obrigatoriedade imposta foi determinante
para que os documentos fossem elaborados em todo o país.
Ele cita como exemplo a Constituição de São
Paulo, que exige PD para todas as cidades, mas não estabelece
datas e a norma é desrespeitada por cidades menores. Eu
acredito que todas elaborarão o PD somente quando for exigido,
opina.