| Cidade |
RECLAMAÇÃO
Operador de máquina quer um remédio para
dor que possibilite trabalhar, mas precisa de exame com especialista
em coluna
A demora na saúde pública
está punindo o operador de máquina Sérgio
Vitorino, 43. Com dores crônicas nas costas, ele foi encaminhado
pelo ortopedista do Centro de Saúde José Carqueijo,
na avenida Tiradentes, para exames com um especialista em problemas
de coluna e solicitou retorno para 90 dias. Entretanto, Vitorino
reclama que o retorno foi marcado para fevereiro do próximo
ano e ele sequer tem idéia de quanto tempo vai demorar
para conseguir os exames.
Segundo Vitorino, as dores nas costas começaram há
cerca de três anos. O médico já descobriu
que ele tem bico-de-papagaio, bursite e esporão. O sobrepeso
e o trabalho repetitivo na máquina de uma fábrica
de sapatos ajudam a piorar as dores. Nos finais de semana, para
evitar de ficar parado em casa, ele atua como voluntário
no programa Escola da Família na Escola Estadual Tomaz
Ortega Garcia.
A última consulta com o ortopedista do Centro de Saúde
foi realizada na terça-feira, 1º de agosto. O
médico me disse que não conseguia identificar o
motivo das dores e me encaminhou para exames fora da cidade. Enquanto
isso, me orientou a tomar remédio para dor e voltar em
90 dias para ver se estava dando resultado, explica Vitorino.
No mesmo dia, Vitorino procurou o agendamento do posto de saúde
para encaminhar seu exame, mas só voltou dias depois para
marcar o retorno ao ortopedista do posto. Foi aí que começou
sua revolta. Eles disseram que só poderiam marcar
o retorno para fevereiro e que iria entrar numa longa fila de
espera para conseguir os exames fora de Santa Cruz, conta
Vitorino.
Ele afirma que não pretende pedir afastamento do serviço
pelo INSS porque acredita que o médico do instituto estatal
não permitirá que ele fique encostado.
Pelo que sei, os médicos do INSS estão liberando
todo mundo, conta. Ele afirma que também não
pretende se afastar da firma para a qual trabalha há 20
anos. Tudo o que quero é um remédio que permita
que eu trabalhe sem dor. Não peço nada além
de um medicamento para dores na coluna, reivindica. Vitorino
conta que chega a tomar um tubo de Paracetamol em dois dias. É
a única coisa que alivia a dor, mas são 50 gotas
por vez, a cada seis horas, explica.
Sobre a demora para o retorno, ele reclama da pouca quantidade
de médicos ortopedistas que a prefeitura mantém
em seus quadros. Há algum tempo, eram três.
E agora, por que só tem um? A saúde pública
do município está regredindo, dispara Vitorino,
que afirma ter consultado, em tempos passados, mais de uma vez
no mesmo mês com ortopedistas do posto. O atendimento
era ótimo naquela época, reconhece. Para ele,
a demora para o retorno é demasiada. Mesmo que eu
tivesse atrasado 20 dias, não teria passado tanta gente
na minha frente para jogar o retorno para daqui a sete meses,
lamenta o operador de máquinas.
Ele também reclama da demora para ser encaminhado para
outras cidades. Por que não me mandam para Campinas?,
questiona. Ele conta que, há alguns anos, teve um problema
de ouvido e não conseguia ser encaminhado a partir de Santa
Cruz. Eu mesmo liguei para Campinas e consegui uma consulta.
Em três meses, fui operado duas vezes, recorda. Para
ele, a prefeitura não quer enviá-lo para outras
cidades porque teria que bancar a viagem e, como é
hipertenso, precisa ir sempre acompanhado.
Demora não é culpa da prefeitura, afirma enfermeira