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PAIXÃO Automóvel
antigo foi reformado como relíquia pessoal
de Marcos Adelino Pichinin; restauração levou 10
meses e consumiu R$ 10 mil
Uma promoção cultural
realizada pela rede de postos de combustíveis Confiança,
de Santa Cruz do Rio Pardo, vai presentear o ganhador com um fusca
modelo 1970 totalmente reformado. O veículo, comprado por
R$ 1,2 mil, consumiu 8 vezes mais dinheiro para ser recuperado.
Segundo o sócio-proprietário da rede, Marcos Adelino
Pichinin, o Ju, a promoção faz parte das comemorações
dos 50 anos da empresa. O primeiro Confiança foi fundado
em 1957 por João Ortega, seu sogro.
O fusca, que será sorteado somente em 30 de dezembro, foi
comprado como relíquia pessoal. A idéia de
sorteá-lo surgiu devido ao grande número de elogios
que o automóvel recebia após a reforma, conta
Ju. Liane Ortega Garcia Pichinin, esposa do proprietário,
conta que o veículo foi comprado no início de 2005.
A cor original era bege e o veículo estava em péssimo
estado. A reforma do fusca 70 levou quase dez meses e consumiu
cerca de R$10 mil. Os consertos foram feitos em uma funilaria
de Santa Cruz. As peças originais de um fusca antigo
são difíceis de ser encontradas. Por isso demorou
tanto tempo, avalia Ju.
A idéia do proprietário era deixar o automóvel
com todas as características da época de lançamento,
mas com aspecto de carro novo. Queria tudo original, desde
o motor até os frisos brancos da porta, explica.
Muitas das peças só foram encontradas em outras
cidades da região e, algumas, somente sob encomenda. O
volante, que deveria ser idêntico ao original conforme a
vontade do proprietário, não foi encontrado em nenhuma
loja especializada. A direção do carro foi
presente de um amigo meu, conta Jú.
Na impossibilidade de encontrar alguns dos acessórios originais,
Ju e Liane optaram por substituí-los por peças quase
idênticas. O tecido dos bancos, por exemplo, é
igual ao original de fábrica, relata Liane. A pintura
do fusca, embora não seja sua cor original, também
é idêntica a veículos fabricados no mesmo
ano. Optei pela cor cereja porque é mais viva, mais
bonita. Em 1970, existiam muitos fuscas nesta cor, explica
o proprietário.
A paixão de Jú Pichinin por transformar veículos
antigos em relíquias do automobilismo vem de
longa data. Ele conta que já reformou outros veículos,
como caminhões e carretas. Mas, de todas as restaurações,
a do fusca foi a maior que fiz, conta. O próximo
automóvel a ser recuperado será uma caminhote modelo
1980, de cor branca. Pretendo reformá-la do mesmo
jeito que fiz com o fusca, mantendo as características
originais, disse.
Restauração Muitos automóveis antigos
já sairam de cara nova da oficina de Miguel Mendes, um
expert do gênero em Santa Cruz. O funileiro Miguel Mendes
Júnior, filho do proprietário, conta que há
20 anos fuscas entravam e saíam da oficina diariamente.
Eram reformas simples, como se faz em carros populares hoje
em dia, relata. Hoje, a reforma completa de um automóvel
leva meses ou anos de trabalho.
Segundo Miguel Júnior, embora muitas pessoas tenham vontade
de ter uma relíquia, poucos automóveis são
reformados. Não compensa comercialmente. Em um carro
de R$ 2 mil, os gastos chegam a R$10 mil. É um trabalho
apenas para colecionador, avalia. Mendes está reformando
um fusca próprio, modelo 1962. É um trabalho
minucioso. O que o encarece é a mão de obra,
disse Mendes.