Marcelo Picinin

Mês do cachorro louco

ARTIGO


Marcelo Picinin
Da Equipe de Colaboradores

Não se matam pardais com canhões. Assim, se prevalecesse a verão imperial sobre o indiciamento por CORRUPÇÃO, não haveria necessidade de gastar tanto papel com inúmeros recursos nem tanto dinheiro com dezenas de advogados para tentar reverter a constrangedora situação em que se encontra o monarca.
Para a realeza, o indiciamento por CORRUPÇÃO seria apenas uma espécie de coleta de dados, sem nenhuma conseqüência grave. O desdém postiço com que trata o caso poderia indicar que o imperador não estaria preocupado com a oficialização da acusação que contra ele pesa. Mas, se assim fosse, por que então tanta briga judicial em cima de algo tido como de somenos importância?
A culpa pelo episódio, logicamente, sempre vai ser atribuída aos outros. Como ficaria constrangedor acusar o delegado, bem como seria impossível desmentir a tecnologia telefônica, basta pôr a culpa no calendário: agosto realmente é o mês do cachorro louco. No mês consagrado a outro imperador (Otávio Augusto), o suserano-mor teve aquele que talvez tenha sido o maior revés de sua auspiciosa carreira político-profissional. Só para registro: também foi em agosto (de 2004) que a isenção de ITBI foi concedida. Simples coincidência?
Se a presteza política do monarca permitiu-lhe livrar-se de problemas políticos (leia-se Comissão Processante e afins), o mesmo não se pode dizer do tal indiciamento por CORRUPÇÃO. No caso, o imperador está um tanto quanto impossibilitado de usar os poderes excepcionais que lhe confere o seu AI-5 particular (o grupo de edis da situação). A tchurma bem que conseguiu livrá-lo de alguns problemas, mas essa maioria parlamentar “espontânea” não tem autoridade para engavetar as investigações realizadas na delegacia de polícia.
Se culpar o mês de agosto for demais, talvez possa o todo-poderoso lançar sua ira contra o Super 15, que, afinal, como super-herói que é, bem que pode ter colaborado para elucidar o caso dos telefonemas misteriosos e das declarações paraguaias. Talvez a artilharia imperial possa ter no paladino das tarifas baixas o alvo certo para tanta munição.
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Relógio da liberdade: Se o Super 15 não aprontar outra, faltam 857 dias para o fim da monarquia.