| Coluna de João José Corrêa |
João José Correa
Da Equipe de Colaboradores
Quando Louis chegou do Líbano,
ainda menino, só falava o francês; o filho de nossa
amiga Terezinha Andrade, e pai libanês, foi aluno de dona
Alba Salemme, no grupo escolar.
Inteligente, logo se enturmou.
Certo dia a classe foi incumbida de fazer um Desenho Livre.
O trabalho teve de tudo casas, flores, pássaros,
motos, e crianças brincando...
O desenho do libanês chamou a atenção da professora,
que o guardou por toda a vida; Louis desenhou uma cidade, em guerra
casas em ruínas, bombas caindo de aviões,
cruzes e mais cruzes!...
Esta foi a imagem triste que um triste menino trouxe do Líbano,
para Santa Cruz.
Anos e anos se passaram e as terras libanesas continuam sofrendo
os horrores de ataques, numa guerra sem fim. E revidando os ataques
com a mesma insensatês de todas as guerras!
Dona Alba passou sem que a paz reinasse no Oriente Médio.
Em meio a seus guardados de lembranças de alunos especiais,
o desenho de Louis!...
Até quando os homens vão causar traumas, pesadelos
e sofrimentos a pobres e inocentes crianças de todo o mundo,
quando se envolvem em conflitos através da força?
Até quando irmãos vão se destruir disputando
espaços que devem ser de todos, igualmente?
Até quando histórias como a do Louis, o libanês?
Ou de garotos israelense, iraquianos apenas pobres inocentes?
Desejo que não seja para sempre.
Seria insensatês demais!...
Já é tempo de o homem entender que, em guerras,
não há vencedores e os louros das conquistas não
valem o tanto que pagamos para alcançá-los.