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Vereador de Ipaussu acusa prefeito de retaliação

IPAUSSU — Roberto Florêncio (PFL) diz que presidente da Ummes, Paulo Sergio Corrêa Leite, influenciou na rescisão do contrato do vereador



O vereador Roberto Florêncio (PFL) garante que foi vítima de retaliação
O vereador Roberto Florêncio (PFL) acusou o prefeito de Ipaussu, Paulo Sergio Corrêa Leite, o “Cruca” (PSDB), de retaliação. O parlamentar pefelista teve o contrato de prestação de serviço que mantinha com o Consórcio Intermunicipal de Máquinas Agrícolas (Cima/Ummes) rompido na última semana, após a repercussão de uma lei que contrariou o tucano.
O pefelista recebia R$ 1,7 mil por mês desde janeiro deste ano — R$ 1,1 mil fixo e mais uma gratificação calculada por quilometragem. O vereador era encarregado da administração e do controle do uso das máquinas pertencentes à Ummes, entidade que congrega 12 municípios, presidida pelo prefeito de Ipaussu.
A advogada da entidade, Ana Paula Stramandinolli, justificou “contenção de despesa” para o rompimento do contrato na última terça-feira, 22, segundo Florêncio. O pefelista rebate, dizendo que o contrato foi rescindido por ele votar a favor do projeto de lei que obriga curso de Pedagogia à titular da Secretaria de Educação de Ipaussu. A medida vai provocar a demissão da namorada do prefeito, a psicóloga Roseli Pestana. Ela não tem o curso de Pedagogia e o prefeito terá que demiti-la.
O pefelista diz que a ordem — para suspender o contrato — partiu do presidente da Ummes, Paulo Sergio Corrêa Leite. Florêncio baseia isso num recado que teria recebido do prefeito de Bernardino de Campos, Moacir Benetti, de que Cruca o demitiria se votasse a favor do projeto da oposição. Para o pefelista, o recado foi uma ameaça antes de ocorrer a votação, que se consumou na última semana.
O vereador diz que sua demissão não foi contenção de despesa da Ummes e acusa o prefeito de ter nomeado a mulher de um apaniguado político do PV no cargo de faxineira, para trabalhar meio período, e do filho da secretária de Educação na Farma/Ummes.
“A Ummes virou cabide de emprego de prefeito”, acusa o parlamentar. A função que ele estava, segundo o pefelista, já foi ocupada pela mulher do ex-prefeito de Espírito Santo do Turvo, João Adilson Pacheco.
Para Florêncio, o prefeito de Ipaussu pensou que o cargo seria uma espécie de “cabresto”. “Estou triste porque não fui contratado para prestar um serviço à Ummes e, sim, ficar lá como vaca de presépio do prefeito, mas não concordei”, disse o pefelista.
O vereador disse que votou a favor da exigência do curso de Pedagogia por ter levantado a questão do fraco desempenho da escola municipal “Analia Marquesi” na Prova Brasil. “Se não está bem [o setor de Educação], não vou fazer elogio. A escola ficou em último lugar”, disse.
Florêncio afirma que, antes, já havia discordado de Cruca quando o tucano queria nomear o sindicalista José Carlos de Paula no cargo de secretário de Agricultura, porque ele não tinha curso de agronomia.
Na opinião do vereador, a atitude do prefeito comprova o uso político do cargo da Ummes. “Se ele fez isso com um vereador, imagina o que faz com um diretor e um professor de escola municipal que discordar dele. É por isso que o abaixo-assinado a favor da secretária, mandado à Câmara, tinha o apoio de 90% dos professores. Ninguém vai contra o prefeito, porque senão vem perseguição”.
Na sessão da Câmara de sexta-feira, o vereador questionou gastos da Ummes. Ele aponta supostos gastos irregulares do consórcio na prefeitura de Canitar. “Essa entidade precisa mudar e não deve ser composta só de prefeitos, porque senão eles escondem embaixo do tapete as coisas erradas”. Cruca foi reeleito na direção da Ummes.
O prefeito  Paulo Sergio Corrêa Leite (Cruca), diz que não foi retaliação
Versão do prefeito — O prefeito Paulo Sergio Corrêa Leite admitiu à reportagem que indicou o nome de Florêncio para o presidente do Cima/Ummes, Luiz Claudio Cunha — prefeito de São Pedro do Turvo —, contratá-lo para prestar os serviços de manutenção das máquinas, mas nega que tenha havido retaliação ao pefelista no rompimento do contrato na última semana.
Cruca disse que a contratação de Florêncio foi motivo de desgaste político para ele porque, na época da contratação, o DEBATE divulgou nota criticando.
O prefeito considera “estranha” a acusação de Florêncio contra o tucano por autorizar duas contratações — uma faxineira e o filho da namorada — na Farma/Ummes de forma indevida. “Ele podia ser contratado? O que foi a contratação dele? Estava precisando de alguém para o controle das máquinas e pedi para o Nenê [Luiz Claudio Cunha] dar uma força. E agora ele quer falar dos outros”, declarou o tucano.
Cruca diz que em ata de reunião da entidade se questionou a indicação do encarregado da manutenção das máquinas. Quem fez esse questionamento foi o prefeito de Salto Grande, Waldemar Correa (PMDB). Ele preferia o operador de máquina e as secretárias de Obras de cada município a responsabilidade pelo controle. “A prefeitura de Salto Grande não se utilizava das máquinas, mas tinha que pagar os custos”, disse. Por isso, na última semana, ficou decidido pelo rompimento do contrato. Cruca diz que houve coincidência de Florêncio perder a função justamente no momento de divergência por ter votado a lei que exige Pedagogia para a titular da Educação.
De acordo com o prefeito, não será indicado substituto no cargo de Florêncio.
Sobre a declaração do prefeito de Bernardino de Campos, Moacir Benetti, citada pelo pefelista, de que o tucano teria dito que demitiria Florêncio, Cruca tem outra explicação: “Não foi como ele está acusando. Acredito que o Benetti tenha comentado se não havia a possibilidade de o vereador estar junto com o governo. Ele não usaria esse tipo de palavra [demissão]”, declarou. Benetti e o presidente da Cima/Ummes, Luiz Claudio da Cunha, não foram localizados pela reportagem até o fechamento desta edição para comentar as declarações do presidente da Ummes.
Até a última semana, o prefeito ainda não tinha vetado o projeto de lei que exige o curso de Pedagogia. O tucano tem 15 dias úteis para o veto. Cruca afirmou que aguarda a assessoria jurídica elaborar um parecer para enviar ao legislativo. “Está demorando porque é preciso fundamentar bem juridicamente. Apesar de vetar ou não, o negócio dos vereadores de oposição é político. Vou argumentar que, por ser cargo de confiança, tenho o direito de nomear”, declarou. Mas o prefeito já antevê dificuldades, porque cinco vereadores apoiaram o projeto e têm condições de derrubar o veto. A última hipótese será discutir o caso na Justiça.