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JUSTIÇA Despesa
em área particular está estimada em R$ 137 mil
O Ministério Público de
Ourinhos abriu inquérito civil para apurar os prejuízos
causados à Superintendência de Água e Esgoto
(SAE) na construção de um reservatório de
água na fazenda Santa Maria, cujo terreno fora doado para
construção do campus da Unesp na gestão de
Claudemir Alves da Silva (PTB). No final do mandato, o terreno
voltou ao proprietário da área porque o petebista
não concluiu a obra do campus. O prefeito Toshio Misato
(PSDB) assumiu no ano seguinte e optou construir a Unesp em outro
terreno, ao lado da Fatec.
O município teve prejuízos no final do governo petebista,
porque todo o investimento da SAE na fazenda Santa Maria está
sendo revertido ao proprietário João Francisco da
Costa Lima. Ele alega que no contrato consta que, se a Unesp não
fosse construída na área doada, os benefícios
seriam revertidos a ele e não à autarquia municipal.
O reservatório está abandonado e sem uso, na margem
da rodovia SP-270. O empreendimento teria custado mais de R$ 137
mil.
O superintendente da SAE, Haroldo Maranho, declarou na última
semana que encontrou dificuldade em assumir o reservatório,
porque a administração anterior não desapropriou
o terreno. Ele encaminhou o caso ao Ministério Público,
que já tem indícios de irregularidades. Antes disso,
o vereador Silvonei Rodrigues (PSDC), ligado ao ex-prefeito, cobrou
providênca da SAE.
Segundo Maranho, pela Lei de Responsabilidade Fiscal a obra do
reservatório não poderia ficar parada. Porém,
como encontrou dificuldade em assumir a área, disse que
aguarda o desfecho do caso na Justiça. A reportagem pediu
que o superintendente fornecesse o custo da obra. Ele se comprometeu
a passar os números e não retornou a ligação
até o fechamento desta edição.
A SAE também perfurou um poço semi-artesiano de
500 metros próximo da caixa dágua de 500 mil
litros. A Promotoria de Justiça tem um documento no inquérito
do diretor de Operações da SAE, Arnaldo César
Capelosa comunicando o superintendente da autarquia na
gestão passada, Ricardo Zanchetta Briso, que a obra não
atingiu o objetivo e nem as medições do contrato
foram feitas de forma correta.
A obra pública foi realizada em área particular,
sem o decreto de desapropriação. Esse é um
ponto grave constatado na investigação. Na ocasião,
o então prefeito Claudemir Alves apenas firmou no cartório
um termo de doação da propriedade de João
Francisco da Costa Lima para a prefeitura, sob a condição
de na área instalar o campus da Unesp. Como isso não
ocorreu, o contrato teve que ser rescindido. A data da escritura
de doação 10 de dezembro de 2004
é posterior a 14/11/03, data do contrato da obra.
Nas apurações há outra constatação:
a perfuração do poço foi executada com profundidade
de 273 metros metade do que havia sido firmado no contrato
o que reduziria os custos da obra. A promotoria pediu para
a perícia apurar suposto superfaturamento no empreendimento.
A vazão do poço é de 38m3/h, bem inferior
aos 50 m3/h assinado no contrato. É outro indício
que o poço custou mais caro aos cofres municipais.
O poço artesiano foi perfurado em local contrário
ao que constava do contrato, a uma distância de 1.200 metros
e em nível de terreno muito abaixo. Diante disso, será
necessário ligar o poço a uma adutora especial.
Isso representa um custo adicional de R$ 200 mil. Segundo dados
extraoficiais, a obra como um todo representa cerca de R$ 337
mil, embora a atual direção da SAE não confirme
esses valores.
A reportagem não conseguiu localizar o ex-superintendente
Ricardo Zanchetta Briso. Ele é apontado como um dos responsáveis
pela obra. O diretor de Operações Arnaldo Capelosa
confirma que comunicou o caso na época ao ex-chefe, mas
afirmou que não queria se expor na imprensa por ocupar
cargo de confiança na empresa.