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JUSTIÇA Adilson
Donizeti (PSDB) exibiu em Santa Cruz superproduções
do cinema no ano passado, sem nenhuma autorização
das distribuidoras de filmes
O
Ministério Público de Santa Cruz do Rio Pardo determinou
à Delegacia Seccional de Polícia a abertura de inquérito
contra o prefeito Adilson Donizeti (PSDB) por exibição
ilegal de filmes no Palácio da Cultura Umberto Magnani
Netto. A ilegalidade ocorreu no primeiro semestre do ano
passado, quando o prefeito chegou a ser notificado pela Adepi
(Associação de Defesa da Propriedade Intelectual)
entidade que representa os interesses dos grandes estúdios
de cinema para que deixasse imediatamente de exibir os
filmes.
O fato foi divulgado em reportagem do DEBATE em agosto de 2005.
No início de 2006 o diretor do jornal, em depoimento à
Procuradoria Geral de Justiça, em São Paulo, apontou
a ilegalidade. De posse da informação, o promotor
da comarca, Silvio da Silva Brandini, determinou a abertura de
inquérito policial para apurar o caso. No final da semana
passada, no site de relacionamentos Orkut, o próprio prefeito
Adilson Donizeti anunciou o inquérito e, em tom de lamento,
escreveu que apenas um filme foi exibido e ainda assim
como teste de imagem e acústica. Ele informou,
equivocadamente, que o inquérito fora aberto pelo diretor
do jornal. Como testar a acústica com o prédio
vazio?, disse o prefeito.
Na verdade, o prefeito exibiu pelo menos três grandes produções
Madagascar, Guerra dos Mundos e
Star Wars episódio 3 , todos lançamentos
do cinema na época, sem a devida autorização
das distribuidoras. O esquema começou a funcionar quando
Donizeti contratou, como diretor de Cultura, Marcelo Medeiros,
na época também funcionário da prefeitura
de Jacarezinho-PR. Amigo do proprietário do cine Millenium,
de Bandeirantes-PR, Marcelo provavelmente a mando do prefeito
de Santa Cruz começou a emprestar películas
dos lançamentos recentes do cinema para exibição
no Palácio da Cultura Umberto Magnani Netto,
sem autorização das distribuidoras.
Adilson Donizeti começou, então, a explorar o fato
do Palácio da Cultura exibir lançamentos do cinema.
A projeção de Star Wars - episódio
3, por exemplo, levou 200 pessoas ao recinto do cinema de
Santa Cruz no dia 5 de julho de 2005, segundo divulgou a própria
prefeitura num boletim informativo. Para a administração,
as sessões fechadas eram testes para a futura
inauguração do cinema, que ocorreu no final daquele
ano. Os filmes foram exibidos para alunos de várias escolas
de Santa Cruz do Rio Pardo, além de servidores públicos.
Ocorre que, segundo a legislação que protege os
direitos autorais, a exibição de filmes sem autorização
é crime, independente da cobrança ou não
de ingressos.
Notificação Quando o DEBATE denunciou a irregularidade,
a UIP United International Pictures acionou a Adepi
Associação de Defesa da Propriedade Intelectual
, que emitiu notificações extra-judiciais
contra o prefeito Adilson Donizeti, a então secretária
de Cultura Regina Pitol e Ricardo Igawa, dono do cine Millenium,
de Bandeirantes-PR. No documento, os advogados que representam
os grandes estúdios de cinema advertiram o prefeito que
a exibição de filmes sem autorização
é crime previsto na legislação em vigor,
passível de detenção e multa. A Adepi confirmou
que o crime ocorre mesmo sem a cobrança de ingressos e
determinou a imediata suspensão dos filmes, sob pena
de medidas judiciais cabíveis.
Em nota divulgada na ocasião, o prefeito insistiu que o
tipo de exibição que promoveu no Palácio
da Cultura não caracterizaria crime, uma vez que a platéia
era formada por convidados e não houve cobrança
de ingresos. A nota foi encaminhada pelo DEBATE à Adepi
que, revoltada, telefonou para a então assessora de imprensa
da prefeitura, Fernanda Moraes. A assessora lamentou o episódio
e prometeu modificar o teor da nota. Contudo, não
o fez. Tanto Fernanda quanto Marcelo Medeiros deixaram o governo
em seguida.
Mero detalhe Já o prefeito Adilson
Donizeti ocupou os microfones de emissoras de rádio na
época para atacar o DEBATE. Segundo ele, a falta de autorização
para exibição dos filmes era um mero detalhe,
chegando a dizer que o diretor do jornal deveria ser processado
por ter publicado a reportagem. O jornal cometeu os crimes
de injúria, difamação e calúnia. Eu
me senti caluniado, porque não houve crime, explicou
o prefeito Donizeti.