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"Vírus" ataca rede de supermercado de Santa Cruz

INFORMÁTICA — Sistema do Supermercado São Sebastião demorou uma semana para normalizar; tecnólogo alerta para perigos escondidos em e-mails e links da internet



Supermercado São Sebastião passou uma semana sem contar com a rede informatizada de vendas
Um worm denominado “Penga” causou uma pane na rede de computadores do Supermercado São Sebastião, de Santa Cruz do Rio Pardo, na sexta-feira, 13. Mesmo com sistemas de segurança contra invasões e pragas virtuais, dez máquinas interligadas à rede foram infectadas pelo programa malicioso. Segundo o tecnólogo Clayton Tavares Dan, da MPI Informática, na era da internet a segurança da rede vai além de programas de proteção: o usuário precisa saber onde pode clicar.
O worm é uma praga virtual semelhante aos vírus de computador — a diferença básica entre eles é que, enquanto o vírus precisa de um programa que se torne hospedeiro para se propagar, o worm cria réplicas automaticamente. Essa praga pode trazer com ele programas que geram algum tipo de problema — como lentidão na rede ou o reinício involuntário do computador — ou pode tornar o computador infectado vulnerável a outros ataques. Além disso, pode ser projetado para outras tarefas, como apagar arquivos de um sistema ou enviar dados por e-mail — o modo mais corriqueiro de roubo de senhas atualmente.
No caso do supermercado, o worm Pemba comprometeu principalmente a conexão entre os computadores. A rede em supermercados automatizados é essencial, porque o próprio programa registra a saída do produto, dá baixa no registro de estoque, calcula os valores e, quando necessário, faz a conexão com operadoras de cartões. “O worm afetou todos os computadores do escritório e, depois, passou para a rede”, explica Botelho.
O “Pemba” conseguiu burlar toda a proteção da rede — segundo Botelho, nem mesmo um anti-vírus conhecido e reconhecidamente eficiente conseguiu detectá-lo. “É um ‘vírus’ relativamente novo e são poucos os que o detectam. No nosso caso, instalamos o Avast, que o detecta, mas isso só depois de formatar (procedimento que apaga todos os dados do computador) o disco rígido de 10 computadores para eliminar o ‘Pemba’”, explica o proprietário da empresa.
Segundo ele, a infecção trouxe problemas para o estabelecimento. “Nós ficamos parados uma semana. O nosso estoque estáLourival Botelho: infecção trouxe problemas para o estabelecimento bagunçado e trabalhamos off-line, além de não recebemos pedidos por e-mail”, conta Botelho.
Execução — Segundo Clayton Tavares Dan, o “Pemba” entrou em operação porque alguém clicou em um link que continha o worm. “Alguém deve ter recebido um e-mail falso com, por exemplo, os dizeres ‘alguém enviou um cartão para você,’ e o usuário clicou no link falso que baixava o ‘Pemba’”, explica Dan. Depois de infectar o primeiro computador, o programa se espalhou pela rede, fazendo com que os outros perdessem o link entre eles ou simplesmente desligassem sozinhos.
Para o tecnólogo, agora que a internet é uma realidade em praticamente todos os lugares, não basta ter computadores super-protegidos, mas o usuário também precisa saber onde pode clicar. “Ninguém deve clicar em links trazidos por e-mails de empresas ou pessoas que não conhece, ou mesmo em links do Orkut, que podem trazer um programa malígno escondido”, exemplifica.
O programa, entretanto, não danificou nenhum equipamento — apenas os programas. “Essa é a diferença dos vírus antigos. O Chernobyl, por exemplo, apagava os chips das placas dos computadores, que ficavam imprestáveis”, recorda. Para ele, os atuais worms só servem para roubar senhas e dar trabalho aos usuários do computador.