| Cidade |
NEGÓCIO Segundo
especialista, orientais são mais aptos a planejar negócios,
enquanto o povo latino age por emoção e, assim,
adia sucesso do empreendimento
Conforme levantamento realizado pelo
Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas), cerca de 56% das micro e pequenas empresas que abrem
no estado de São Paulo fecham as portas em cinco anos de
funcionamento. Ainda segundo esta estatística, no primeiro
ano 29% delas já deixaram de funcionar. Aos dois anos este
índice é aumentado para 42%. Quando atingem três
anos, 53% desses estabelecimentos não funcionam mais e
no quarto ano este número vai para 56%, mantidos aos cinco
anos de vida da empresa.
Segundo a gerente de desenvolvimento do posto de atendimento ao
Empreendedor do Sebrae de Santa Cruz, Cláudia Regina de
Camargo, a alta mortalidade das micro e pequenas empresas no Brasil
têm como principais causas a falta de planejamento e conhecimento
em gestão empresarial por parte dos empreendedores.
Ela explicou que, diferentemente do povo oriental, os ocidentais
não costumam planejar antes de abrir um negócio.
Os orientais, ao ter a idéia de um empreendimento, planejam
o tempo que for necessário antes de executá-la,
a fim de analisar sua viabilidade. O povo oriental é
movido pela razão e não pela emoção,
como os latinos. Por isso, planejam cautelosamente antes de tomar
à frente de um negócio. Estudos mostram que, quando
planejamos algo, o sucesso vem em um tempo muito menor. Um oriental
que planejou uma microempresa, por exemplo, vai ter sucesso muito
mais rápido do que um ocidental que executa sua abertura
sem planejar, explica Cláudia.
Ela conta que, na maioria dos casos, as pessoas se arriscam na
abertura de uma micro ou pequena empresa para se ver livre de
patrão. Elas dizem que querem ficar sossegadas, mas
isso é um grande engano. O empreendedor tem responsabilidades
muito maiores do que o empregado, explica a agente de desenvolvimento.
Além da falta de planejamento, a falta de conhecimento
em gestão empresarial é um fator decisivo para a
morte da maioria das empresas. Cláudia de Camargo conta
que muitas pessoas decidem abrir um negócio próprio
a partir de uma habilidade, mas a verdade é que, para obter
sucesso, é preciso bem mais que isso. A pessoa sabe
fazer pão e então decide abrir uma padaria, mas
o negócio não irá fluir se ela não
conhecer contabilidade, não souber definir preço,
entender de fluxo de caixa ou ainda não souber como fazer
uma propaganda adequada, explica.
Cláudia explicou que o Sebrae tem como um dos objetivos
reduzir a taxa de mortalidade de micro e pequenas empresas no
estado de São Paulo, ainda que em outros estados estes
índices sejam muito maiores. O Sebrae possui inúmeros
cursos e palestras sobre gestão empresarial. A pessoa que
tiver uma idéia de empreendimento, deve procurar o posto
do Sebrae para conversar e analisar a viabilidade do negócio,
disse. O serviço, segundo ela, é gratuito.
O Sebrae oferece ainda consultores especializados nas áreas
de finanças, administração, informática,
marketing e jurídica.
Em Santa Cruz do Rio Pardo, embora não haja uma pesquisa
que aponte exatamente estes dados, segundo o Sebrae o maior índice
de mortalidade de empresas está no setor comercial. A
cidade é em grande parte composta por estabelecimentos
deste tipo. Logo, são eles também os que têm
maior índice de mortalidade. É importante dizer
que certos setores do comércio já estão superfaturados
na cidade, por isso a importância de se informar antes de
dar início à uma empreitada nova, avalia Cláudia
Regina
de
Camargo.
Sucesso Atuando há 2 anos no ramo de assistência
técnica em informática com a ASST, o micro-empresário
Márcio Aparecido Gozzo é exemplo que deu certo através
do planejamento empresarial. Ele trabalhava há 8 anos em
uma empresa de informática quando decidiu abrir seu próprio
negócio. Na empresa em que trabalhava não
tinha mais como crescer. Então, optei por abrir um negócio
próprio. Mas antes de me arriscar fiz estudos específicos
para avaliar a eficácia da idéia, conta Márcio.
O atendimento do Sebrae foi indispensável ao empreendedor,
que ainda hoje participa de cursos sobre gestão empresarial.
Fiz um curso chamando Empretec, através do Sebrae,
antes de iniciar o negócio. Acho que ele me deu a coragem
necessária para executar a idéia e estou
sempre me atualizando, relata.
Ao contrário do que se pensa, Márcio conta que a
vida depois que passou a ser patrão ficou ainda mais difícil.
As responsabilidades aumentam. No início, mesmo com
todo o preparo que tive, foi difícil. Em alguns meses cheguei
a ganhar menos que meus empregados, relata.
No mercado há mais de 10 anos, a loja de artigos indianos
Prana Maya viu nos serviços do Sebrae uma alternativa para
sobreviver em Santa Cruz do Rio Pardo. Segundo a proprietária
Rosemeire Teodoro de Souza, a loja instalada em Santa Cruz
há dois anos tinha dificuldades para atingir um
público na cidade. Foi aí que procurei a orientação
do Sebrae. Algumas dicas a respeito do meu ponto comercial e sobre
o marketing da loja foram muito importantes para o negócio,
relata.