| Marcelo Picinin |
ARTIGO
Marcelo
Picinin
Da Equipe de Colaboradores
Morreu na última semana
Sandra Regina, a filha que Pelé nunca reconheceu
embora a Ciência e a Justiça o tenham feito. Antes,
a Mãe-Natureza já se tinha antecipado, caprichando
na sua infalível precisão: pôs na menina a
cara e a fuça do pai fujão. Como este espaço
quase sempre é usado pelo escriba para falar suas asneiras
políticas, a lembrança aqui feita à desditosa
filha tem como pano de fundo a constatação
obviamente política de que a paternidade também
não é algo que os políticos e governantes
gostam muito de assumir.
Veja, atenta leitora, o caso aqui da terrinha, onde temos um imperador
useiro e vezeiro na arte de produzir rebentos político-administrativos
dos mais suspeitos, mas que depois, quando descobertos, têm
sua ascendência paterna renegada. O caso do ITBI é
típico, já que, por mais abundantes que sejam as
provas genéticas (ou seriam impressões
digitais?) de que Sua Alteza contribuiu para a concepção
desse fruto maldito, o suserano-mor bate na tecla de que é
inocente embora já tenha sido indiciado criminalmente
por CORRUPÇÃO.
O escândalo do ITBI tornou-se mais um caso em que a Justiça
serve como único meio para o reconhecimento de uma paternidade
negada. No caso da lei espúria que beneficiou o plantador
de laranjas e rendeu alguns dividendos à monarquia, o exame
de DNA é a quebra do sigilo telefônico, em que se
provam os possíveis contatos íntimos
entre o todo-poderoso e o fazendeiro milionário.
O dia-a-dia nos comprova que grande parte desses infelizes filhos
é herdeira de homens que, na sábia linguagem popular,
pulam a cerca. Tal qual a vida comum, a política
também conta com seus casamentos, através dos quais
os governantes, dentre outras coisas, prometem fidelidade à
lei e aos governados, unindo-se a estes últimos pelo sacramento
do voto. Analisando-se a situação do imperador,
não resta dúvida de que o fruto do adultério
por ele cometido contra o povo fez nascer e crescer a cada dia
a certeza da paternidade sobre tão nefasto episódio.
O imperador não é Pelé, mas também
é monarca. Por isso, não custa comparar: o escândalo
do ITBI é ou não é a cara e a fuça
da realeza?
***
Relógio da liberdade: Se o exame do DNA telefônico
falhar, faltam 801 dias para o fim da monarquia.