| Região |
OURINHOS Reforma política
pode mudar sistema de escolha de deputados, mas tamanho do distrito
pode atrapalhar eleição de candidato prata-da-casa
A região não elegeu representante
na Assembléia Legislativa e Câmara dos Deputados
no pleito de outubro. Sem deputado, fica na dependência
de lideranças políticas de fora, que só aparecem
no município em período eleitoral. Mas ganha força
a reforma política que tem intenções de implantar
no país o voto distrital misto. O PSDB é um dos
defensores da idéia. Mesmo com a inovação,
a chance de Ourinhos e mesmo Santa Cruz do Rio Pardo
não seria tão grande de eleger um deputado. A dúvida
seria o tamanho do distrito, o que poderia favorecer as cidades
com maior população, como Marília e Bauru.
O voto distrital já é adotado em vários países,
como a Alemanha. Atualmente, pelo sistema proporcional, o candidato
a deputado disputa o voto no estado inteiro. Se implantado o voto
distrital, os candidatos locais concorreriam em uma região
demarcada que poderia ser Ourinhos, Marília ou Assis.
O professor de História Norival Vieira da Silva acredita
que, se a reforma política adotar o voto distrital no país,
não significa que um candidato de Ourinhos ou da região
vai se eleger com mais facilidade do que no atual sistema proporcional.
As cidades vizinhas não têm muita simpatia
com Ourinhos. É chato dizer isso, mas Santa Cruz do Rio
Pardo dificilmente vota em candidato ourinhense, diz Silva.
Antipatias regionais à parte, ele explica que o sistema
misto vai depender do tamanho do distrito. Se Ourinhos ficar localizado
no distrito da Média Sorocabana, a chance aumenta de um
candidato ser bem votado. Mas se incluir Assis e Marília,
a dificuldade será igual a do sistema atual. Assis,
por exemplo, tem mais tradição de eleger candidato
da cidade do que Ourinhos. Eles já elegeram três
deputados um federal e dois estaduais. Na verdade, são
mais bairristas. A região de Palmital e Ibirarema têm
mais afinidade com Assis do que Ourinhos, declarou.
Independente de ser bom ou não à região,
o professor ourinhense diz que o voto distrital é mais
democrático na escolha de representantes para as casas
legislativas, sistema adotado pelas grandes democracias ocidentais.
Silva defende que se adote, no início, o voto distrital
puro. Ou seja, os deputados seriam escolhidos por regiões.
O PSDB defende essa idéia, mas o PT tem restrição.
O partido governista prefere que ainda parte dos deputados sejam
escolhidos pelo voto distrital e outra parte eleita por um sistema
de lista, com os votos de todos os eleitores do estado. Aqui
no Brasil há resistência ao distrital puro, porque
os deputados são votados em todas as cidades do estado.
Por isso, são contrários ao sistema distrital puro,
diz Silva. Isso ocorre muito com o deputado de opinião,
que não tem um reduto eleitoral fixo e tem votos pela sua
atuação política no parlamento. Na
reforma, defendem o voto distrital misto como medida psicólogica
para aprovar a mudança no sistema eleitoral, porque sabem
da resistência do deputado de opinião. Prefiro o
sistema misto do que nada, afirma Norival.
Segundo o professor, Ourinhos nunca teve união política,
nem quando o deputado Claury Santos se elegeu pela primeira vez
a uma cadeira na Assembléia. Havia naquela eleição
quem investisse em candidato de fora para não elegê-lo.
Para ele, na reforma política é necessária
também a redução do número de partidos
e a adoção da fidelidade partidária.
Na opinião do professor ourinhense, o eleitor já
vota em determinadas regiões como se fosse voto distrital.
Ele cita a capital como exemplo da existência de redutos
que elegem deputados. Devido à existência de
subprefeituras, em São Paulo criou-se distritos muito bem
formados. Jânio Quadros, por exemplo, tinha muita força
na Vila Maria. A região da Penha também elege deputado.
A cidade paulistana é praticamente distrital. É
o povo quem faz o distrito, explica.
O presidente do diretório municipal do PSDB de Ourinhos,
Guaracy Nascimento, tem opinião semelhante ao professor
Norival Vieira. Porém, também questiona: Qual
seria o tamanho do distrito de Ourinhos? Como seriam definidas
essas regiões?.
Nascimento afirma que, para a democracia, o sistema de voto distrital
é melhor, mas a definição das regiões
pode tornar a eleição de um deputado mais difícil
na região de Ourinhos.
Segundo ele, a divisão do estado seria o número
de eleitores dividido pelas cadeiras na Assembléia. Pelos
cálculos, cada distrito teria em torno de 300 mil votos.
A região de Ourinhos não teria essa quantidade
de votos, por isso teria de estar ligada a Marília, Bauru
ou Presidente Presidente. Só que cada partido lançaria
um só candidato, diz o dirigente. O PSDB, por exemplo,
teria que entrar em entendimento com outras cidades na escolha
do candidato da região.
Para ele, ficaria mais difícil o lançamento de candidato
do município. Isso significa que cada diretório
indicaria um candidato para disputar o pleito. Isso significaria
dificuldade para Ourinhos eleger deputado. O problema não
é o sistema. É a localização do município
que prejudica; fica muito na divisa.
Guaracy acredita que a somatória dos votos da subregião
de Ourinhos, composta de 12 municípios, elegeria um deputado.
Porém, dependeria de convergência para esse candidato,
o que até hoje tem sido difícil de ocorrer. Na opinião
dele, para a eleição de um deputado no sistema proporcional
é necessário ter votos também fora da região.
Ele cita que o tenente Augusto Rosa teve votos também fora
de Ourinhos e não ficou dependente só da região.
Porém, não se elegeu. Não adianta depender
só do voto local, principamente tendo muitos candidatos
locais.
Para Nascimento, é necessário também discutir
o financiamento público de campanha, porque só o
voto distrital pode ajudar quem tem poder econômico. A
emenda pode sair pior do que o soneto. Sem financiamento de campanha,
não adianta nada.
Ele reclama que existe uma distorção no atual sistema
eleitoral. O eleitor vota na pessoa e não no partido, embora
seja proporcional e a escolha do cociente eleitoral leva em conta
a questão partidária. O eleitor não
sabe a diferença de um partido do outro, qual é
a ideologia. Para o cidadão, isto não fica claro.
A votação é na pessoa, ou seja, o candidato
recebe voto por pertencer a grupo, devido à sua fama como
artista ou até por opção sexual. Isso tem
que mudar.
Na opinião do vereador José Claudinei Messias (PMDB),
é necessária a mudança no processo eleitoral,
como a implantação do voto distrital misto. Ele
também concorda que a chance de Ourinhos eleger um deputado
ficará na dependência do tamanho do distrito. O município
poderia pertencer à região de Marília ou
Bauru.
O peemedebista disputou a última eleição
como candidato a deputado e não se elegeu. Segundo ele,
o ideal seria o consenso em torno de um candidato para que a cidade
tivesse mais chance. Sabemos que isso é difícil.
Cada grupo político tem seu interesse. É preciso
respeitar a vontade de cada um ser candidato, mas o consenso seria
o ideal.
Messias diz que o processo eleitoral evoluiu, mas ainda faltam
muitas mudanças na escolha dos candidatos nas eleições
proporcionais. O vereador discorda, por exemplo, que o problema
de eleger candidato da região esteja no fato da votação
dos candidatos de fora. O problema não está
no eleitor, mas está na nossa classe política. Se
não conseguimos o consenso, como é que vamos cobrar
da população?.