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ESPÍRITO SANTO
Prefeita e dois subordinados são suspeitos de malversação
de dinheiro público
A prefeita de Espírito Santo
do Turvo, Luciana Retz, está sendo investigada pelo Ministério
Público de Santa Cruz do Rio Pardo por possível
malversação de dinheiro público. Ela, o filho
e secretário de Administração e Finanças,
Tomaz Retz Vilela Pinto, além do ex-secretário de
Obras Joel Martins Paiva Júnior, são acusados pelo
MP de preencherem talões e empenharem valores acima do
que era pago ao jardineiro terceirizado Tonico Galdino.
De acordo com a ação assinada pelo promotor Sílvio
da Silva Brandini, Galdino exercia a jardinagem como terceirizado
desde 2003, no governo de João Adirson Pacheco (PSDB),
quando recebia R$ 350 pelos trabalhos realizados. Em março
de 2005, ele foi contratado pela atual administração
para continuar na função de jardineiro terceirizado,
sem passar por licitação ou processo de dispensa.
Porém, no segundo mandato, o talão de Galdino era
sempre preenchido por Paiva, que também assinava os empenhos
preenchidos a maior. Para o MP, os pagamentos foram realizados
sabendo que as notas fiscais e os empenhos não correspondem
com a verdade, posto que continham valores superiores aos serviços
que estavam sendo pagos. Paiva ainda descontava o cheque
no comércio do município e pagava R$ 350 a Galdino
em dinheiro.
Em depoimento, Galdino afirma que, quando desconfiou do esquema,
pediu a devolução do talão para Paiva, o
que só foi feito depois do jardineiro ameaçar registrar
queixa contra Paiva pela dificuldade em conseguir as notas. Após
verificar que o talão registrava valores superiores ao
que recebia, Galdino procurou o MP e denunciou o caso.
Os três requeridos alegam que os valores registrados
maiores que o pagamento a Galdino eram feitos porque a
municipalidade precisava pagar, também, outros trabalhadores.
Entretanto, o MP não identificou recibos de terceiros para
comprovar a versão.
Para o MP, como os pagamentos foram de valores irregulares, fica
claro que houve apropriação ilegal de dinheiro público
por parte dos requeridos. De acordo com o levantamento do
Ministério, a lesão ao erário municipal é
de R$ 6.314. A prefeita e seu filho, secretário da administração,
também são apontados como responsáveis porque
não poderiam alegar ignorância, uma vez que o município
é pequeno e a fiscalização de subalternos
fica muito fácil.
Se condenados, a prefeita e os secretários podem ser obrigados
a ressarcir os cofres públicos no valor integral dos pagamentos
a maior, com juros e correção monetária.
Eles podem, ainda, perder a função pública,
terem os direitos políticos suspensos e serem proibidos
de contratar com o poder público, além de poderem
arcar com multa civil de cem vezes o valor da remuneração
que recebem no cargo que ocupavam na época do ocorrido.
Segundo uma fonte ligada à prefeita, até sexta-feira
ela ainda não havia sido citada formalmente sobre a ação
do MP.