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JUDICIÁRIO
Prescrição pode beneficiar cerca de 70 prefeitos,
inclusive Donizeti
A Justiça
paulista corre o risco de deixar prescrever processos criminais
contra cerca de 70 prefeitos, entre eles o de Santa Cruz do Rio
Pardo, Adilson Donizeti (PSDB). O alerta é do site Consultor
Jurídico, especializado em assuntos jurídicos.
A impunidade pode ser alcançada por conta de disputa interna
no maior tribunal do país que, há quase um ano,
tenta se entender sobre uma questão: de quem é a
competência para julgar supostos crimes cometidos por prefeitos?
Na esteira desta discussão aparentemente simples, milhares
de processos vão se avolumando sem decisão. A prescrição
período no qual uma ação não
pode mais ser julgada vai atingir uma grande parte, enquanto
o TJ discute se os prefeitos devem ser julgados pelo Órgão
Especial colegiado formado por 25 desembargadores
ou pelas câmaras da seção criminal. A polêmica
aguarda decisão do STF Supremo Tribunal Federal
, mas a demora certamente vai beneficiar dezenas de políticos
envolvidos nos mais intrincados processos. Os prefeitos são
acusados de crimes como lavagem de dinheiro, abuso de autoridade,
desvio ou mau uso do erário, irregularidades em processos
de licitação, posse ilegal de arma e recebimento
de propina. Pela legislação, os prefeitos têm
foro criminal privilegiado e só podem ser julgados pelos
tribunais estaduais.
O prefeito de Santa Cruz, Adilson Donizeti, responde a vários
inquéritos no Tribunal de Justiça. Denunciado, por
exemplo, pelo crime de denunciação caluniosa pelo
Ministério Público de São Paulo, Donizeti
escapou até agora do julgamento para recebimento da denúncia
por conta da polêmica. O desembargador Bittencourt Rodrigues
tinha até o voto pronto, mas o processo deixou a Câmara
competente e foi novamente remetido ao Órgão Especial.
O caso Sanches Tripoloni, em que o prefeito é acusado de
favorecimento à empreiteira de asfalto, também já
circulou em vários órgãos internos do Tribunal
de Justiça. O processo tramita desde 2002, ainda sem denúncia.
O único processo que tramita, ainda que a passos lentos,
é o inquérito que apura corrupção
no caso ITBI. O prefeito Adilson Donizeti já foi indiciado
por corrupção e mais 5 pessoas, por falsidade ideológica.
Entre elas está o presidente da Codesan, Éder Pereira,
o diretor da empresa Benedito Carlos de Souza e o secretário
Antônio Celso da Cunha. A última manifestação,
porém, é de fevereiro, quando o tribunal requereu
informações ao Banco Bradesco de Itápolis.
O processo corre em segredo de justiça.
No TJ, porém, um grupo de desembargadores insatisfeitos
com a ordem dando competência ao Órgão Especial
para julgar prefeitos, reclamou ao CNJ Conselho Nacional
de Justiça. Este, por sua vez, cassou liminarmente a decisão
e entendeu que o Tribunal Pleno usurpou atribuição
exclusiva do Órgão Especial, criando o impasse que
persiste até hoje.
A polêmica não alcança processos por improbidade
administrativa, que são julgados na própria comarca
de origem. Por enquanto.