Megaaumento na Zona
Azul esvazia comércio
TRÂNSITO Com
apenas um ano de funcionamento em Santa Cruz, estacionamento rotativo
tem taxa reajustada em 100% e causa protesto de comerciantes e
usuários
O aumento da taxa da Zona Azul em Santa
Cruz do Rio Pardo causou protestos da população,
em especial dos comerciantes. Implantada em maio de 2006, o valor
cobrado pela permanência de uma hora nas ruas demarcadas
pelo sistema rotativo passou de R$ 0,50 para R$ 1. O megaaumento
descontentou a todos.
Segundo disse o diretor do Departamento de Trânsito, José
Alves Cardoso, à rádio Alternativa FM, as vendas
de cartões da Zona Azul estavam baixas e os jovens recém-contratados
não se interessam em oferecer cartões porque a venda
não influencia no salário. Com o aumento de fiscais
e ampliação de sua abrangência, a Zona Azul
passou a ter prejuízo, daí a necessidade de aumento
da tarifa, segundo José Cardoso.
As explicações, no entanto, não convencem.
A comerciante Andréia Covolan Camargo define o estacionamento
rotativo em Santa Cruz como uma bagunça. Ela
é proprietária de uma loja de roupas na esquina
da Conselheiro Dantas com a rua José Epiphânio Botelho,
ambas demarcadas pela Zona Azul. Além de ser um absurdo
o aumento da taxa, a falta de organização é
muito grande. Nas transversais da Conselheiro Dantas, por exemplo,
onde a taxa deve ser cobrada, raramente se vê fiscais,
disse.
A reclamação sobre a falta de Zona Azul na Euclides
da Cunha é geral. O cabeleireiro André Pereira Martins,
proprietário de um salão na rua José Epiphânio
Botelho, afirma que nenhum cliente gosta de pagar taxa de estacionamento,
especialmente agora com 100% de aumento. Pior é cobrar
a taxa na Conselheiro Dantas e suas tranversais, mas não
cobrar na Euclides da Cunha, que também é uma rua
comercial, lembra.
A balconista da Cirúrgica Vida e Saúde, Elisabeth
Pereira, também discorda do aumento. Ela avalia que os
comerciantes são os que mais sofrem com o esquema, especialmente
pelo não recolhimento da taxa na Euclides da Cunha. As
pessoas param o carro, ficam no máximo 15 minutos na loja
e ainda têm que pagar R$ 1. Isso faz com que procurem uma
outra loja em locais não demarcados pelo estacionamento.
O preço anterior talvez não influenciasse tanto
nessa questão, disse Elisabeth.
Primo Piga, dono de uma loja de eletro-eletrônicos há
vários anos na rua Conselheiro Dantas, é outro inconformado
com a Zona Azul em Santa Cruz. Para ele o estacionamento estragou
o comércio. Todo mundo está tendo prejuízo
e o movimento caiu muito. Eu até concordaria se a taxa
fosse cobrada em todas as ruas comerciais. Mas do jeito que está,
é uma injustiça. O preço é absurdo
e até meus vendedores, que vêm de cidades maiores,
reclamam, protesta Piga.
A falta de orientadores da Zona Azul para a venda de cartões
é citada pela maioria dos motoristas e comerciantes. Porém,
Fernando Lorenzetti, proprietário da Lorenzetti Calçados
loja que vende cartões da Zona Azul , conta
que mensalmente vende uma média de 20 cartões, menos
de um por dia. Acredito que a falta de procura se deve ao
fato de que os orientadores estão sempre pela rua. Quando
não avistam ninguém, os proprietários de
veículos também não fazem questão
de comprar. Preferem não pagar, lembra.
A exemplo de outros comerciantes, Fernando acredita que a prefeitura
está sendo injusta ao implantar a Zona Azul
apenas na Conselheiro Dantas. Este aumento foi totalmente
errado. O correto seria esperar até que os motoristas se
adaptassem com o sistema. Isso sem contar que a necessidade de
implantação do estacionamento rotativo na Euclides
da Cunha é urgente. Estamos sendo prejudicados, ainda mais
agora com o aumento da tarifa, disse Lorenzetti.
Marta Gazzola está indignada com a situação.
A comerciante cobra a implantação do sistema na
Euclides da Cunha e cita o exemplo de Ourinhos, onde a taxa só
sofreu aumento após anos de funcionamento da Zona Azul.
É um absurdo a prefeitura querer comparar Santa Cruz
com cidades maiores, onde o estacionamento já existe há
vários anos. Muitas das minhas clientes que concordavam
em pagar R$ 0,50 apenas para conferir as novidades, com o aumento
de 100% deixaram de vir, reclama.
Ourinhos Segundo o presidente da Associação
Mirim de Ourinhos e Serviço de Integração
de Meninas (AMOSIM), Henrique Ferreira dos Santos, o decreto que
legalizou a Zona Azul em Ourinhos é de 1987. Neste período,
o sistema de estacionamento rotativo chegou a ser suspenso devido
à reclamações dos comerciantes, mas logo
foi reativado novamente.
Ao contrário do que aconteceu em Santa Cruz, ele conta
que a taxa cobrada por hora de permanência nas ruas demarcadas
pela Zona Azul de Ourinhos foi a mesma durante dez anos. O
valor de R$ 0,50 só foi reajustado para R$ 1 no início
deste ano, depois de ser fixo desde 1996, explica.
Os responsáveis pela orientação da Zona Azul
em Ourinhos são adolescentes da Guarda Mirim. Eles permanecem
por alguns meses trabalhando na Zona Azul e, em seguida, são
encaminhados para as empresas. A Zona Azul serve como uma
primeira experiência de trabalho. Após a permanência
por alguns meses, a maioria dos adolescentes saem com um emprego,
disse Henrique.
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Jorge
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