| Cidade |
AMBIENTE Santa Cruz
possui depósito pioneiro na região, atendendo vários
municípios; agricultor está mais consciente em devolver
os frascos usados na agricultura
A conscientização sobre
a importância da entrega correta de embalagens e frascos
de agrotóxicos usados na agricultura está aumentando
na região. Fonte de preocupação ambiental,
o descarte incorreto desses produtos pode levar à contaminação
do solo, ar e água. A recomendação, com amparo
legal, é que as embalagens vazias de defensivos agrícolas
sejam lavadas e entregues nos postos autorizados. Em Santa Cruz
do Rio Pardo o depósito de recebimento funciona há
dois anos e está localizado no Bairro da Graminha, a 5
quilômetros da cidade.
Fruto de parceria entre a Associação dos Revendedores
de Agrotóxicos de Santa Cruz e Região (Arasc), Inpev/Andav
e prefeitura municipal, o galpão de recolhimento é
pioneiro na região e atende, além de Santa Cruz
do Rio Pardo, os municípios de Ipaussu, Bernardino de Campos,
Ourinhos, Chavantes, Espírito Santo do Turvo, São
Pedro do Turvo e Óleo. A fiscalização das
condições do local é de competência
da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), sendo
feita a cada dois meses em média.
No ato de compra de defensivos agrícolas, os postos de
revenda devem obrigatoriamente informar em nota fiscal o nome
e endereço da unidade de recebimento das embalagens depois
de usadas. Na nota fiscal do produto, é informado
o local e os dias de recebimento da embalagem que forem usadas,
explica Alexandre Fábio de Oliveira, da Agrocentro. O serviço
de recebimento das embalagens ocorre todas as sextas-feiras, das
11h às 16h, no depósito do bairro da Graminha.
No processo de devolução, é exigida do produtor
a apresentação de nota fiscal do produto comprado
e um funcionário especializado confere se as embalagens
estão lavadas e atendem ao exigido. Ao final da entrega,
o agricultor recebe um comprovante que consta a devolução
das embalagens vazias. O recolhimento de embalagens e frascos
do depósito é feito pela indústria responsável.
Para o proprietário de loja de produtos agrícolas,
as novas técnicas de plantio, em busca de maior produtividade,
têm levado ao aumento da venda de produtos químicos.
Oliveira também explica que, apesar dos esforços,
ainda existem algumas divergências do setor de fiscalização
quanto ao período de entrega exigido para as embalagens.
Se o produtor compra o produto, mas ainda não usou
tudo em um ano, como ele vai entregar?, indaga. A
nossa preocupação, mesmo como revendedores, é
que seja feita a fiscalização, observa. De
acordo com a legislação, o prazo de entrega de embalagens
é de um ano após a aquisição do produto.
Nos casos em que todo o conteúdo não é usado
e há sobra, esse prazo de devolução é
de até seis meses após o vencimento.
Controle Segundo Emílio Carlos Damiati,
engenheiro agrônomo da Agropardo (Associação
dos Plasticultores de Santa Cruz do Rio Pardo), a exigência
da entrega adequada e obrigatória dos materiais feita pelo
Ministério da Agricultura tem sido o fator responsável
por levar a uma maior preocupação em relação
ao destino das embalagens usadas. Está havendo maior
procura por orientação técnica e também
ambiental, afirma.
De acordo com o representante da Agropardo, associação
que vende produtos para a Ceagesp (Companhia de Entrepostos e
Armazéns Gerais de São Paulo), a própria
entidade estadual possui um órgão que fiscaliza
a taxa de agrotóxicos presentes nos produtos de origem
agrícola, além de seguir as recomendações
dos fabricantes quanto ao destino das embalagens utilizadas. Há
um uso mais racional dos defensivos hoje, aponta.
Outra observação feita por Damiati indica que está
havendo, pelo menos no setor de plasticultura (cultura de plantas
em espaços restritos), uma migração para
o cultivo de produtos orgânicos, o que tem reduzido a dependência
de agrotóxicos no combate às pragas. Nossa
orientação é sair do agrotóxico e
ir para o orgânico. O ganho seria ambiental e visa o consumidor.
Temos tido bons resultados nisso, avalia.
Segundo dados do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens
Vazias (Inpev), em 2005 foram recolhidas 17.881 toneladas de embalagens
de agrotóxicos o que corresponde a 84% do total
circulante no país.
De acordo com a lei federal nº 9.974/2000, o não cumprimento
das obrigações por parte de agricultores, lojas
agropecuárias, cooperativas, indústria e poder público
está sujeito à multa ambiental e até reclusão
de 1 a 4 anos.
Mais informações sobre os postos de entrega de embalagens
vazias podem ser obtidas pelo telefone (14) 3372 4488. Atualmente
a Arasc conta com dez empresas associadas.