| Região |
OURINHOS Na próxima
semana, prefeitura atesta oficialmente fim de obra inacabada,
diz o coordenador jurídico André Luis Camargo Mello
Depois
de 17 anos, a prefeitura de Ourinhos oficializa no papel o fim
do contrato do Hospital Regional de Ourinhos. O documento final,
que será formalizado na próxima semana, põe
fim ao contrato e abre a possibilidade de a municipalidade doar
a área ao Senai (Serviço Nacional da Indústria).
A pasta com o processo em cima da mesa do Coordenador da Assessoria
Jurídica, André Luis Camargo Mello, estava quarta-feira
com o carimbo urgente para o último despacho.
A pressa tem motivo: a prefeitura quer usar a estrutura inacabada
para o Senai reaproveitar na construção de uma escola.
O Hospital Regional foi projeto fracassado que consumiu recursos
federais superfaturados na gestão do ex-presidente Collor
de Mello, no período em que o município foi administrado
pelo prefeito Clóvis Chiaradia (PMDB) e pelo vice Toshio
Misato.
Depois da descoberta de desvio de dinheiro do orçamento
da União, o canteiro de obra foi abandonado e nunca mais
o hospital foi concluído. Sobrou, porém, a estrutura
de concreto como símbolo do desperdício do dinheiro
público.
Desde o abandono do prédio, a prefeitura não tinha
outra destinação ao imóvel, localizado ao
lado da unidade da Unesp e Fatec (Faculdade de Tecnologia). A
estrutura de concreto tem cerca de 2 mil m2 e ainda pode ser reaproveitada.
O plano do Sesi é instalar uma escola do ramo metal mecânico,
destinada à qualificação da mão-de-obra
das indústrias do município.
Desde que a obra foi abandonada, há 17 anos, a prefeitura
nunca finalizou o contrato, embora cinco prefeitos passassem pela
administração municipal. Até o ano passado,
os documentos estavam desaparecidos dos arquivos municipais, o
que atrapalhava dar outra destinação a área.
O prefeito Toshio Misato (PSDB) determinou em 6 de outubro a abertura
de sindicância para apurar a autoria e responsabilizar o
servidor que desapareceu ou extraviou o processo administrativo
licitatório. Depois de quatro meses de apuração,
em 26 de fevereiro deste ano a comissão sindicante concluiu
que, após a morte do ex-chefe de Serviços e Materias
Patrimonais Sebastião Carlos Rodrigues, não havia
como puni-lo e nem responsabilizá-lo. Ele foi apontado
como o último servidor público que teve a posse
do processo licitatório. Após buscas no almoxarifado,
a documentação foi encontrada e a sindicância,
encerrada.
De posse dos documentos, a assessoria jurídica obteve da
Engeform Construções e Comércio Ltda. a rescisão
amigável do contrato, o que encerra definitivamente o caso
sem discussão judicial.
Litígio no esgoto Outro contrato polêmico
ainda não rescindido é o da prefeitura com a Telar
Engenharia, firmado na gestão Claury Santos Alves da Silva
(PTB). A empresa venceu a concorrência para construir a
usina de tratamento de esgoto no rio Pardo. O contrato previa
remunerá-la com a cobrança da tarifa de esgoto,
suspensa em ação judicial na Justiça. A obra
não foi realizada, mas há 12 anos o contrato está
em vigência.
André Mello disse que a Telar se pronunciou contra o rompimento
unilateral, citando a lei de concessões. A medida foi tomada
para dar o direito ao contraditório, mas a prefeitura vai
levar adiante o fim do contrato. Mello disse que buscou um acordo
amigável. Há interesse público de terminar
esse contrato. A cobrança da tarifa foi considerada ilegal,
por isso não há mais como remunerar a empresa com
a receita que financiaria a obra, explicou o advogado. Nos
próximos dias, sai em definitivo o parecer final que põe
fim ao contrato com a Telar.