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"Carta do além" adia julgamento de comerciante

OURINHOS — O promotor Silvio da Silva Brandini pediu suspensão de júri para apurar a procedência de carta psicografada


O promotor Silvio Brandini pediu adiamento do julgamento após a apresentação da "carta do além"Uma suposta carta do além suspendeu o julgamento do comerciante Milton dos Santos, um dos envolvidos na morte de Paulo Roberto Pires, o “Paulinho do Estacionamento”. A carta psicografada anexada ao processo sugere a “inocência” do réu. Para não tumultar o julgamento com esse fato inusitado, o promotor de Justiça Silvio da Silva Brandini pediu a suspensão da audiência de julgamento, que estava marcada para a última quinta-feira, porque a carta não tem procedência.
Santos é acusado de ser o mandante do assassinato do comerciante em 22 de abril de 1997. O caso já levou para a cadeia um dos pistoleiros e quem os contratou para executar Paulinho com vários tios. O último envolvido, Jair Roberto Feliz, foi julgado e condenado a 14 anos de cadeia.
A juíza Raquel Grellet Pereira Bernardes aceitou o pedido do promotor de adiamento do julgamento devido à necessidade de saber a procedência da carta.
Brandini disse que a carta, juntada no processo, não cita o nome do médium e nem em que local foi recebida.
Santos também anexou uma carta atribuída a Valdinei Aparecido Ferreira, o “Pudim”, que desmente acusação anterior contra o comerciante. Após ser condenado, “Pudim” mandou a carta à Justiça acusando Santos como o mentor intelectual do crime e se ofereceu para depor quando o comerciante fosse julgado em Ourinhos.
O promotor pediu para a juíza apurar a falsificação da carta. A assinatura não estaria batendo com a original, que diz o contrário. No mesmo pedido, ele pede a decretação da prisão do réu, que aguarda o julgamento em liberdade.
O promotor diz que a carta juntada faz acusação contra o comerciante e que a assinatura tem diferença com a última apresentada na segunda-feira.
Apesar do pedido de “Pudim”, para ser ouvido em plenário durante o julgamento, isso não será possível. Segundo o promotor, pela legislação o co-réu não pode configurar como testemunha.
O novo julgamento deve demorar para ser remarcado, porque será necessário esclarecer a origem das cartas. O promotor pediu para apurar “incidente de falsidade”. “Quero saber quem recebeu essa carta psicografada. Se é uma prova do além, como é que vai se dar valor a isso?”, disse o promotor.
Quatro pessoas estão envolvidas na morte do comerciante, dois foram julgados e um morreu assassinado na cadeia.
Valdinei Aparecido Ferreira, o “Pudim”, foi condenado a 15 anos e 2 meses de prisão em julgamento em 16 de agosto de 2001.
Edmilson da Rocha Pacífico, 25, foi morto na cadeia de Ourinhos em 14 de outubro de 2002.
Félix foi o que executou o plano de assassinato do comerciante, envolvido em agiotagem. Ele foi condenado em abril deste ano.
Como ocorreu — O crime ocorreu em frente ao bar do Gordo, na Vila Perino, às 20h45 de 22 de abril de 1997. Paulinho estava na frente do estabelecimento com mais três amigos em uma mesa, perto da calçada. O matador se escondeu na parede lateral do estabelecimento e disparou o revólver cerca de dois a quatro metros de distância. Felix e Edmilson teriam disparados pelo menos 9 tiros. Segundo laudo pericial, havia 18 perfurações de bala no corpo da vítima, com 6 ferimentos de saída de projétil. No corpo de Paulinho foram encontrados dois projétis.
O tribunal do júri considerou Jair Félix como o autor da execução, apesar da tentativa do advogado de defesa negar a autoria, alegando contradições no inquérito. Felix já estava preso, cumprindo condenação de 5 anos e 4 meses por roubo.
Os dois foram contratados para matar “Paulinho” por “Pudim”, devido a prejuízos financeiros que ele teve com a vítima. Segundo o inquérito policial, “Pudim” vinha ameaçando Paulinho por causa de uma dívida de R$ 25 mil.
Milton dos Santos, co-cunhado de Paulinho, teria oferecido a “Pudim” R$ 30 mil e a quitação de um Monza 1993 para matar o comerciante.
Os dois executores do crime foram contratados em Sorocaba. Jair Felix e Edmilson Rocha ficaram hospedados no hotel Comercial e depois foram transferidos para uma casa no Jardim Anchieta, antes de praticar o crime. Eles ficaram por um período na cidade para se aproximar, conhecer a vítima e matá-la.

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