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Preço da terra na região dobrou em cinco anos

ECONOMIA — Devido ao aumento da procura por terras para arrendamento, o valor do alqueire em todo o estado de São Paulo vem crescendo desde 2001


O corretor Edvaldo Barbosa Santos lembra que há seis anos a terra custava metade do preço que está atualmenteOs grandes investimentos em usinas para produção de álcool provocam uma corrida por áreas para a formação de canaviais. Essa demanda fez o preço da terra em todo o estado de São Paulo subir. Segundo um levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), de 2001 a 2006 o valor médio por hectare subiu 113,6%, de R$ 4.740,11 para R$ 10.128,12. A valorização foi maior no interior. Em Franca, o valor por hectare subiu 170% e em Ribeirão Preto 160,4% no mesmo período.
A região de Santa Cruz acompanhou a tendência de aumento. O corretor da Rigor Imóveis, o economista Edvaldo Barbosa Santos, afirma que os preços das terras próximas a Santa Cruz chegaram a dobrar. Ele lembra que há cerca de seis anos o alqueire da terra rocha (ideal para cana) estava na faixa de R$ 12 mil ou até R$ 15 mil. A terra mista estava na faixa de R$ 6 mil e a terra conhecida como “areião” era encontrada por R$ 4 mil. No entanto, atualmente o corretor garante que é difícil encontrar terra rocha por menos de R$ 30 mil.
“O que pode derrubar o preço um pouco é o acesso, a topografia ou um terreno que não dê para mecanizar. Aquele que possibilita mecanização e possui acesso fácil, não se encontra por menos de R$ 30 mil”, explica. Santos afirma, ainda, que nos terrenos próximos às usinas, onde o arrendamento é de valor maior, as terras também valem mais. “Há casos de R$ 35 até R$ 40 mil o alqueire. Em Ipaussu há terras nesse preço que são próximas da usina. Em Ribeirão Preto, soube que há terras por R$ 50 mil o alqueire”, relata.
Para Santos, o segredo do investimento é o retorno futuro. “O negócio da vez é a cana”, avisa. No entanto, o corretor explicou que os negócios de compra e venda de terras andam parados. “A venda de terra parou. Não tem muita oferta e o que aparece é muito caro. Tempos atrás havia muito investidor de fora que vinha comprar fazenda e arrendá-la para plantio de cana. Mas chega um momento em que as opções vão se esgotando e os negócios ficam estagnados”, afirma.
O economista acredita que a cana traz muita concentração de renda. “É um investimento alto. Todo ramo tem os prós e os contras. A cana traz benefícios para o país em geral, mas analisando as regiões próximas das usinas já não é bem assim. A cidade pode empobrecer com o aumento de trabalhadores de baixa renda”.
Para Santos, um dos problemas econômicos que a cana pode trazer para uma cidade é a mão-de-obra desqualificada. “Os usineiros não estão mais encontrando trabalhadores no estado de São Paulo e trazem de fora. Com isso, aquele trabalhador temporário e com renda baixa se torna uma tendência para criações de favelas”, afirma.
O outro lado da cana-de-açucar para Edvaldo é o retorno para a região em impostos. “O faturamento é alto. É a nossa vantagem competitiva para exportar. Nenhum país consegue competir com o Brasil no preço da cana”, alega.
Investidores — O agrônomo e presidente do Sindicato Rural de Santa Cruz, Antonio Consalter, acredita que o principal fator para a valorização da terra é o fato dos grandes investidores terem resolvido aplicar capital em terras. “Eles estão escolhendo a terra para ganhar com o arrendamento, que atualmente paga mais que uma aplicação bancária. A maioria dos fornecedores de produtos prefere arrendar terras do que engessar o capital”, afirma.
Consalter explica que a terra em Santa Cruz está na faixa de R$ 18 mil até R$ 35 mil o alqueire. Ele exemplifica que em São Pedro do Turvo ainda são encontradas terras de R$ 15 mil. “Na região a média é 25 mil. Mas não há muito negócio. Na verdade, não há comprador”. O agrônomo também explicou que os grandes investidores compram terras visando o arrendamento e a maioria são para cana e laranja. “A pecuária não consegue pagar o mesmo valor do arrendamento dessas outras culturas”, revela.

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