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Nome de médium é apresentado para provar carta

OURINHOS — Rogério Leite foi quem psicografou a suposta ‘carta’ de Paulo Roberto Pires, que insinua inocência de acusado de assassinato



A suposta “carta do além” foi psicografada pelo médium Rogério Leite, de Lorena. O advogado Marco Antonio Ramos anexou fotos da sessão espírita para provar a autenticidade, mas diz que não pretende usá-la no julgamento de Milton dos Santos, acusado de mandar matar o comerciante Paulo Roberto Pires, “Paulinho do Estacionamento”.
O primeiro julgamento, em 17 de maio, foi suspenso depois que Ramos anexou a carta, de 11 páginas, no processo onde o morto inocentava o réu. O promotor de Justiça Silvio da Silva Brandini pediu adiamento, alegando que o documento não tinha procedência.
“Paulinho do Estacionamento” foi morto em abril de 1997 com 18 tiros. Dois envolvidos — Jair Felix e Valdinei Aparecido Ferreira, o “Pudim” — já foram condenados e o outro pistoleiro, Edmilson Rocha, morreu assassinado na cadeia (leia texto nesta página).
O comerciante Milton dos Santos, concunhado da vítima, é acusado de ser o mandante. “Paulinho do Estacionamento” tinha patrimônio estimado em R$ 15 milhões quando foi morto. Para o Ministério Público, o crime teria sido encomendado por Santos, de olho na fortuna. O advogado de Milton dos Santos nega que o comerciante seja o mandante. Santos teria contratado investigação particular para descobrir os autores do crime, diz Ramos.
Na peça de acusação, Santos teria pago Valdinei Ferreira, o “Pudim”, para contratar dois homens em Sorocaba para executar “Paulinho do Estacionamento” com 18 tPaulinho do Estacionamentoiros.
Segundo o promotor Brandini, “Pudim” receberia R$ 3 mil e teria seu carro, um Monza 1993, refinanciado. A principal prova da Promotoria é o depoimento de “Pudim”, que se entregou à polícia e acusou o comerciante.
A promotoria pediu a suspensão da audiência e foi atendida pela juíza Raquel Grellet. Não havia a identificação do nome do médium na carta até o dia do julgamento. Ramos entregou na última segunda-feira as fotos da sessão de psicografia e indicou que o médium é Rogério Leite, do Centro Espírita Paulo Ferreira, da cidade paulista de Lorena (leia texto nesta página).
O promotor disse que é muito difícil acreditar na carta. “A pessoa que morreu vai mandar uma mensagem dizendo que fulano não a matou, mas não fala quem a matou? Se fosse assim, tinha que falar o nome de todo mundo”, disse o promotor.
O advogado de Milton enviou ao promotor uma petição dizendo que não pretende usar a carta psicografada em plenário, mas apenas demonstrar para os jurados que a família de “Paulinho” é religiosa e acredita no testemunho mediúnico.
Para o promotor, a repercussão do caso mudou a intenção da defesa. “Acho que não preciso nem ficar preocupado com essa carta, porque a repercussão foi pior”, declarou. Brandini aguarda também a apuração de incidente de falsidade de outra carta anexada no processo, que é decisiva para provar o envolvimento do réu.

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