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Família: cada um tem a sua

Elas podem ser grandes, pequenas, tradicionais, conservadoras ou modernas; o indispensável é que cada família seja única e feliz


Daniela e Fabiano uniram os filhos
As famílias de hoje em dia são diferentes uma das outras. Às vezes fica difícil entender quem é o pai, quem é o padrastro, quem é irmão de quem, se a avó é mãe ou avó. Isso acontece porque as famílias estão ficando modernas. Claro que ainda existem as famílias tradicionais, com pais que não se separaram, com muitos filhos e netos e com a mãe que não sai trabalhar para ficar em casa olhando as crianças.
A família de Vitalina Pegorer Sanson, 78, é uma típica família tradicional. Casada há 58 anos e prestes a completar Bodas de Diamante, Vitalina e Otávio Sanson são pais de oito filhos, 21 netos e uma bisneta. Os filhos Luis Carlos, Catarina, Pedro Francisco, Célio, Otávio Filho, Ézio, Aparecido e o caçula Márcio, foram todos criados no sítio. Há 24 anos, Vitalina e Otávio resolveram sair do sítio e se mudaram para Santa Cruz do Rio Pardo, no centro da cidade.
Antes de virem para a cidade, puderam criar os filhos. As crianças cresceram brincando na terra e subindo em árvores. Hoje os netos, que não conheceram o sítio, preferem os videogames e computadores para brincar. Vitalina e Otávio acreditam que são sortudos porque os filhos estão todos próximos a eles. Apenas um mora em Cuiabá, os outros sete estão em Santa Cruz e visitam os pais com freqüência.
Toda manhã os filhos e alguns netos tomam café da manhã junto do casal. Vitalina acredita que esse é um dos motivos da família ser tão unida. Aos domingos também costumam fazer churrasco com os filhos e netos. “A gente sempre se liga e um visita o outro, essa união é muito importante”, afirma Vitalina.
A avó de 21 netos acredita que as famílias de hoje estão se desfazendo por falta de compreensão. “Na primeira briguinha já se separam. Um casal sempre tem uma briga, mas pode ser conversado. Tive minhas brigas, mas nunca pensei em separação, nem meu marido. Às vezes discordávamos na educação das crianças”, lembra.

Vitalina e Otávio com alguns dos 21 netos durante comemoração na casa do casal
Tradições — Vitalina acredita que uma das formas de manter a família unida é não perder contato e manter vivas as tradições. Vitalina se diz muito feliz porque tem os filhos por perto e eles não deixam de visitá-la nem um dia sequer.
O tradicional café da manhã e os churrascos feitos aos domingos são alguns dos segredos da união familiar. No Natal a família também tenta se reunir. Ela acaba ficando um pouco desfalcada com os filhos que passam a data especial na casa dos sogros. Já em todo primeiro de janeiro a reunião é feita na casa de Vitalina e Otávio. A festa da véspera, na virada do ano, é realizada na casa dos filhos do casal com todos os netos.

Segundo pai ou padrasto?

ada vez mais, na escola a criança pode ver entre seus amiguinhos que alguns têm pai e mãe separados e ganharam padrastos e madrastas. As crianças vêem vantagens nessas novas uniões por ganharem mais presentes e por terem duas casas para morar, uma durante a semana e outra aos fins de semana.
A família de Daniela Contiero da Silva e Fabiano Bonagio Sagae, conhecido como “Tanaka”, é um exemplo de família moderna. Daniela têm duas filhas do primeiro casamento e Tanaka um filho. Os dois estão juntos há um ano e sete meses e os filhos já se relacionam como irmãos.
Daniela acredita que os filhos estão tendo vantagens com a separação e a segunda união. Mesmo tendo certeza que uma união estável com os pais vivendo em harmonia seria o ideal para as crianças, Daniela e Fabiano acreditam que viver vendo os pais brigando não é saudável. “Quando acaba um casamento e as pessoas ficam empurrando com a barriga, quem acaba pagando um preço alto são os próprios filhos”, alerta Fabiano.
Daniela conta que quando suas filhas Júlia, 10, e Lavínea, 6, conheceram o padrasto, a primeira reação foi achar engraçado. “Foi uma apresentação agradável elas foram se adaptando. No dia que decidimos morar juntos, sentei e conversei com as duas”, lembra.
Júlia contou que acha “legal” ter um padrasto e agora ficou com dois pais. Ela lembrou ainda que ficou um pouco confusa na época do dia dos pais. “Não sabia o que fazer. Fiz um monte de presente para o meu pai e também tive vontade de fazer para o Tanaka, mas no final resolvi não fazer”, relata. “A Júlia e a Lavínea passaram com o pai delas e o Vitor (filho de Fabiano) com o pai dele. Porque é dia dos pais, não do padrasto”, argumenta Daniela.
Lavínea afirmou que a vida de antes e depois do padrasto mudou muito. “Quando meu pai morava aqui ele não ficava muito em casa, o Tanaka fica mais com a gente”, relata. Júlia acredita que a nova família agora é mais unida, mas lembra que foi difícil a adaptação. “No começo, foi difícil aceitar o namorado da minha mãe vir morar aqui. Mas agora está bem melhor, já acostumamos e o Vitor agora é nosso irmão. O único problema é que antes eu era a mais velha e agora sou a do meio”, brinca.