• Cidade
Decoração em forma de "M" gera polêmica

Decoração natalina da cidade exibe “M” estilizado em iluminação
A decoração natalina nas ruas do comércio em Santa Cruz do Rio Pardo gerou desconfiança neste ano. Embora mais bonitos — e mais caros — do que os enfeites de anos anteriores, as luzes simulam “emes” estilizados, numa alusão ao nome como o prefeito ficou conhecido na vida pública: Mira. Além disso, também podem sugerir as letras do nome da vice-prefeita Maura Macieirinha (PSDB), já lançada candidata pelo próprio prefeito em emissoras de rádio.
Esta não é a primeira sutileza do prefeito para burlar a legislação que proíbe este tipo de publicidade subliminar. Quando assumiu o cargo de prefeito, em 2001, ele mandou pintar na porta dos veículos pesados da administração uma frase indicando o novo governo: “administração 2001-2004”. Sutilmente, porém, abreviou administração como “ADM”, justamente as iniciais de seu nome.
Como vereador de oposição ao então prefeito Manoel Carlos Manezinho Pereira — cuja coligação eleitoral integrou nas eleições de 1992, mas logo rompeu com o chefe do executivo —, Adilson Donizeti foi um feroz crítico da publicidade subliminar adotada pelo então prefeito.
Na época, Manoel mandou criar um logotipo para a administração, cuja escolha recaiu sobre um sol estilizado, cujos raios formavam sutilmente a letra “M”. A prova definitiva da irregularidade veio quando Manoel fez um anúncio no DEBATE. A arte, a mando do prefeito, foi enviada por uma agência de publicidade de São Paulo. Sem abrir o envelope, o então prefeito remeteu-o para o jornal, a fim de confeccionar o anúncio. Dentro, entretanto, estava um bilhete do publicitário responsável pelo desenho ao prefeito, explicando detalhadamente as sutilezas do “M”.
O DEBATE denunciou o caso e o Ministério Público de Santa Cruz do Rio Pardo processou o prefeito. Manezinho foi condenado a retirar imediatamente a logomarca de todos os documentos e prédios públicos e ainda foi obrigado a pagar todas as despesas à prefeitura. Há anos, ele fez um acordo com a Promotoria e a dívida foi paga de forma parcelada.