Donizeti nega que prefeitura
paga
suas viagens para fins particulares
DESPESAS Prefeito
disse que foi a Belo Horizonte procurar estudioso
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Adilson
Donizeti: viagens suspeitas |
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As despesas de viagens
inclusive aéreas bancadas pela prefeitura
de Santa Cruz do Rio Pardo, embora consideradas suspeitas, são
absolutamente normais para o prefeito Adilson Donizeti (PSDB).
Ele disse na semana passada, em questionário por escrito
encaminhado a pedido do jornal, que não viaja nos finais
de semana para a capital, mas sim nas noites de domingo para iniciar
a agenda na manhã de segunda-feira. Nunca inicio
as viagens a São Paulo nas sextas ou sábados,
disse. As contas da prefeitura registram retirada de valores neste
período.
O excesso de viagens do prefeito e assessores, bem como retiradas
de grande numerário nos finais de semana estão aguçando
a curiosidade de alguns vereadores da oposição.
As suspeitas aumentam quando já se comprovou que o prefeito
gosta de se hospedar em hotéis de luxo e freqüentar
requintados restaurantes, como o Rubayat em São Paulo.
Sobre as suspeitas de viajar à capital nos finais de semana,
o prefeito disse que, na verdade, costuma deixar Santa Cruz nas
noites de domingo. Desta forma, cumpro os horários
de segunda-feira pela manhã, sem precisar realizar a viagem
de madrugada, disse por escrito, lembrando que o percurso
dura cerca de 4 horas. Ele também citou o trânsito
nas imediações de Alphaville como um complicador
para as viagens durante dias úteis. É totalmente
compreensível que eu opte pela viagem na noite anterior
e não necessariamente no final de semana, argumentou
o prefeito.
Mas há outras viagens curiosas, financiadas com dinheiro
público, como passagens aéreas para Curitiba para
o prefeito receber uma premiação. O vôo, entretanto,
partiu de Maringá-PR, localizada a quase 300 quilômetros
de Santa Cruz do Rio Pardo Curitiba fica a 442 quilômetros.
A viagem de carro entre Santa Cruz e Maringá foi justificada
pelo prefeito pelo fato dos aeroportos de Bauru e Marília
não contarem com ponte-aérea até Curitiba.
Portanto, houve a necessidade de utilizar transporte até
Maringá e alternativa aérea até Maringá,
escreveu o prefeito de Santa Cruz.
O jornal consultou a TAM e a empresa anunciou que oferece vôos
de Bauru a Curitiba, com conexão em Congonhas. O custo
do bilhete é R$ 680,70 e a viagem aérea dura 5 horas.
Somente o trajeto de automóvel entre Santa Cruz do Rio
Pardo e Maringá dura aproximadamente 4 horas.
Belo Horizonte Uma das despesas mais intrigantes
é a viagem do prefeito e do secretário José
Celso Locali para Belo Horizonte-MG, no início de outubro,
financiada pelos cofres públicos e num roteiro totalmente
fora da busca de verbas de um município paulista. A justificativa
do prefeito: O motivo da viagem a Minas Gerais foi a busca
por um dos mais importantes estudiosos da área de empreendorismo,
o sr. Fernando Dolabela, que lá reside.
Segundo Adilson Donizeti, a viagem rendeu frutos importantes,
quando o próprio Dolabela teria apresentado um projeto
de empreendorismo em escolas já aplicado em Sorocaba-SP.
Nem sempre as finalidades das viagens são buscas
de verbas, lembrou o prefeito.
Justificativas à parte, a suspeita de que o prefeito viajou
a Belo Horizonte para fins particulares aumenta quando se sabe
que ele contratou o advogado José Nilo de Castro, com escritório
na capital mineira, para defendê-lo em processos onde é
acusado de corrupção e improbidade administrativa.
O último contrato com Nilo foi para defesa no processo
de repasses ilegais à Esportiva, onde o Ministério
Público pede o afastamento do prefeito. A notificação
foi expedida no dia 1º de outubro e, dias depois, Donizeti
apresentou a defesa preliminar assinada por José Nilo de
Castro. Exatamente no período em que foi realizada a viagem
para Belo Horizonte.