Ator gaúcho morre
afogado no rio Pardo
TRAGÉDIA Leonardo
Araújo pertencia ao elenco da companhia Pessoal do
Faroeste e veio a Santa Cruz participar da peça Os
Crimes de Preto Amaral
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Momento
em que o corpo de Léo Araújo é retirado
do rio Pardo, na segunda-feira, dois dias após a tragédia |
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O corpo do ator de teatro
Leonardo Magalhães Araújo, 37, foi encontrado ao
meio-dia de segunda-feira, 17, enroscado num eucalipto que estava
tombado na margem do rio Pardo. Ele morreu afogado no sábado
ao nadar no paradão, trecho do rio Pardo com
grande profundidade.
Araújo pertencia ao elenco da companhia Pessoal do
Faroeste, que apresentou o espetáculo Os Crimes
de Preto Amaral na noite de domingo no Icaiçara Clube.
Ele veio para a estréia da peça no interior,
depois de um período em cartaz no teatro Imprensa, em São
Paulo. Araújo fazia o papel principal do texto escrito
e dirigido por Paulo Faria.
O elenco aproveitou a estada no município para descer o
rio de bóia, passeio ecológico que atrai os visitantes
que vêm a Santa Cruz do Rio Pardo. Devido a um ferimento
na perna, Araújo foi convencido pelos amigos a ficar na
chácara Boa Vista, de Beto Magnani, onde a companhia estava
hospedada.
Acompanhado da atriz Graciana Magnani, Araújo foi procurar
um trecho do rio que considerava mais tranqüilo para banhar-se.
Os dois foram ao paradão, próximo da
Associação Atlética Banco do Brasil (AABB).
A água na superfície não tem forte correnteza,
como o próprio nome diz. Porém, é fundo e,
segundo os bombeiros, muito perigoso para quem não conhece
o rio.
Araújo sabia nadar, segundo Beto Magnani, e percorreu dois
metros além da margem, conforme relato da irmã Graciela,
que estava no local do acidente. O problema foi quando o ator
tentou voltar à margem, mas encontrou dificuldades. Ele
tentou três vezes emergir e foi engolido pelas
águas. Graciela estava na margem e tentou orientá-lo
para mergulhar e usar os dois braços, mas na terceira tentativa
Araújo afundou. Ela ficou em estado de choque.
O Corpo de Bombeiros iniciou as buscas na tarde de sábado,
a partir do ponto em que o ator desapareceu, mas não o
encontrou até o início da noite.
No domingo, a partir das 7h30 as buscas recomeçaram até
o cair da tarde. Inicialmente o bombeiro utilizou barco e, à
tarde, equipe de mergulho.
O cabo Milton Campos disse que a visibilidade do rio era
zero no paradão, por isso foi difícil avistar
o corpo do ator. Ele estimou a profundidade em 6 metros. O
rio Pardo é traiçoeiro, cheio de poço. Na
margem é raso, mas repentinamente aumenta a profundidade
como se tivesse um poço, explicou o soldado sobre
o local onde o ator teria se afogado.
O corpo só foi aparecer na segunda-feira, enroscado num
pedaço de eucalipto que estava tombado junto à margem.
Quem o avistou foi um agente funerário que estava em um
dos barcos utilizados na busca do corpo do ator pelas águas
do rio Pardo. No caso de afogamento, o corpo só bóia
depois de 48 a 72 horas. Deu sorte do corpo ter seguido
até enroscar na árvore, disse o soldado Israel
Messias dos Santos. Pelos cálculos dele, possivelmente
o ator morreu afogado a 100 metros do local em que foi visto pela
última vez.
O corpo de Leonardo Araújo foi sepultado na terça-feira,
18, às 10h no cemitério de Santa Cruz. Ele seria
enterrado em Cachoeira do Sul-RS, mas o corpo já estava
em avançado estado de decomposição e, por
isso, foi sepultado em Santa Cruz do Rio Pardo.
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